Ser convidado para uma festa de adolescentes e ainda receber um convite de amizade do garoto que “gosto” no primeiro dia de aula?! Com certeza este dia foi bem produtivo. Minha animação é tanta que quase esqueço o quão receoso eu estava quanto à mudança de cidade e, consequentemente, escola.

Diz-se a expressão “É tão bom poder adicionar um rosto ao nome” quando veem alguém de quem ouviram falar pela primeira vez, mas estes não devem saber o quão ótimo é poder adicionar um nome a um rosto lindo!

Este tal de “Connor” é ainda mais lindo em fotos. Como sempre, a primeira coisa que fiz após aceitar o convite dele, foi “stalkear” o seu perfil. As pessoas usam o termo como qualquer forma de perseguição. Os jovens hoje em dia chamam de “stalker”, principalmente no Brasil – país que adora americanizar as coisas, devido a sua própria falta de originalidade –, aquelas pessoas que adoram perseguir outras nas redes sociais, dentre elas o facebook, que é a única que eu uso com frequência. É óbvio que o tema “Stalker” serve para outros casos, inclusive criminais. Existe até uma série de tv sobre o assunto, protagonizada por uma das minhas musas, Maggie Q.

Enfim, além das fotos, necessito checar o status de relacionamento de Connor. DROGA! Ele está namorando uma garota que eu nem conheço, mas já odeio, chamada Meg Lyon. Será que ela estará na festa de hoje? Espero que seja feia e baranga, ninguém merece simpatizar com alguém que por lei deveria odiar. Falando na festa, preciso me arrumar…

 

Alguns minutos depois, já tinha checado todas as roupas no meu roupeiro, e simplesmente não tem NADA que seja adequado para uma festa. Estou perdido! Pelo menos não preciso bagunçar todo o meu quarto para procurar meus vestuários, já que, diferente da maioria das pessoas da minha idade, eu tenho orgulho de minha organização.

O meu celular tocou, de repente. Era Casey, provavelmente querendo marcar um lugar para que nos encontrássemos. – Oi, Casey.

– Oi, você já está pronto? Estou saindo de casa.

Não costumava admitir esse tipo de coisa a um amigo, mas estava completamente desesperado. Então, resolvi tentar. – Na verdade, eu preciso de sua ajuda. – Eu disse, com um tom de preocupação.

– O que foi? – Casey parecia curiosa.

– Eu revirei todo o meu roupeiro e não encontrei nenhuma roupa adequada para a festa. Eu sei que você é uma garota e tudo mais mas, será que você não tem um pai ou irmão que possa me emprestar uma peça? Eu geralmente não pediria algo assim, mas estou sem opções. – Eu ri, tentando discontrair, e aterrorizado com a ideia dela rejeitar meu pedido. Sinto-me culpado só de colocá-la nesta situação.

Ela ficou em silêncio por alguns instantes, estranhei. – Bom, se… se você quiser alguma roupa emprestada, podemos ir na casa de um amigo meu. Ele também vai ir na festa e geralmente é o último a sair de casa. – Hm… Interessante. Pelo que percebi, este “amigo” gosta de chamar a atenção, seria ele gay? Fiquei intrigado agora. Não que todos os gays gostem de aparecer, eu sou um exemplo disso. Mas enfim.

– Uh… Claro! Eu adoraria. Onde te encontro?

– Eu vou te enviar o endereço por mensagem de texto e nos encontramos lá, ok?

– Tudo bem. Te vejo lá.

O celular tocou, era a mensagem de Casey. Antes que eu pudesse lê-la, ouvi o som de alguém batendo na porta de meu quarto. Era minha mãe, para o meu desgosto.

– Olá, querido! – Ela disse, aparentemente feliz.

Tomei um susto, e virei-me abruptamente para ela. – Mãe! O que você quer?! – Não odeio ela, nem nada. Mas é sempre constrangedor ser visto de toalha por sua mãe, apesar dela estar confortável com a ideia.

– Nada, querido. É que eu percebi que você já saiu do banho há um tempo e até agora não escolheu uma roupa. Por acaso você vai sair?

– Sim. Vou numa festa com uns amigos. – Respondi, com desdém.

Ela pareceu extremamente surpresa. – Ah, nossa. Quer dizer que você já fez amigos no primeiro dia de aula? Meu Deus, isto é ótimo!

Vou tentar não levar o comentário dela na ofensiva para não me irritar. – É. Eu vou me vestir agora, então será que você pode sair e fechar a porta, por favor?

– Você precisa de ajuda para encontrar uma roupa?

– Não, obrigado. Um amigo vai me emprestar algumas.

– Ah, tudo bem. – Em seguida, ela saiu e fechou a porta. Ela poderia ser escandalosa de vez em quando e chamar atenção em momentos inconvenientes, mas uma das coisas que eu amo sobre ela é sua habilidade de não prolongar assuntos. Minha mãe sempre foi assim comigo, e gosto disso nela porque é uma prova de que ela é uma das pessoas que mais me conhece, e é alguém em quem eu posso confiar. Posso ser rude de vez em quando, mas qual família não tem seus desentendimentos?

 

Enfim, depois de revirar o meu roupeiro mais uma vez e ter a certeza absoluta de que não ia encontrar uma roupa decente, finalmente saí de casa. Minutos depois, encontrei com Casey no endereço marcado. Ela estava incrivelmente bonita. Estava usando uma blusa vermelha cobrida por uma jaqueta de couro preta e uma saia, também preta, que tapava metade das coxas, tudo isso lapidado por saltos pretos e o seu cabelo loiro sempre deslumbrante, desta vez puxado no lado esquerdo por uma presilha de cabelo, para dar um toque de charme no visual. Só por ela estar quase toda vestida de preto, já considero-a uma pessoa com ótimo gosto pra roupas. As pessoas geralmente gostam de roupas das mais diversas cores possíveis, como se todo dia fosse uma roda de carnaval. Porém, acho preto a cor mais adequada para qualquer ocasião, pois é discreto, charmoso e combina com qualquer um.

Ao me ver, Casey pareceu positivamente surpresa. – Uh… Oi. – Ela disse, sorrindo.

Porque este sorriso e a expressão de surpresa? Será que ela está fazendo pouco de mim por algo? Sempre tenho medo de estar com algo no meu rosto. Graças a Deus, sempre escovo os dentes rigidamente e olho-me no espelho sempre antes de sair para não sofrer nenhum constrangimento em público. – Oi. Tem algo errado?

– Ah não, é que… eu nunca vi alguém tão pontual. Só isso. – Ela riu. Eu apenas sorri. Realmente me orgulho de minha pontualidade. E sinceramente, mesmo me atrasando vez ou outra para chegar a tempo do primeiro período na escola, nunca que eu iria me atrasar para encontrá-la. Casey foi tão legal comigo neste primeiro dia que eu sinto a necessidade de não decepcioná-la. O mínimo que podia fazer era chegar a tempo.

– É… É que eu não precisei me arrumar muito, já que… né? – Nós dois rimos novamente, a noite já começou agradável, felizmente. – Vamos?

– Claro. – Ela respondeu espontaneamente. Em seguida, andamos na calçada em direção à casa deste misterioso “amigo” de Casey.

– Você está muito bonita, aliás. – Eu disse, afim de quebrar o silêncio, que sempre me incomoda quando estou andando ao lado de alguém. Só espero que ela não tenha a ideia errada a partir do meu elogio.

– Ah, obrigada. Eu tenho certeza de que você também vai ficar muito bonito depois de experimentar as roupas do meu amigo. – Ela riu, debochando. Ri, apenas por simpatia. Não é que eu tenha me ofendido pelo comentário de Casey, apenas não achei toda a graça que ela. Porém, às vezes precisamos rir das piadas idiotas de nossos amigos para demonstrar que nos importamos com eles, isto apenas fortalece uma amizade.

 

Finalmente chegamos. Casey tocou a campainha. Ela parecia mais calma do que nunca. Eu, pelo contrário, estava completamente nervoso em conhecer o amigo dela. Sinto que toda vez que um amigo meu me apresentar a um amigo, eu vou acabar não me dando bem com a pessoa e/ou vou ficar completamente excluído em meio à conversa dos dois. Graças a Deus que há recém tomei banho e pus bastante desodorante, caso contrário estaria transpirando como louco agora.

De repente, a porta abriu-se. Eu poderia desmaiar de vergonha, ainda mais porque eu estava prestes a pedir emprestadas as roupas do sujeito. Mas, para a minha surpresa, o nervosismo aumentou ainda mais quando eu vi quem ele era, e o fato de ter que pedir suas roupas passou a se tornar algo minimamente importante.

– Oi, Lucious! – O QUÊ?! Caso não se lembrem, eu me masturbei no banheiro masculino depois de ter tido um encontro inesperado com um dos caras mais lindos que já vi pessoalmente mais cedo, e enquanto o fazia, ouvi Jake – a.k.a. namorado cafajeste de Casey – conversando com um garoto chamado Lucious, tanto que eu o vi quando nos esbarramos na porta da cabine do banheiro. Não consigo acreditar que ele é amigo de Casey e que esconderia que Jake estava traindo-a, isto não é amigo de verdade. O pior de tudo é que preciso dele para conseguir roupas para a festa e não consigo nem acusá-lo com esses olhos castanhos escuros e estes lábios carnudos que só os melhores negros têm. Ok, eu preciso parar de me sentir atraído por qualquer cara que passa por mim, mas não consigo evitar se estou cercado de gente bonita.

– E aí, Casey? Chegou cedo, hein… – Os dois abraçaram-se, como se fossem melhores amigos. E a pergunta que não quer calar é: como ele pode se considerar um amigo mantendo um segredo desses? OPS, ele olhou pra mim. – E aí, cara? Tudo bem? – Meu Deus, ele tem um sorriso lindo! E ainda estendeu a mão para me cumprimentar. Droga, o problema destes cumprimentos de adolescentes constantemente mudam e eu nunca sei qual é o aperto de mão que está na moda. Resolvi ir pelo tradicional e apertar gentilmente a mão dele. Lucious respondeu bem ao meu cumprimento, para a minha sorte.

– Tu… Tudo. – Eu respondi, como sempre tímido. Ainda bem que a rua estava deserta e Lucious aparentemente estava sozinho em casa, pois falo MUITO baixo quando estou com vergonha. A pessoa tem que ter uma audição de morcego para me ouvir nestas circunstâncias. Felizmente, ele ouviu.

– Eu te conheço de algum lugar, não? – Nossa! Eu não esperava que ele fosse me reconhecer, as pessoas geralmente nem me notam. Agora estou preocupado que ele possa achar que eu ouvi sua conversa com Jake no banheiro.

– Uh… Sim. Nos esbarramos no banheiro hoje mais cedo. – Respondi, tentando parecer o mais calmo possível.

– Ah, sim, claro. – Ele não perguntou mais nada, graças a Deus. Vai ver não deu muita importância mesmo. E continua a me olhar com aquele sorriso hipnotizante. – Bom, deixem de rodeios. Podem entrar! – Ele é tão gentil! Porque é que tem que manter segredo? Talvez eu esteja julgando-o demais. Quer dizer, eu mal conheço esse tal de Lucious, ou Casey, aliás. Essas pessoas são todas novas pra mim. Posso ter interpretado mal a situação.

Assim como ele requisitou, eu e Casey entramos. A casa dele é bem aconchegante. Será que mora sozinho? Eu sempre quis ter um colega de quarto, talvez seja o empurrãozinho que eu preciso pra sair de vez da casa de minha mãe.

– É assim que você vai se vestir? – Casey perguntou sarcasticamente, menosprezando e ao mesmo tempo debochando das roupas de Lucious. Só o sarcasmo e ironia na conversa entre os dois já mostra um grande nível de intimidade, continuo cada vez mais suspeito.

– É claro que não, garota. Eu ainda nem tomei banho. Você sabe que eu não gosto de ser um dos primeiros a chegar na festa, é muito desespero. – Eles riram. Eu, para não parecer excluído (como temia), ri também, mesmo não achando muita graça.

– Bom, então antes que você entre no chuveiro, eu queria saber se você poderia emprestar umas roupas pro Andy. – Casey pediu.

– Ah, claro, cara. Sem problemas. Eu vou entrar no chuveiro, mas a Casey te leva no meu quarto e aí você pode escolher algumas roupas, ok?

– Claro, valeu! – Eu geralmente diria “obrigado”, mas “valeu” parece ser o que todos falam então pra quê arruinar um primeiro dia de aula tão bom sendo ainda mais estranho do que já sou?

– Venha. Eu te levo no quarto dele. – Casey me pegou pelo braço e subimos as escadas.

Lucious tem um banheiro dentro do quarto. Porém, ele chegou até lá antes de nós e infelizmente escolhi as roupas que queria antes dele sair. Eu faria de tudo para poder dar uma espiadinha e vê-lo molhado e de toalha saindo do banheiro, principalmente ver se tinha um voluminho por baixo da toalha. Dizem que os negros geralmente são bem dotados.

Dada esta breve fantasia que acabou sendo apenas uma fantasia mesmo, nós fomos para a festa no carro de Lucious. Sim, ele ainda tem um carro. O quão perfeito ele pode ser? Quase até me esqueci daquele segredinho dele.

 

Enfim, chegamos à cobiçada festa daquele tal de Joe. Sua casa era grande, de dois andares, e ainda tinha um grande quintal e piscina nos fundos. A casa estava absolutamente lotada, tanto dentro quanto nos fundos. Diversas pessoas dançando no escuro com copos de plástico vermelhos cheios de bebida alcoólica nas mãos e ao som de música pop no volume máximo, só o que se via eram as pulseiras e colares que brilhavam no escuro. Parecia uma daquelas festas de filmes americanos, aquele já era um dos melhores dias da minha vida, e a noite parecia que ia ser ainda melhor.

Casey segurava a minha mão o tempo todo para que eu não me perdesse naquela multidão. Rapidamente, fomos para os fundos, onde podia-se ter um pouco mais de espaço, já que a maioria das pessoas estava na piscina se divertindo. Eu continuava com Casey e Lucious a todo custo, uma festa pode ser muito divertida, mas se você está sozinho e não tem ninguém com quem ficar, pode ser uma das piores experiências de sua vida. Ganhei até um copo de cerveja, o que é ótimo, mesmo que eu não vá beber, já que odeio bebidas alcoólicas.

– Você está gostando da festa?! – Casey perguntou gritando, devido a música alta.

– Sim, é bem legal! – Respondi, disfarçando o meu leve desconforto. Pensei que uma festa seria algo mais divertido, estamos apenas parados vendo os outros terem toda a diversão.

Resolvi me virar pra ver se mais alguém chegava no quintal dos fundos. Para a minha surpresa, alguém chegou, e me fez derramar meu copo bem na hora em que eu me virava. Por sorte, não pegou nas roupas emprestadas, não queria me envergonhar bem na frente de Lucious manchando sua camisa social preta.

– Oh, meu Deus, eu sinto muito! – Ao ver quem era, toda a minha frustração se foi. Era ninguém menos que Connor (aquele cujo agora eu sei dizer o nome).

– Ah… não, não se preocupe. Está tudo bem. – Eu disse, sorrindo como um pateta. Não podia ser coincidência. E assim eu continuo esbarrando nas pessoas…

Ele surpreendeu-se ao ver que era eu, parecia feliz. AI MEU C*! – Oi. Andy, certo? – Ele se lembra do meu nome. Parece estranho, mas tive uma ereção quando ele disse meu nome.

– Sim, e… você é Connor, né? – Por fora, pareço confiante, mas por dentro, estou uma pilha de nervos e excitação. Estou tentando não demonstrar que minha ereção começou a me incomodar por estar penetrando na calça e me machucando. Preciso urgentemente pôr a mão nas calças para ajeitar meu membro, mas preciso fazer isso sem que ele perceba. Ai, Jesus!

– Sim. – Ele respondeu, com seu sorriso perfeito.

De repente, chegou uma garota linda por trás dele. Era morena, com cabelos castanhos e um corpo escultural. – Oi, amor. Você está fugindo de mim, por acaso? – Ela perguntou, rindo.

– Ah, oi. Eu pensei que você estava bem atrás de mim. – Ele riu também e beijou-a. QUERO MORRER. – Ei, Andy, esta aqui é minha namorada, Megan.

Megan? Pera aí!

Algumas horas mais cedo…

“Só estou dizendo… Você dorme quase todas as noites com a Megan. Só conte à Casey e termine as coisas. Que bem vai te trazer ferir os sentimentos daquela garota?” – Lucious disse a Jake enquanto estavam discutindo no banheiro e eu… ouvindo através da cabine.

Quer dizer então que a namorada de Connor é “amante” de Jake?! AGORA SIM A P*RRA FICOU SÉRIA!

 

CONTINUA…

 

ESTRELANDO:

Dylan Minnette (Andy Miller)

Chloë Grace Moretz (Casey Roberts)

Gregg Sulkin (Connor Lawrence)

Evan Peters (Jacob “Jake” Parsons)

Ana Gasteyer (Vivian Miller)

CO-ESTRELANDO:

Grant Gustin (Joe Highmore)

Keith Powers (Lucious Wilson)

Nina Dobrev (Megan Lyon)

Candice Accola (Shirley Masters)

Rick Cosnett (Richard Maxfield)

CONVIDADOS:

Chris William Martin (George Highmore)

Marguerite Maclntyre (Marisa Highmore)

Christopher Cousins (John Lawrence)

Colin Ferguson (Norman Roberts)

UMA PRODUÇÃO ORIGINAL:

Unbroken Productions

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