Entrei em pânico, queria sair correndo daquele lugar imediatamente. – “Controle-se Andy, controle-se!” – Meu subconsciente volta a me atordoar. É meu melhor conselheiro e quem melhor me faz recuperar o controle em momentos de aflição. Respiro, calmamente, e retomo à noção da realidade.

– Nossa, me desculpe… Eu sou tão desastrada, devia olhar por onde ando. – Era uma garota, muito bonita aliás, loira de cabelo liso, com lábios razoavelmente carnudos, olhos verdes e um corpo em forma.

Uau, como que uma garota tão bonita pode ser legal com alguém tão desajeitado como eu? Sou pálido, magrelo e me visto diferentemente de todo o resto. Talvez a vida não seja tão ruim assim, talvez hajam coincidências, talvez exista sorte. Vendo o quão educada a garota foi, devo responder à altura.

– E… Eu é que peço desculpas. – Ela fica sorrindo para mim, estou extremamente envergonhado, simplesmente não sei mais o que fazer além de pedir desculpas. O que faço meu Deus? Sinto que vou desmaiar de tanto constrangimento.

– Meu nome é Casey, Casey Roberts. Qual o seu? – Ela pergunta curiosa, ainda sorrindo, mas desta vez com a boca fechada.

– So… Sou Andrew, mas a maioria me chama de Andy. Miller, aliás. – Surpreendo-me com minha capacidade de superar meu nervosismo, estou começando a me sentir extremamente confortável em conversar com ela. Mas quais são as intenções desta garota? Ela quer ser minha namorada? Será que terei de revelar meu segredo mais profundo a alguém que mal conheço?

Antes que Casey pudesse prolongar o diálogo, as portas da escola se abriram e nós entramos. Não sabia se andava reto seguindo meu próprio caminho ou continuava ao lado dela na possibilidade de fazer uma amizade logo no primeiro dia de aula.

– Vem, vou te mostrar qual é a sua sala antes que você se perca. – Casey me interrompeu, segurando meu braço.

Eu a segui conforme ela me conduzia. Fomos até a parte – no momento – mais movimentada da escola, uma parede com a lista dos alunos de cada turma, indicando o destino de cada um. Fiquei torcendo para que eu estivesse na mesma sala que Casey, provavelmente a única pessoa gentil daquele colégio. – “Não terei a mesma sorte de alguém esbarrar em mim novamente, um raio não cai no mesmo lugar duas vezes. – Pensei, aflito.

Apontei o dedo nas listas para me guiar melhor e vi meu nome na sala 3ºC. ESPERE, o nome de Casey também está ali, dois nomes abaixo do meu. Quase que não consegui segurar minha alegria diante daquela maravilhosa surpresa. É como se o universo estivesse conspirando a meu favor. Estou começando a acreditar na minha felicidade, e odeio isso. Sou muito inseguro, parece que sempre tem alguma coisa para acabar com minhas esperanças, espero que não aconteça desta vez. Parando de refletir sobre a minha suspeita sorte, saí daquele tumulto de pessoas e voltei-me à Casey, parada logo atrás, esperando que as pessoas saíssem. Controlei a felicidade para que ela não percebesse o quão entusiasmado eu estava por estar na mesma classe que ela.

– Ficamos na mesma sala, 3ºC. – Eu disse de forma solene e com um meio-sorriso para encobrir meu entusiasmo.

– Ah… Que legal, eu te mostro onde é, vem comigo. – Ela respondeu sorrindo e aparentemente, feliz por ter ficado na mesma classe que eu. Meu Deus, será que ela está mesmo “afim” de mim? Não que eu não aprecie ser desejado, mas não me importa se for alguém por quem não estou atraído. Sinto-me na necessidade de revelar meu segredo a ela, mas esperarei até conhecê-la melhor e garantir que seja confiável.

Finalmente chegamos à sala 3ªC. Já que nunca fiquei em mais de uma escola durante a vida toda, fiquei inseguro quanto ao lugar que escolheria para sentar. Depois de alguns segundos pensando, fui até o fundo da sala – onde me sinto mais confortável – mais especificamente na última classe da última fila, a que fica em frente à mesa do professor. Casey sentou à minha frente. Cutuquei-a para chamar atenção e esclarecer algumas dúvidas.

– Como você sabia que eu era novato para me guiar até aqui? – Perguntei curioso, tentando puxar assunto.

– Bom, eu estudo aqui há vários anos e nunca te vi aqui então, meio que deduzi isso. – Ela respondeu descontraidamente.

– Você deve ser bem popular, né? – Perguntei, tentando desvendá-la e conhecê-la melhor.

Ela riu. – Eu acho que pode-se dizer que sim. E você?

Surpreendi-me com a pergunta de Casey, ela parecia determinada a tentar me conhecer melhor. – Eu não. Estou surpreso por você ao menos estar conversando comigo. – Por quê, meu Deus?! Por quê é que eu sempre tenho que responder sem pensar?! Tudo está indo tão bem, não posso arruinar tudo mostrando este meu lado a ela, vai pensar que sou dramático e desesperado por atenção! Bom, eu sou, mas ninguém precisa saber. – “Respire fundo, Andy, respire!” – Ela ficava me olhando seriamente, não pude desvendar o que ela estava sentindo. Estaria ela repugnada pelo meu comentário? Será que ela está arrependida por ter ao menos falado comigo? De qualquer modo, tentei desfazer meu erro imediatamente, antes que fosse tarde demais. – Desculpe-me, Casey. Eu não quero parecer dramático nem nada, é que não estou acostumado com pessoas a fim de conversar comigo.

– Está tudo bem. Para um cara que se diz “antissocial”, você até que está se saindo muito bem. – Ela respondeu sorrindo. Nossa, continuo com medo de estar numa maré de sorte. Toda a gentileza de Casey comigo só me faz pensar que ela está afim de mim, não consigo pensar em outra coisa.

De repente, um garoto veio em direção a mim. Ele era lindo. Cabelo e olhos castanhos, corpo definido, lábios sensuais, perfeito. Parecia confiante, provavelmente um dos populares da classe.

Percebi então que ele estava indo na verdade em direção à Casey, não a mim. Lá se foi um sonho de consumo. Fiquei curioso sobre o envolvimento dos dois, seriam namorados ou apenas bons amigos? O garoto terminou com minhas dúvidas quando pôs suas mãos no rosto de Casey e a beijou nos lábios. Eu não sabia como me sentir em relação a isso, não tenho ciúmes dela já que mal a conheço e… sou gay.

O primeiro dia de aula é como fazer compras numa loja. Você analisa com cuidado cada um dos produtos, no caso os seus colegas, procurando encontrar aquele que você procura ter só pra você, hipoteticamente. No meu caso, seria o garoto mais bonito da aula. Isto sempre acontece, fico o ano inteiro fantasiando com alguém que eu sei que não posso ter e acabo tendo meu coração partido, mas não mais. Este ano, as coisas serão diferentes.

Ao ver os dois se beijando, simplesmente virei a cabeça para o outro lado discretamente tentando parecer que não estava prestando atenção no que estavam fazendo.

– Andy! – Casey alertou-me. Eu virei para ela novamente, estava um pouco envergonhado. – Eu quero que você conheça o meu namorado, Jacob.

– Eu já te disse que eu não gosto que me chamem assim. É Jake! – Ele respondeu, irritado com Casey e, meio que desprezando-a. Ele me olhou, encarou-me, aparentemente me analisando, não parecia muito contente por me conhecer. – E por que você ao menos é amiga deste pedacinho de merda?!

Ai, esta doeu! Já me chamaram de coisa pior, apelidos e xingamentos raramente me atingem com o tanto de humilhação que já sofri nos anos anteriores na escola. Então fui educado e não revidei, apenas virei a cabeça, fingindo que não estava notando. Se Casey fosse tão legal como parece, com certeza iria me proteger. Não tinha necessidade de eu fazer inimigos logo no primeiro dia.

– Será que você não poderia ser legal com alguém por ao menos um minuto?! – Casey respondeu, extremamente zangada com o namorado. Dada a expressão severa no rosto dela, não era a primeira vez que isto acontecia. Jacob, ou “Jake”, com certeza é um desses namorados idiotas. Só espero que não cometa violência física com ela.

– Eu não vou discutir essas bobagens com você novamente, se você não gosta de mim como sou, tem muita garota que gostaria de estar no seu lugar! Eu não preciso aguentar toda esta merda!

Jake foi para o outro lado da classe, com os nervos à flor da pele. Sempre fico constrangido quando alguém precisa de consolo, não sei o que fazer nestes momentos. Casey foi tão legal me defendendo, eu não poderia deixá-la ali, patética e largada.

– Você está bem? – Perguntei tímida e serenamente.

– Está tudo bem, deixa pra lá. – Ela ainda parecia triste. Eu sinto como se tivesse que consola-la, mas a resposta de Casey deixou bem claro que assim como eu, ela não é do tipo que gosta de “desabafar” com os outros. Talvez seja pelo fato de mal me conhecer, ou talvez ela seja assim mesmo. De qualquer jeito, estou começando a gostar dela.

ESPERE, um garoto ainda mais lindo que Jake entrou na classe. Mas diferente do “namorado” de Casey, este parecia ser legal. Não era metido ao andar, mas também não era desajeitado como eu, era simples e naturalmente bonito. Não dá para identificar a opção sexual à primeira vista, mas é sempre bom descobrir minhas chances.

– Casey, Casey, você conhece aquele garoto, o que acabou de se sentar ali na frente? – Perguntei entusiasmado. Em seguida, diminuí o entusiasmo para não parecer que eu estava romanticamente interessado no garoto.

– Sim, conheço. Por quê? – Que droga! O que será que vou responder agora?! Ela não pode descobrir que estou interessado no garoto.

– Por nada não, esquece. – Casey virou-se para frente novamente. Acho que passou a agir um pouco mais friamente depois de ter sido aparentemente “chutada” pelo namorado idiota. Melhor eu não incomodá-la mais.

De repente, um homem alto, mais velho e elegantemente vestido adentrou a sala de aula. Ele estava carregando uma maleta, maleta esta que assim que chegou, pôs diretamente sobre a mesa do professor. Obviamente, ele era um dos nossos professores. Aparentava ter por volta de 40 anos, mas de um jeito atraente e sexy. Sentir atração por um professor ultrapassa os meus limites, então não posso fantasiar com ele, mas ah… se eu tivesse idade o suficiente…

– Boa tarde, turma. Meu nome é… – Ele disse, enquanto escrevia com o giz branco na lousa o seu nome. – …Richard Maxfield. Sou o professor de história.

Lá se foi o pingo de desejo que tive pelo meu professor. Descobrir que ele leciona história foi um balde de água fria. Quero dizer, por que saber de coisas que já aconteceram e estão enterradas no passado? Dizem que é importante sabermos como se deu a história de nossa sociedade e o que aconteceu para que levasse a humanidade aonde estamos agora. Mas eu prefiro permanecer no século XXI, muito obrigado.

Cerca de duas horas e meia depois, estávamos no intervalo. Eu já tinha conhecido os professores de história, como já dito, física e matemática. Não sou fã de nenhuma destas matérias, mas todos os professores me pareceram razoavelmente legais até agora.

Na sempre súbita e inesperada vontade de “tirar a água do joelho”, resolvi ir até o banheiro masculino esvaziar minha bexiga. Eu estava tão apertado, que nada mais importava naquele momento, cheguei praticamente correndo no banheiro. Ao entrar lá, esbarrei em alguém. Era o mesmo garoto que eu vira antes na aula, ele virou-se para mim.

CONTINUA…

ESTRELANDO:

Dylan Minnette (Andy Miller)

Chloë Grace Moretz (Casey Roberts)

Gregg Sulkin (Connor Lawrence)

Evan Peters (Jacob “Jake” Parsons)

Ana Gasteyer (Vivian Miller)

CO-ESTRELANDO:

Grant Gustin (Joe Highmore)

Keith Powers (Lucious Wilson)

Nina Dobrev (Megan Lyon)

Candice Accola (Shirley Masters)

Rick Cosnett (Richard Maxfield)

CONVIDADOS:

Chris William Martin (George Highmore)

Marguerite Maclntyre (Marisa Highmore)

Christopher Cousins (John Lawrence)

Colin Ferguson (Norman Roberts)

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL:

Unbroken Productions

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.