O incessante som do despertador me acordou. Era alto como a sirene de uma ambulância quando passa pela rua ultrapassando todos os outros veículos e irritante como o som de pessoas caminhando e falando interminavelmente dentro de um shopping ou supermercado. Irritei-me com este maldito som.

Maior parte da minha frustração veio não apenas devido o som do despertador, visto que eu ouvia este praticamente todas as manhãs, mas também pelo fato de ter me acordado no meio de um sonho incrível.

Nele, eu era um famoso ator de Hollywood e tinha tudo que sempre quis, uma mansão, um carro caríssimo e é claro, um lindo namorado. Um grande problema do homossexualismo é que este ainda mantém muitos gays “no armário”. Enquanto é visto como um fato aceito e, na maioria das vezes, batido na sociedade, muitas pessoas não revelam quem realmente são por medo da desaprovação da família. Eu, infelizmente, faço parte desta minoria (ou maioria). E isto porque a sociedade homofóbica de hoje em dia faz com que pessoas como eu, que nascem “diferentes”, se sintam inferiores e menosprezadas.

Sendo abordado em praticamente todos os programas de televisão hoje em dia, o homossexualismo passou a se tornar moda, praticamente caiu no gosto do público. A maioria dos adolescentes quer experimentar. Não tem uma pessoa que não tenha visto um amigo(a) ou conhecido(a) se tornar homossexual, ou pelo menos experienciar aquilo. Nem sei por que ainda me preocupo em sair do armário.

Vendo o quanto se tornou moda alguém experimentar o mesmo sexo, acho que isto só aumentaria minha popularidade na escola, não que eu já tivesse alguma. É um grande clichê, com certeza, mas é a verdade. Nunca fui do tipo que tem muitos amigos na escola. Não faço parte do grupo dos antissociais, mas meus amigos nunca foram os mais populares.

Os filmes, geralmente teens, gostam de abordar um tipo de hierarquia nas escolas, principalmente as americanas. Nestes filmes, normalmente existem as “patricinhas”, garotas populares que são odiadas, mas ao mesmo tempo respeitadas e invejadas por todas as outras, os quarterbacks que namoram as garotas populares… E finalmente, os antissociais. Usualmente, neste grupo, está o protagonista do filme. Sendo assim, eu posso ser facilmente o protagonista de um deles, com certeza tenho o pacote completo para tal.

O que estava me mantendo na cama, principalmente, era o fato de ser o primeiro dia de aula numa escola nova. Morei em New York a minha vida toda, e nunca foi perfeita, mas me acostumei com ela, principalmente com meus amigos. Nunca apoiei a decisão de minha mãe, Vivian, de se mudar para Greenville. É claro que ela nunca realmente se importou com a minha opinião, já que convendo a ela, tudo estaria bem. Sempre tive uma ótima relação com minha mãe, ela sempre tentou demonstrar o máximo de interesse na minha vida, apesar da minha frieza com ela em relação à minha vida social. Não é incomum ouvi-la perguntando coisas como “Como vai a escola?” ou “Arranjou uma namorada, já?”. Eu não me irrito, apenas ignoro, pois nunca fui muito aberto sobre a minha vida pessoal com ela. Geralmente ficava mais confortável falando sobre estas coisas com meus amigos da escola, mas estes, bom… E isto me leva de volta a “Greenville”.

New York podia ser suja, barulhenta ou qualquer outra coisa, mas eu amei demais aquela cidade. Maior parte da minha vida foi lá. É muita falta de consideração que minha mãe, apenas para tentar esquecer o fato de ter pegado meu pai em flagrante no meio do ato com a nossa empregada de 25 anos, Marilyn, resolva de repente se mudar para esta cidadezinha. Minha mãe me considera muito insensível, mas releva meu comportamento pois sabe que puxei maior parte disto de meu pai. Ainda assim, é muita falta de consideração. Quando cheguei a Greenville, tudo que vi foram casas de cerca branca, gramados ridiculamente verdes, vizinhos amigáveis… odeio tudo isto, é como se os maiores esteriótipos de filmes clichês estivessem nesta maldita cidade. Eu estava extremamente nervoso em relação ao primeiro dia de aula.

Finalmente despertei. Uma das minhas maiores qualidades sempre foi a minha organização. Diferente do que gostam de mostrar em filmes sobre adolescentes serem desorganizados e terem sempre o quarto bagunçado, eu, pelo contrário, sempre organizo tudo. Então, como de costume, arrumei minha cama. Com meus lençóis amarrotados e de pé ao lado da cama, desliguei o despertador, me espreguicei e em seguida, fui ao banheiro. Normalmente, a primeira coisa que faço é tomar um banho quente. Assim, tirei as roupas e entrei no chuveiro. A sensação da água batendo sobre meu corpo pela manhã é de um prazer inexplicável, sinto como se estivesse sob o efeito de alucinógenos, é surreal. Assim que me dei conta da realidade novamente, peguei o sabonete para começar a me ensaboar. Sempre que o faço, inevitavelmente, meu membro fica ereto, e então, sucumbo à vontade imensa de me satisfazer. Geralmente penso num abdômen sarado em um corpo masculino nu coberto de óleo, ou até mesmo em nádegas avantajadas e coxas definidas… Simplesmente não consigo parar de imaginar-me sendo possuído por um másculo ser com um membro gigante enquanto me toco. Massageava meu pênis para frente e para trás, enquanto segurava o sabonete com a outra mão, pressionando-o contra o meu orifício… Continuava sem parar, cada vez mais rápido. Depois de alguns minutos, pude sentir o orgasmo vindo até a ponta da glande, até que finalmente, em meio a um sereno gemido, ejaculei com a maior pressão possível. Meu orgasmo foi de um prazer surreal, minha excitação era tanta que meu esperma esporrou o boxe do banheiro, situado a no mínimo 50 cm de distância de mim.

Sempre que saio do banho e olho para o relógio novamente, percebo que fiquei um considerável tempo debaixo do chuveiro, geralmente cerca de 40 minutos. É como se o tempo corresse diferentemente enquanto me toco. É como se eu estivesse em um universo paralelo, acho que é apenas uma peça pregada pela minha própria cabeça resultada do prazer momentâneo. A maioria considera este habito nojento, mas nenhum adolescente pode negar que ao menos tentou um dia. É inevitável, todos já o fizeram, ou se não, ao menos pensaram.

De banho tomado e satisfação sexual concedida, vou à parte mais difícil do meu dia: interagir com as pessoas. Como de costume, a primeira pessoa que eu sempre via era minha mãe, Vivian. Como já dito, nossa relação sempre foi muito boa, apesar de uma certa frieza por minha parte e um egocentrismo por parte dela. Em suma, tentávamos fazer funcionar apesar das diferenças. Desci as escadas para tomar meu café da manhã e lá estava ela. Geralmente, eu apenas pegava uma xícara de café – minha bebida favorita – e voltava para o quarto com meu melhor amigo: meu laptop. Meu maior hobbie é assistir alguma série de televisão, geralmente americana e ficcional, em meu laptop enquanto tomo uma xícara de café, e assim o fazia. Cheguei à cozinha torcendo para que ela não tocasse no assunto “escola”, então cumprimentei-a com um frio – “Bom dia.” – torcendo para que ela o retribuísse e a conversa terminasse ali mesmo para que eu pudesse retornar a meu quarto.

– “Bom dia.” – Eu disse.

– “Bom dia, querido.” – Ela respondeu.

“Graças a Deus, ufa!” – Pensei, aliviado. Após colocar a quantidade certa de pó de café e açúcar, geralmente 2 para o primeiro e 5 para o segundo, e acrescentar a água quente, andei discretamente em direção às escadas.

– “Andy, querido, espere.” – Ela me chamou.

– “NÃO! Por quê, meu Deus?! Por quê?!” – Apoiei-me à mesa, esperando que fosse apenas uma conversa rápida. Ela então puxou uma cadeira para que eu me sentasse e fiquei ainda mais enraivecido. Não demonstrei, é claro. Sempre tento me manter calmo e não demonstrar vulnerabilidade. Sentei-me. – “O que foi?” – Perguntei, tentando demonstrar o máximo de frieza e serenidade para não deixar escapar nem ao menos um visco de esperança de que eu estivesse animado para o resto do dia.

– “Então, primeiro dia na escola nova, hein?” – Ela perguntou, tentando puxar assunto e me fazer expressar minhas expectativas.

“Droga, ela tocou no assunto que eu estava querendo evitar, que droga!” – Pensei, tentando encontrar um modo de responder sinceramente sem ser grosseiro. – “Mãe, estou muito cansado hoje, e eu sei que você está animada para isso, mas será que podemos apenas tomar nosso café quietos?” – Pronto, encontrei uma resposta adequada, esperando que ela não insista no assunto, apesar de que ouvir o som de mim e até mesmo das pessoas ao meu redor mastigando a comida sempre me incomodou. Por isto odeio comer em silêncio, geralmente como com fones em frente ao laptop, mas acho que qualquer coisa era melhor do que falar da escola mesmo.

– “Tudo bem, querido. Sei que você não gosta de conversar muito, não vou mais tocar no assunto.” – Ela respondeu segurando minha mão e sorrindo, pois como sempre, era a única que me compreendia.

Era meu primeiro dia em “Lawrence High School”, eu estava agonizado e aterrorizado pelo dia que viria, estudei em “Brooklyn High School” durante todo o ensino fundamental. Mudei-me de New York há dois meses, é difícil deixar sua antiga vida para trás, principalmente com os (poucos) amigos que fiz. Dizem que conhecer novas pessoas é bom, e talvez até seja, mas o processo é humilhante. Sou extremamente antissocial, tenho dificuldade em me comunicar com pessoas desconhecidas, interagir, até mesmo iniciar um diálogo, não sei como consegui arranjar os amigos que já tive. Estava esperando não desmaiar no meio da aula, embora fosse bom ter uma desculpa para fugir da aula de biologia.

Mais tarde, eu já estava no carro com minha mãe. Estávamos à caminho da escola e eu me encontrava mais agonizado a cada quadra pela qual passávamos. As ruas eram razoavelmente vazias, ridiculamente limpas, com casas bem pintadas de cerca branca e jardins floridos. Sinto-me enojado ao observar aquilo, essas ruas arrumadinhas dão uma impressão de perfeição, coisa que para aqueles que vivem no mundo real, sabem que isso não existe. Pelo menos isto me deixava mais aliviado em relação à escola… Quer dizer, se a cidade é tão bonitinha, o colégio não deve ser tão ruim, certo? Não posso ficar animado pois não é de meu feitio, mas o pavor é menor agora.

Finalmente cheguei à Lawrence High School, e me surpreendi com o quanto esta escola se parecia com a minha antiga. Isto acabou com a minha teoria de uma escola perfeitinha, o pânico voltou. Haviam vários estudantes em frente à escola esperando pela abertura das portas, a maioria deles conversando. Como sempre, haviam as garotas e garotos bonitos e populares, que já têm seu próprio “bando”. Como já dito anteriormente, os filmes americanos abusam destes estereótipos, e às vezes até exageram… Quer dizer, eles não podem ser tão superficiais e fúteis quanto se dá a entender, apenas ignoram os menos populares, ou em vez disso, praticam “bullying” com eles. Eu já estava preparado para receber os devidos apelidos, ameaças e agressões. Foi exatamente assim em minha antiga escola, claro que lá eu tinha meus amigos de infância para me apoiar, aqui não tenho nada, nada.

– “Você está pronto?” – Minha mãe me perguntou, aparentemente preocupada.

– “Sim, estou.” – O quê?! Nem de longe que estou pronto, mas acho que esta é minha melhor resposta mesmo. Odeio falar de meus sentimentos com os outros.

Saí do carro. Pisei lentamente em cada degrau da escadaria que me levaria até as portas da escola. Tentei parecer confiante ao andar, mesmo não estando. – “Droga Andy, mantenha a pose!” – Meu subconsciente luta comigo, como sempre. Tenho dificuldade em manter-me descontraído e confiante enquanto caminho, principalmente quando estou tão nervoso. Não que minha homossexualidade afete meu jeito de andar, apenas é meu jeito. Senti como se todos estivessem me fulminando com os olhos, me encarando à espreita esperando para atacar. Não olhei para os lados para não chamar atenção, então não sei se estavam mesmo me notando, e isso me deixou ainda mais apavorado.

Finalmente cheguei à porta da escola. É uma agonia ficar parado em frente a ela fechada, esperando que eu pudesse me libertar daquele sufoco e ir logo para a minha sala. Principalmente com várias pessoas estranhas ao meu redor, senti como se alguém estivesse prestes a falar comigo ou chamar minha atenção. Eu estava suando como um jogador de futebol depois de uma longa partida, quase não conseguia respirar de tanta ansiedade.

De repente… Alguém esbarrou em mim!

CONTINUA…

 

ESTRELANDO:

Dylan Minnette (Andy Miller)

Chloë Grace Moretz (Casey Roberts)

Gregg Sulkin (Connor Lawrence)

Evan Peters (Jacob “Jake” Parsons)

Ana Gasteyer (Vivian Miller)

CO-ESTRELANDO:

Grant Gustin (Joe Highmore)

Keith Powers (Lucious Wilson)

Nina Dobrev (Megan Lyon)

Candice Accola (Shirley Masters)

Rick Cosnett (Richard Maxfield)

CONVIDADOS:

Chris William Martin (George Highmore)

Marguerite Maclntyre (Marisa Highmore)

Christopher Cousins (John Lawrence)

Colin Ferguson (Norman Roberts)

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL:

Unbroken Productions

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.