“As Escolhas erradas do passado são as consequências de hoje e o preço do hoje é o valor a ser pago amanhã”.

 

 

CENA 01 – EXT – REFORMATÓRIO SAINT LUCAS – SAÍDA – MANHÃ

 

O lugar aparenta ser bastante antigo. Paredes grossas e de uma cor suja, os grandes portões de metais e cercas elétricas tomam conta da frente, lateral e saída.

 

Um carro preto para em frente ao portão da saída e um homem de cabelos escuros, roupas sociais e óculos escuros desce do veículo. Ele olha para o portão que é aberto automaticamente e avista um garoto, dezoito anos, uniformizado e com sapatos gastos, os cabelos castanhos claros grandes e desajeitados, olhos castanhos, porte alto e com um olhar de esperança. O homem tira os óculos escuros e revela seus olhos claros que são fixados no garoto, ele vai até o mesmo segurando uma pasta. O garoto olha para o portão que se fecha imediatamente.

 

HOMEM [O.S][Estendendo uma das mãos] Alec Porter? Sou o advogado do seu pai, Mauro Ferraz. É um prazer conhecê-lo.

 

ALEC[Ignorando a mão dele] Isso está mesmo acontecendo? Estou livre depois de seis anos nesta… [Ele olha para trás e ver todo o reformatório]… Porcaria?

 

MAURO – Sim. Hoje você volta a viver aqui fora, socialmente e como um cidadão.

 

ALEC – E porque o meu pai te mandou? Ele nunca mandou nenhum advogado.

 

MAURO – Seu pai é um homem muito ocupado e não pôde comparecer, mas… Ele me pediu para vir e guia-lo até seu destino.

 

ALEC[Encarando-o confuso] Como assim meu destino?

 

MAURO – Eu irei lhe explicar tudo, mas agora vamos entrar ao carro, pois o sol está escaldante.

 

Mauro vai até a porta traseira do veículo e abre-a, Alec entra e Mauro logo depois. Dentro do veículo o advogado abre sua pasta de couro preta e Alec fica observando tudo. O motorista acelera e eles partem.

 

MAURO [Mexendo nos papeis] Não fique preocupado, sua vida será ótima.

 

ALEC – Aposto que sim. Voltar para Tormens Falls, uma cidade minúscula onde todos sabem que você matou seu irmão é totalmente ótimo.

 

MAURO [Sem dar atenção] Achei!

 

ALEC [Curioso] O quê? Você parece nervoso. O que está acontecendo realmente aqui?

 

MAURO – Isto em minhas mãos é o endereço aonde você vai morar, seus documentos, chave de um carro zero quilometro e seus papeis do colégio.

 

ALEC[Estranhando] O meu pai mandou isso?

 

MAURO – O seu pai quer continuar a viver bem, Alec. Então você agora que é maior de idade, poderá ter total controle da sua vida.

 

ALEC – Terei? Espera! O meu pai me quer longe?

 

MAURO – Ele só pediu que você evitasse contatos e seguisse em frente.

 

ALEC – Ele e a mamãe não me perdoaram, não é?

 

MAURO – Você matou seu irmão, Alec. Isso não é uma coisa que nós nos esquecemos de um dia para o outro.

 

ALEC – Faz seis anos e eu já paguei por isso.

 

MAURO – Você aceita o acordo?

 

Alec olha o papel em sua mão e seus documentos e fica inconformado. Ele olha para Mauro e o advogado aguarda sua resposta.

 

ALEC – Se eu aceitar… Poderei fazer o que eu quiser e serei adulto, porém não devo procurar o meu pai?

 

MAURO [Sorrindo] Exatamente! E mais… [Ele pega um cartão em seu bolso] Isso é uma conta que ele fez para você, nela consta um valor em dinheiro que ele considerou satisfatória para você viver por um bom tempo.

 

Alec pega o cartão e o encara. Mauro passa o lenço na testa e enxuga seu suor, ele aguarda uma reação do garoto.

 

MAURO[Ansioso] E então?

 

ALEC – Eu aceito!

 

Mauro sorri e demonstra alívio. Ele aperta a mão de Alec que parece inconformado.

 

MAURO – Você não vai se arrepender.

 

ALEC[Sério] Mas… Eu quero saber da minha mãe. Onde ela está?

 

Mauro pega um cartão de dentro de sua pasta e o entrega ao garoto.

 

MAURO – Ela está neste lugar.

 

ALEC[Olhando o cartão] Essa não! É tudo minha culpa não é?

 

MAURO – É sim, Alec. Depois do que houve, ela não ficou nada bem.

 

ALEC[Emocionado] Quero que me leve até lá.

 

Mauro afirma mexendo a cabeça e fala com o motorista. Alec olha o cartão em suas mãos e ler – Hospital Psiquiátrico Drº Amanso Severo.

 

CORTA PARA:

 

CENA 02 – INT – TORMENS GRILL – MESA 02 – MANHÃ

 

Na lanchonete, está sendo um lugar amplo, com as mesas e cadeiras juntas à parede do lado direito e ao oposto o enorme balcão. Uma garota se senta e uma das mesas com seu amigo. Ela com cabelos loiros ondulados, olhos claros esverdeados, uma estatura média e roupas claras, Agatha. Ele um rapaz de olhos bonitos e verdes claros, cabelos castanhos amarelados curtos e uma roupa comum, Oliver.

 

AGATHA [Mexendo em sua bolsa] Então qual é a boa?

 

OLIVER [Mexendo no celular] Você viu a notícia no jornal de hoje?

 

AGATHA – Não. O que foi?

 

OLIVER – O Alec está saindo do reformatório e está voltando para a cidade.

 

AGATHA [Surpresa] Isso não é possível, ele ia passar seis anos lá.

 

OLIVER – E já passou. Agatha não foi três ou quatro, foram seis.

 

AGATHA – Eu nem percebi.

 

OLIVER – Está nervosa, não é? Nosso melhor amigo depois de seis anos está voltando.

 

AGATHA [Encarando-o] Melhor amigo? Está doido ou o quê? Ele não faz parte mais do nosso círculo de amizades.

 

OLIVER – Círculo que se resume em nós dois.

 

AGATHA – Ele matou o irmão. Foi cruel!

 

OLIVER – Mas pagou pelo que fez. E nem falamos com ele desde o dia em que foi levado.

 

AGATHA[Olhando para o cardápio] Não sei se sou evoluída demais para voltar a ser amiga dele.

 

OLIVER – Eu só sei que o que você decidir, eu estou de acordo.

 

AGATHA – Eu…/ [Ela olha para a televisão].

 

A balconista aumenta o volume da televisão e é narrada à saída de Alec.

 

JORNALISTA [Pela Televisão] – Alec Porter, filho do grande empresário Richard Porter e da antiga prefeita Nina Porter está deixando hoje o Reformatório Saint Lucas, onde esteve por seis anos. O garoto foi acusado de matar o irmão mais velho Brandon Porter em 2009 ao empurra-lo do quarto andar de sua casa. Fotógrafos da nossa rede de televisão conseguiram capturar imagem do momento exato em que o adolescente de dezoito anos deixou o reformatório e seguiu em um veículo preto. Tudo indica que Alec voltará para a cidade e seguirá novamente com a sua vida após seis anos longe da sociedade. Voltaremos à noite com mais novidades envolvendo a família Porter.

 

AGATHA [Olhando para Oliver] Ele não é mais o garoto que conhecemos desde pequenos. Ele mudou e devemos aceitar.

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – INT – EMPRESA PORTER – SALA PRESIDENCIAL – MANHÃ

 

Na sala presidencial de sua empresa, Richard Porter, cabelos pretos e olhos escuros, vestido formalmente e com uma expressão facial de raiva, desliga a televisão e joga o controle contra a mesa.

 

RICHARD [Indignado] Droga! Parasitas que gostam de infernizar e acabar com a vida das pessoas importantes. Aquele garoto infeliz tinha que sair hoje.

 

Ele soca a sua mesa e suspira de raiva.

 

RICHARD [Pegando o celular] Isso não pode ficar assim. Tenho que cuidar disso antes que piore.

 

Ele disca alguns números em seu aparelho celular, fica em espera por segundos, alguém atende do outro lado da linha.

 

[Conversa telefônica]

 

RICHARD – Você está disponível?

 

PESSOA (V.O) – É claro, chefia. Quando o senhor precisar, sabe que eu estou pronto.

 

RICHARD – Ótimo! Preciso dos seus serviços para acabar com um parasita.

 

PESSOA (V.O) – Pode falar quem é que hoje estará comendo terra.

 

RICHARD – Não é assim. Não quero matar a pessoa, só ocupa-la por enquanto.

 

PESSOA (V.O) – Diga quem é? E certeza que eu farei.

 

RICHARD – Anota aí o nome e onde encontra-lo.

 

Ele contínua conversando ao celular.

 

CORTA PARA:

 

CENA 04 – INT – TORMENS FALLS – HOSPITAL PSIQ. – RECEPÇÃO – MANHÃ

 

Mauro vai até o balcão e Alec está ao seu lado. O garoto olha em volta e alguns pacientes estão por todos os lados. O lugar é todo branco, paredes e tetos, e ao fundo só se escuta alguns gritos e falas sem sentidos. A recepcionista se aproxima.

 

RECEPCIONISTA[Desconfiada] Bom dia! Posso ajuda-los?

 

ALEC[Ansioso] Vim visitar a minha mãe. Ela está…

 

RECEPCIONISTA – Desculpe, mas… O senhor não pode chegar aqui sem hora marcada e…

 

ALEC[Cortando a fala da Recepcionista] /… Eu quero e vou visitar a minha mãe, não me encontro com ela há anos.

 

Alec olha para o corredor e tenta passar, mas a mulher vai até ele.

 

RECEPCIONISTA [Impedindo-o] Não dê mais nenhum passo ou serei obrigada a chamar os seguranças. Este recinto não é livre a acessos sem hora marcada.

 

ALEC [Afastando-se dela] Tem mesmo que marcar ou é porque todos sabem sobre mim e você não quer permitir a minha entrada?

 

Mauro interfere e entrega um cartão á recepcionista.

 

MAURO[Sorrindo] Sou advogado da família Porter e o garoto tem total permissão para visitar a mãe.

 

RECEPCIONISTA[Olhando o cartão] Só um momento.

 

Ela entra em uma sala logo atrás de si e Alec e Mauro se olham.

 

ALEC[Impaciente] Eu estou ficando irritado.

 

MAURO – Calma! Você vai vê-la.

 

A recepcionista sai da sala e volta até eles.

 

RECEPCINISTA[Sorrindo] Sua visita foi permitida. [Ela acessa o computador] Nina Porter, segundo corredor, a terceira porta à esquerda, quarto 18.

 

ALEC[Encarando-a] Obrigado!

 

Mauro sorri e o segue. Alec anda apressado e procura o quarto certo, até que o encontra. Ele entra ao quarto onde sua mãe está deitada. Nina está inconsciente e com uma aparência desgastada. Cabelos loiros bagunçados, pele pálida, olhos fundos e com olheiras enormes.

 

ALEC[Tocando os cabelos da mãe] – Perdoa-me, Mãe. Eu não queria te ver assim.

 

As lágrimas de Alec escorrem por seu rosto e Mauro entra silenciosamente.

 

MAURO[Agitado] Essa não!

 

ALEC[Enxugando as lágrimas] O que foi?

 

MAURO – Acabou de passar na televisão que você foi solto e relembraram todo o seu caso e falaram o nome do seu pai.

ALEC – Então esse é o problema? Ele não quer ser reconhecido e ligado a mim?

 

MAURO – Tudo pela empresa. Isso acabaria com ele e sua carreira.

 

ALEC [Olhando para Mauro] Será mesmo só isso? Ele tem medo de alguma coisa a mais, não tem?

 

Mauro fica nervoso e escuta algo vindo do lado de fora, ele vai até a janela e vê os jornalistas e fotógrafos na porta do hospital.

 

MAURO [Com as mãos na cabeça] Não pode ser! Eles nos encontraram.

 

ALEC – [Indo até a janela] Quem?

 

MAURO [Puxando a cortina] Esconda-se! Precisamos ir embora.

 

Alec vai até a sua mãe na cama e beija a testa dela. Ele sorri e fala emocionado.

 

ALEC – Eu voltei mãe. E dessa vez para ficar e ser quem eu fui um dia.

 

MAURO[Apressado] Vamos agora?

 

ALEC[Incomodado] Quando sairmos daqui prometa que vai sumir da minha vista?

 

MAURO – Eu prometo!

 

Ele abre a porta e saem pelo lado oposto aos jornalistas e fotógrafos.

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – TORMENS FALLS – SHOPPING CENTER – QUASE TARDE

 

Agatha e Oliver olham algumas vitrines de algumas lojas. Ela entra em uma e tira algumas fotos com alguns acessórios que prova.

 

OLIVER – Não vejo a hora de iniciar as aulas.

 

AGATHA[Encarando-o] Hoje é o último dia de férias e você pensando em aulas? Nossa!

 

OLIVER[Sentando-se] É que eu gosto de estar fazendo algo. Não aguento mais shopping, praia, festas, bebidas.

 

AGATHA – Relaxa! Começa amanhã e aí você pode matar a sua sede por livros, cadernos e outros.

 

OLIVER[Sorrindo] Outros?

 

AGATHA – Finge que eu gosto.

 

Eles saem da loja e Oliver esbarra na amiga, que tomba e cai. Oliver a encara, quando alguém estende uma das mãos e Agatha aceita levantando-se e olhando para a pessoa surpresa e gélida.

 

AGATHA[Trêmula] Obrigada!

 

OLIVER[Surpreso] Parece até ironia. Alec?

 

ALEC[Sorrindo] É bom ver vocês.

 

AGATHA[Séria] Agradeço por me ajudar, mas… Temos que ir!

 

Ela puxa Oliver e Alec continua os acompanhando.

 

ALEC – Então vão me tratar como uma pessoa sem importância? Esqueceram-se do trio fantasma?

 

AGATHA[Séria] Isso ficou há anos atrás.

 

OLIVER – É cara, as coisas mudaram.

 

AGATHA – E como nos encontrou?

 

ALEC[Sorrindo] Isso foi o destino, eu estava no hospital psiquiátrico aqui na rua detrás e precisei sair correndo.

 

AGATHA – Não me importa. Agora nos deixa em paz.

 

ALEC – Não querem ser vistos comigo, não é?

 

AGATHA [Parando e encarando-o] Esse não é só um dos problemas. Você matou seu irmão e…

 

ALEC [Cortando-a]… E eu posso explicar se deixarem.

 

AGATHA [Gritando] O que? Explicar como o jogou daquela altura? Explicar o porquê fez aquilo? Isso não tem explicação!

 

Ela se vira, mas Alec é rápido e segura a mão dela. Agatha o encara e fica sem reação.

 

ALEC [Colocando um papel na mão dela] Eu sei que vocês dois ainda são meus amigos e neste momento eu preciso disso. Preciso que me ajudem. Eu conto com vocês!

 

Ele vai embora em direção ao cabelereiro. Oliver se aproxima de Agatha e ela abre a mão com o papel.

 

OLIVER[Curioso] O que é isso?

 

AGATHA[Olhando a escrita no papel] É o endereço de uma casa.

 

OLIVER – Acha que ele está sendo sincero?

 

AGATHA – Ele está diferente, mas… Ainda sei quando ele mente.

 

OLIVER – E o que acha desta vez?

 

AGATHA – Acho loucura, mas ele foi sincero.

 

OLIVER – O que faremos?

 

AGATHA – Depois vemos isso, agora vamos comprar meu sapato que hoje tem a festa da Amélia.

 

CORTA PARA:

 

CENA 06 – INT – TORMENS FALLS – SHOPPING CENTER – CABELEREIRO – TARDE

 

Alec folheia algumas revistas e as pessoas o encaram. Algumas mulheres puxam seus filhos e saem do estabelecimento. Um rapaz sai e chega à vez dele, ao se sentar o cabelereiro se nega a atendê-lo.

 

ALEC[Encarando-o] Quero cortar o meu cabelo e só.

 

CABELEREIRO[Cruzando os braços] Não tratamos de assassinos neste estabelecimento.

 

ALEC – Mas…

 

Ele tenta se levantar, mas uma garota com olhos claros, cabelos loiros longos e escorridos, pele clara e um vestido rosa curto e ligado ao seu corpo o impede.

 

GAROTA[Olhando o cabelereiro] Anthony, sabe que isso é discriminação. Ele tem total direito de cortar o cabelo neste estabelecimento, não é?

 

ANTHONY[Olhando para a garota] Querida, ele é…

 

GAROTA – Eu sei. Ele é Alec Porter e voltou hoje. Agora corte o cabelo dele.

 

ANTHONY[Sorrindo para a garota] Tudo bem, Amélia.

 

Ela sorri e Anthony atende Alec normalmente. O garoto olha através do reflexo no espelho a garota o encarando-o.

 

AMÉLIA[Olhando uma das revistas] Então, Alec como foi seu tempo no reformatório?

 

ALEC[Curto] Normal.

 

AMÉLIA[Olhando para ele e mexendo em sua bolsa] Só normal? Achei que fosse mais intrigante.

 

ALEC – É só um bando de crianças que já erraram na vida e estão lá para aprender.

 

AMÉLIA – Entendo! [Ela levanta e entrega um envelope rosa a ele] Compareça, é o convite da minha festa de inicio do ano letivo hoje à noite.

 

Alec pega o envelope e sorri. Amélia olha para o cabelo dele e pensa um pouco.

 

AMÉLIA – Está ficando bom.

 

Alec se olha e gosta do visual. Anthony continua cortando.

 

ALEC – Está ficando ótimo!

 

AMÉLIA – Agora sou eu quem vai ficar ótima para a festa hoje à noite.

 

ALEC – Não vai precisar de muito.

 

Ele sorri e volta a olhar o espelho. Amélia vai em direção ao lavatório e senta-se e uma mulher começa a lavar seu cabelo. Alec se olha ao espelho e alguém em uma das cadeiras do salão o observa discretamente.

 

CORTA PARA:

 

CENA 07 – INT – TORMENS FALLS – HOSP. PSIQ. – QUARTO (NINA) – TARDE

 

Richard entra ao quarto e observa a esposa deitada sobre a cama. Ele fecha a porta e vai até ela, toca em sua cabeça com um sorriso malicioso.

 

RICHARD – É tão bom ver você assim, não sabe o alivio que tenho em você nem se quer se mover. Você viu que seu filho chegou? Aquele garoto é realmente algum tipo raro, não sei se puxou á você ou…

 

A porta é aberta e Richard finge chorar, até entrar uma das enfermeiras, cabelos escuros e presos e vestida toda de branco, ele para o fingimento. Ela fecha a porta e olha para ele sorrindo.

 

RICHARD[Olhando a enfermeira] Não pode saber que vai ganhar dinheiro que fica assim, sorridente. Pobre mesmo! Então, Mariane como está a minha doce esposa?

 

MARIANE[Sussurrando] Ela não se mexe de jeito algum. Eu continuo dando os remédios e aplicando o líquido que o senhor me entrega.

 

RICHARD[Olhando para Nina] Ótimo! Agora é que ela deve ficar dormindo por um bom tempo. O Alec está livre e…

 

MARIANE[Cortando a fala dele]… Sobre isso mesmo que queria falar com o senhor. O garoto veio aqui mais cedo com o Mauro.

 

RICHARD[Olhando-a sério] Veio? Ele demorou?

 

MARIANE – Não! Os jornalistas chegaram e eles saíram pelos fundos.

 

Richard respira aliviado, ele puxa um saco de papel do bolso e o joga para Mariane.

 

RICHARD[Grosseiro] Está aí a sua parte e a do médico.

 

MARIANE[Olhando as cédulas] Certo! Sempre que precisar, estamos por aqui.

 

RICHARD – Eu bem sei.

 

Ele olha para Nina novamente e beija a sua testa.

 

RICHARD[Debochando] Durma bem, Amor.

 

CORTA PARA:

 

CENA 08 – EXT – TORMENS FALLS – CASA DE AMÉLIA – JARDIM – NOITE

 

A festa começa e todos dançam e bebem ao som alto que toca dentro da casa. Vários adolescentes estão espalhados por todos os lugares. Carros estacionados por toda a rua, além de motos e uma limousine. A casa está toda enfeitada, com enfeites pelas paredes, teto, portas, janelas e todo o jardim.

 

Alec se aproxima da casa. Ele está bem vestido, com sapatos e calça escura, uma blusa branca e um colete preto. Seus cabelos recém-cortados e penteados e sua expressão de pânico.

 

ALEC[Pensando] Você consegue! É normal na sua idade ir nessas festas, seja corajoso e deixe que todos o julguem.

 

Ele continua parado, até que Agatha e Oliver se aproximam.

 

AGATHA[Olhando-o] Com medo de entrar?

 

ALEC[Tenso] Um pouco.

 

OLIVER[Animado] Relaxa! Eles nem vão saber que você está aqui.

 

Os três se olham e andam até a varanda, as pessoas se viram rapidamente e seus olhos acompanham os passos de Alec que está bastante constrangido. Amélia o vê e corre, ela passa por todos apressada e pede para o DJ pausar a música e pega o microfone.

 

AMÉLIA[Gritando] Olá, Galera! [Todos gritam] Quero desejar uma boa noite a todos e dizer que esta noite é especial, pois temos aqui a ilustre presença do garoto mais famoso da cidade, Alec Porter.

 

As pessoas começam a falar mal. Assassino, impiedoso, criminoso e cruel é alguns dos insultos que ele ouve. Agatha o encara e Oliver fica apreensivo.

 

ALEC[Incomodado] Não vou ficar aqui. Péssima ideia ter vindo.

 

Ele se vira e um garoto se coloca em sua frente. O garoto o encara e Alec parece evitar olhá-lo.

 

GAROTO[Empurrando-o] Vai me matar também? Seu covarde!

 

ALEC[Respirando fundo] Só quero seguir meu caminho. Licença!

 

O garoto tenta segurar Alec pelo braço, mas o mesmo se esquiva e enverga o braço do garoto que antes o atormentara. Ele segura o braço com força e o garoto reclama de dor, até que Amélia corre e o impede de prosseguir.

 

AMÉLIA[Sorrindo] Calma aí! Ele é só um idiota que não vale a pena.

 

Alec o solta e o garoto sai bastante amedrontado. Alec olha para a garota.

 

ALEC[Irritado] Poderia ter evitado chamar toda a atenção para mim.

 

AMÉLIA[Bebendo um pouco da cerveja em sua mão] Só queria te enturmar.

 

ALEC[Encarando-a] Não. Acho que você queria mesmo me ferrar.

 

AMÉLIA – Eu? Jamais! Alec, por favor, eu só quero te ajudar.

 

Ela o puxa e Alec é violento com ela. Amélia deixa a cerveja cair e todos o olham.

 

ALEC[Tenso-Olhando em volta] Desculpa! Eu não…

 

AMÉLIA[Um pouco bêbada] Deixa! Eu pego outra, agora vem comigo que quero te mostrar algo.

 

Ela o puxa e dessa vez ele a segue. Agatha olha para Oliver um pouco apreensiva.

 

AGATHA – Porque sinto que isso não vai ser nada bom.

 

OLIVER[Sorrindo] Porque você é paranoica?

 

CORTA PARA:

 

CENA 09 – INT – TORMENS FALLS – CASA DE AMÉLIA – QUARTO – NOITE

 

Amélia ENTRA e empurra Alec sobre a cama. Ela fecha a porta, mas não tranca. Alec olha para os lados e depois para ela bastante desconfortável.

 

AMÉLIA[Tirando a blusa] Sempre tive tesão na sua história. Lembro-me de você quando menor.

 

ALEC[Segurando-a] Legal! Eu não devia estar aqui.

 

AMÉLIA – Eu quero você aqui. [Mordendo o lábio inferior] Quero você dentro de mim na verdade.

 

Ela o beija. Alec tenta empurrá-la, mas Amélia insiste até que ele consegue se esquivar e levantar.

 

ALEC[Fingindo] Gata, fica me esperando que quando voltar eu vou… Mostrar do que sou capaz.

 

AMÉLIA[Sorrindo e batendo na cama] Estarei bem aqui.

 

Alec corre e entra ao banheiro. Ele fecha a porta e se olha ao espelho, ele molha as mãos e passa no rosto.

 

ALEC – O que vim fazer aqui?

 

A energia acaba e tudo se torna escuridão total. Alec escuta o barulho e a gritaria rolando lá embaixo na sala e procura pela porta. Ele pega o celular do seu bolso e clareia o caminho com o mesmo. Ele vê a maçaneta e abre-a e sai do banheiro, mas acaba tropeçando e deixando o celular cair de sua mão e espalhar bateria e capa pelo chão.

 

ALEC[Levantando] Droga! Amélia?

 

A garota não responde, mas Alec escuta um leve suspiro na cama. Mais que um suspiro, um barulho agonizante. A energia volta e as luzes são acesas. Alec olha para a cama e vê Amélia toda coberta de sangue e com várias marcas de perfuração e uma faca sobre ela.

 

ALEC[Pegando a garota nos braços] Não! Não! Isso não aconteceu. Socorro!

 

O som ainda não voltou e algumas pessoas abrem a porta. Todos ficam surpresos. Algumas garotas gritam e Alec treme e chora.

 

ALEC[Balançando o corpo da garota] Por favor, não morre!

 

Agatha e Oliver entram ao quarto e ficam espantados. Ela leva às mãos até a boca e Oliver fica paralisado.

 

ALEC [Nervoso/Gritando] Chamem uma ambulância! Precisam ajuda-la!

 

Todos ficam encarando-o. Agatha olha para Alec, incrédula.

 

AGATHA[Espantada] O que você fez?

 

ALEC – O quê? Não fui eu. Ela… Eu não…

 

Alec olha para o corpo de Amélia sobre seus braços e para as pessoas que o encaram como se ele fosse o culpado.

 

FADE OUT.

 

—FIM DO EPISÓDIO—

 

Criado e Escrito por:

Marcos Henrique

 

Supervisão Textual e Argumentos por:

Kaio Gomez.

 

Realização:

Unbroken Productions

     

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