FADE IN:

 

FLASHBACK (2010) – TORMENS F. – MANSÃO PORTER – COZINHA – FIM DE TARDE

 

Os últimos raios solares do fim da tarde adentram a cozinha pela janela, enquanto Nina corta os legumes sobre o balcão. As lágrimas escorrem por seu rosto e sua mão treme severamente. Richard se aproxima segurando um copo de uísque.

 

RICHARD[Tomando mais um gole da bebida] Oi, querida.

 

NINA – Oi. [Enxugando as lágrimas] Estou preparando o jantar.

 

RICHARD – E o que teremos hoje?

 

Ele coloca o copo sobre a mesa e aproxima-se de Nina e a beija na nuca e depois em sua bochecha. Ela fica desconfortável e se afasta, pegando a panela de alumínio.

 

RICHARD – O que foi agora?

 

NINA – Nada. [Pausa] Eu só não gosto de cozinhar com você em cima de mim.

 

Nina olha as mãos trêmulas e se sente fraca. Richard percebe que ela cairá se não se segurar e corre até a esposa.

 

RICHARD[Segurando-a] Está tudo bem, Amor? Tomou seus remédios?

 

NINA[Com as mãos na cabeça] Eu não quero tomar mais aqueles comprimidos.

 

RICHARD – Mas… Sem eles você piora.

 

NINA[Encarando-o] Eu já disse que não vou tomar.

 

Richard vai até a geladeira e sobre a mesma pega uma pequena caixa de plástico com cartelas com comprimidos e frascos com líquidos. Nina segura o copo dele que estava à mesa e lança em direção ao marido, mas o copo acerta a geladeira.

 

NINA [Descontrolada/Gritando] Já falei que não vou tomar!

 

RICHARD [Espantado] Nina, você jogou o copo em mim. Você… Não está nada bem.

 

Ela treme bastante e olha para todos os lados com uma expressão facial assustada e começa a sorrir.

 

NINA – Eu sei amor. Mamãe vai te buscar. Eu só preciso… [Ela olha para Richard] Cadê a chave do carro? Eu vou buscar o Alec e o Brandon.

 

RICHARD – O quê? Você enlouqueceu mesmo.

 

NINA – Os meus filhos precisam de mim. Eu ouvi o Brandon me chamar. Eu… Eu…

 

RICHARD – O Brandon está morto e o Assassino dele é o Alec, que está preso naquele reformatório. Então para de falar besteira.

 

Nina coloca as mãos tampando as orelhas e repete a palavra – não – seguidamente.

 

RICHARD – Já chega! Eu não aguento isso. Já está na hora desse inferno ter um fim.

 

Ele pega um pequeno cartão dentro de seu paletó e disca o número que está nele.

 

[Ligação Celular]

 

RICHARD – Alô, Mariane?

 

MARIANE[V.O] É ela. Quem fala?

 

RICHARD – Richard Porter, sua tola. Acho que já está na hora do serviço que eu te falei.

 

MARIANE[V.O] Mas… Fez o que eu pedi?

 

RICHARD – Obvio. Ela não tem mais nenhum controle sobre si.

 

MARIANE[V.O] Tudo bem. Vou enviar os enfermeiros e o médico já está ciente de tudo, logo, logo sua esposa estará internada.

 

RICHARD – Ótimo! Não demore, pois ela está aqui surtada e eu preciso resolver umas coisas o quanto antes.

 

MARIANE[V.O] Em menos de vinte minutos estaremos aí.

 

RICHARD – Ótimo!

 

Ele desliga o celular e olha para Nina ao chão. Richard coloca o celular sobre a mesa e ajoelha-se em frente à esposa.

 

RICHARD – Calma, meu amor. Logo, logo você estará dormindo. E nem tão cedo acordará!

 

Ele beija a testa dela.

 

FIM DO FLASHBACK.

 

 

FUSÃO PARA:

 

CENA 02 – INT – TORMENS FALLS – DELEGACIA – SALA DO DELEGADO – NOITE

 

Alec olha para suas mãos algemadas e aguarda a entrada do delegado Carlos. O policial que o prendera, Adolpho, Alto e forte, negro e careca e com olhos escuros, observa Alec fixamente.

 

ALEC – Vai ficar me encarando durante toda à noite?

 

ADOLPHO – Se eu fosse você guardava essas gracinhas.

 

ALEC – Não é gracinha, é sério.

 

ADOLPHO – Não consigo imaginar o quanto seu pai e sua mãe têm desgosto em ter você como filho. Primeiro, mata o irmão e depois volta à cidade e mata uma garota inocente. Agora resolveu agredir um garoto. O que você tem afinal, assassino?

 

ALEC[Gritando] Eu não matei a Amélia. E o Raul só apanhou, porque me bateu primeiro.

 

Adolpho segura a arma de choque e o cassetete.

 

ADOLPHO – Levante-se e eu faço você pagar por tudo rapidinho.

 

ALEC[Olhando para a arma] Eu não matei a Amélia, droga.

 

ADOLPHO – Você tem sério problema de raiva, não é?

 

ALEC – Não.

 

ADOLPHO – Usou toda essa raiva no moleque?

 

ALEC – Obvio que não. Eu só fiz aquilo, porque ele começou.

 

ADOLPHO – Acho que não. O garoto está no hospital com danos faciais. Você quebrou o nariz dele.

 

ALEC[Surpreso] O quê?

 

O Delegado Carlos entra e Alec o encara.

 

DEL. CARLOS – Eu avisei a você que não se metesse em encrencas, Alec.

 

ALEC – Mas, eu estava na minha e o garoto…

 

DEL. CARLOS[Cortando a fala de Alec] Adolpho, pode ir. Eu cuido daqui.

 

Adolpho olha para Alec e sai.

 

DEL. CARLOS – Você sabe que agressão dá cadeia, não é?

 

ALEC – Depende da agressão e da vítima.

 

DEL. CARLOS – Ótimo! Você agrediu o Raul e ele é menor de idade.

 

ALEC – Mas… Eu me defendi e defendi o Oliver.

 

DEL. CARLOS – Você não devia ter se quer saído de casa e ter ido ao colégio. Afinal o que foi fazer lá?

 

ALEC – Fui olhar o lugar. Vou concluir meu ensino médio lá, eu reprovei no reformatório e devo um ano. Então aproveitei e fui ao ginásio olhar a organização para a homenagem da Amélia. A Agatha e o Oliver…

 

DEL. CARLOS[Cortando] Agatha? Vocês três estão amigos novamente?

 

ALEC – Sim. Somos amigos desde os três anos de idade, vai proibi-la de falar comigo?

 

O delegado olha para o garoto.

 

DEL. CARLOS – Não. Eu só acho que pode ser ruim para ela.

 

ALEC – Claro. Andar com o assassino da cidade é totalmente ruim, tem razão. Só que, eu não sou assassino. Não matei a Amélia!

 

DEL. CARLOS – Certo! Pode não ter matado ela, mas matou o seu irmão. O empurrou daquela altura ou não foi?

 

Alec passa as mãos nos olhos e não deixa uma lágrima cair.

 

ALEC – Não quero falar disso.

 

DEL. CARLOS – A mãe do garoto prestou queixas contra você, com sorte reverti. Em menos de quarenta e oito horas você já veio aqui duas vezes. Não é assim que reconstrói a vida, garoto.

 

ALEC[Irônico] Jura? Eu estou tentando, mas cheguei e parece que querem me ferrar.

 

DEL. CARLOS – É. Parece que sim, não?

 

O delegado se senta e anota algumas coisas. Alec respira fundo, quando a porta da sala é aberta bruscamente.

 

OLIVER [Ofegante] Senhor Carlos, o Alec é inocente. Ele só me defendeu, por favor, não o prenda por isso.

 

Todos olham para Oliver. Agatha está atrás dele.

 

AGATHA – Oi pai.

 

DEL. CARLOS – O que fazem aqui? Não deviam está na homenagem da garota?

 

AGATHA – Ainda não começou.

 

Agatha está usando um vestido azul claro, cabelos penteados e cacheados, uma leve maquiagem, um salto médio e uma minúscula bolsa. Oliver com uma roupa e sapatos sociais.

 

ALEC [Olhando a amiga] Você está… Linda!

 

AGATHA [Engolindo seco] Obrigada!

 

DEL. CARLOS – Então, o que querem?

 

OLIVER – O Alec vai ser preso?

 

DEL. CARLOS – Não. A mãe do garoto prestou queixas, mas a convenci esquecer isso já que o filho dela não é flor que se cheire. Afinal, ele bateu em você Oliver, mesmo que sem querer.

E tem algumas outras passagens por aqui, então…

 

Ele pega a chave em seu molho de chaves e abre as algemas que prendem Alec.

 

ALEC – Eu não devia ter sido algemado.

 

DEL. CARLOS – O Adolpho exagerou. Ficar livre já é ótimo, então… Sem questionamentos.

 

ALEC – Posso ir agora?

 

DEL. CARLOS – Fique longe de confusão e tudo ficará melhor.

 

ALEC – Ótimo!

 

Ele se vira.

 

DEL. CARLOS – Espera!

 

ALEC – O quê?

 

DEL. CARLOS – Deverá comparecer esta semana aqui, pois um detetive está vindo à cidade resolver o caso da garota e sabemos que você se diz inocente, mas ainda é o principal suspeito.

 

ALEC – Na verdade, sou o único.

 

Alec sai, juntamente com Agatha e Oliver.

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – EXT – TORMENS FALLS – FRENTE À DELEGACIA – NOITE

 

Alec passa e fecha à porta. Agatha e Oliver o encaram.

 

ALEC – Então… Vão à homenagem!

 

OLIVER – Você devia ir mesmo para casa.

 

ALEC – Como sabe que eu não vou?

 

Oliver olha para os pés dele e ele fica batendo as pontas dos sapatos.

 

ALEC – O quê?

 

OLIVER – Sempre que mente, você fica batendo as pontas dos sapatos ou dos dedos, quando está sem eles. Passou seis anos fora, mas ainda tem as suas mesmas manias.

 

AGATHA – Conhecemos você, Alec.

 

ALEC – Certo! Então, porque se me conhece não acredita que eu não matei a Amélia? Se eu mentisse saberia, não?

 

AGATHA – Eu não sei. Eu só acho tudo confuso.

 

Alec fica encarando-a.

 

OLIVER[Olhando o relógio] Acho melhor irmos, Agatha. Está na hora!

 

AGATHA – Ok. Vamos!

 

OLIVER – Aonde você vai?

 

ALEC – Pensar. Muitas coisas aconteceram desde que cheguei e eu preciso refletir.

 

OLIVER – Certo! Cuidado por aí sozinho. [Acenando] Até mais!

 

ALEC – Até!

 

AGATHA – Tchau, Alec.

 

ALEC – Tchau!

 

Ele vai por um lado e os amigos por outro.

 

CORTA PARA:

 

CENA 04 – INT – TORMENS FALLS – CLÍNICA PSIQ. – QUARTO 18 – NOITE

 

Em uma cadeira ao lado da cama onde Nina está deitada, Mauro a observa quieta e dormindo.

 

MAURO – Pediu-me para cuidar dele quando saísse do reformatório, mas o Richard não quer que eu o ajude e eu não sei por quê. Não é só pelo fato de sujar o nome da empresa, é?

 

Nina não esbouça uma expressão ou se quer um movimento já que está medicada, apenas respira.

 

MAURO – Existe algo a mais nisso, tenho certeza.

 

De repente, Nina fecha as mãos apertando a mão de Mauro.

 

MAURO [Surpreso] O quê? Você está me ouvindo?

 

Ela continua apertando a mão de Mauro. A enfermeira Mariane entra e Mauro fala com ela.

 

MAURO – Ela mexeu a mão.

 

MARIANE [Surpresa] O quê?

 

MAURO [Disfarçando] Não. Acho que foi engano.

 

Ele puxa a mão e coloca a de Nina perto do corpo dela, sem Mariane perceber.

 

MARIANE – Então… O horário de visita acabou.

 

MAURO – Certo! Antes de ir… O Richard vem muito aqui?

 

MARIANE – Regularmente. Ele costuma vir conferir como ela está e como anda o medicamento. Ele se preocupa com ela, é dedicado.

 

MAURO – Certo! Que tipo de tratamento é o dela? Afinal, percebo que todos os outros pacientes estão sempre por aí, ativos. Já a Nina nem se move.

 

MARIANE[Tensa] É… O dela é bem forte, pois o quadro clínico dela é severo. Ela surtou e quando ativa, costuma se machucar e gritar, ela fica alterada. Então por controle do médico a deixamos sempre sonolenta, pois no estado NÃO REM, é quando ela costuma ter controle de seu sistema.

 

Mauro fica confuso, mas não insiste e se despede. Mariane observa ele sair e pega de seu bolso uma seringa e injeta em Nina alguma substância de cor amarela e coloca um comprimido na boca da mulher e a faz beber com um pouco de água, tampando sua boca e inclinando sua cabeça.

 

MARIANE – Prontinho! Até amanhã, estátua.

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – TORMENS FALLS – MANSÃO PORTER – SALA – NOITE

 

Richard estaciona o carro em frente à garagem e desce. A mansão está escura, apenas o jardim e as laterais estão acesos.

 

Ele abre a grande porta de madeira na entrada e digita um código no alarme, o que faz as lâmpadas da mansão se acenderem.

 

RICHARD – Como estou cansado.

 

Ele joga a carteira e a chave do carro sobre a mesinha de bebida e já coloca uísque em um dos copos e bebe. Ele escuta alguém na sala de estar e vai até a mesma. A mansão é enorme, divida em três salas, uma grande cozinha e na parte superior, os quartos, academia, sala de televisão e outros cômodos. Chegando à sala, Richard se surpreende ao ver Alec olhando as fotografias da família.

 

RICHARD[Surpreso] Alec?

 

ALEC – Oi, pai.

 

RICHARD – O que faz aqui?

 

ALEC[Sorrindo e olhando as fotos] Vim rever algumas imagens. De quando éramos felizes.

 

Richard se aproxima do garoto e Alec levanta-se.

 

RICHARD – Não devia ter vindo aqui.

 

Alec vai até Richard e tenta abraçá-lo, mas o homem devia do filho e se senta no sofá.

 

ALEC – É bom te ver também.

 

RICHARD – O Mauro não te falou que você tinha tudo que precisasse, mas não deveria me procurar?

 

ALEC – Sim. Ele disse, mas… Sou seu filho e um pai não evita seu filho dessa forma.

 

RICHARD – Eu prefiro. Você mexeu com a estrutura da família.

 

ALEC – Pai, eu não queria que fosse assim.

 

RICHARD[Rindo] Só falta agora você culpar a sua mãe e eu.

 

ALEC – Falando na mamãe… Porque ela está na clínica?

 

Richard se levanta e pega mais uísque.

 

RICHARD – Você destruiu a sanidade dela. Sua mãe, logo depois que você se foi, surtou. Ela ficou descontrolada e agressiva. Vivia dizendo que tinha que buscar você e seu irmão e que o Brandon… [Risos] Falava com ela.

 

ALEC – O senhor acha graça?

 

RICHARD – Não. Eu fiquei preocupado. Então chamei um médico e ele falou que o método para ela era a internação.

 

ALEC – Certo, mas a mamãe está imóvel. Até parece que ela está em coma.

 

RICHARD – E está de certa forma. O tratamento dela necessita ser assim, você não viu ela como eu vi, a Nina estava fora de si, ela se machucava. Gritava por você e seu irmão. Era insana a ação dela.

 

Algumas lágrimas escorrem pelo rosto de Alec. Richard o observa.

 

ALEC – Eu sinto tanto por ela.

 

RICHARD – E deve mesmo sentir. O culpado dela está nesta situação é você!

 

ALEC[Olhando sério para o pai] Você está diferente. Está mais frio, até parece que não sente nada diante tudo isso.

 

RICHARD – Eu suportei tudo sozinho, Alec. Você matou seu irmão, foi levado, sua mãe internada em uma clínica e eu? Eu fiquei sozinho aqui. Suportei cada insulto sobre você, suportei cada pesadelo sobre o que aconteceu e suportei a loucura da minha esposa e tudo isso… Sozinho!

 

Ele joga o copo na parede e o mesmo se parte. Alec vai até o pai e o abraça, mas Richard não retribui.

 

ALEC[Abraçando o pai e chorando] Eu sinto muito, pai. Sinto por ter sido tudo tão ruim para você. Eu jamais imaginei o quanto foi difícil o senhor continuar sozinho.

 

RICHARD[Afastando-se de Alec] Eu segui em frente por vocês. Eu precisava seguir.

 

Alec fica ajoelhado ao chão e enxuga as lágrimas.

 

RICHARD – Aí você volta. Chega à cidade e na mesma noite uma garota é morta em seus braços. Você matar seu irmão, eu relevo, pois considero um acidente. Mas matar a menina?

 

ALEC[Levantando-se] Não pai. Eu não matei a Amélia. Estão armando para mim.

 

RICHARD – Quem estaria armando para você? Você está louco!

 

ALEC – Eu não sei. Mas… Eu vou descobrir! Vou fazer a pessoa sofrer em minhas mãos.

 

RICHARD – Não Alec. Evite confusões e siga em frente. Eu consegui você também pode.

 

Richard olha o garoto e Alec o encara.

 

ALEC – Só saiba que não fui eu quem matou a Amélia.

 

RICHARD – Isso será comprovado em breve e eu estou torcendo para que realmente você não seja o culpado.

 

ALEC – Obrigado!

 

RICHARD – Você tem tudo que precisa. Um apartamento, uma conta no banco cheia de dinheiro e saúde então… Se não precisa mais de mim. Até mais, estou cansado.

 

Alec pega seu casaco sobre o sofá e olha para o pai.

 

ALEC – Eu vou limpar o meu nome e quando isso acontecer, voltaremos a ser uma família.

 

Ele sai e Richard o observa com uma expressão séria.

 

CORTA PARA:

 

CENA 06 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – SALA/QUARTO – MANHÃ.

 

Alec acorda e olha a claridade do dia entrando por sua janela. Ele está com uma calça moletom e um grande casaco preto e um gorro masculino azul marinho. O garoto levanta e vai até à cozinha e tira da geladeira a caixa de leite, quando alguém toca a campainha.

 

ALEC – Quem será?

 

Ele corre e abre a porta. Oliver está segurando algumas sacolas e Agatha uma pequena caixa.

 

OLIVER [Entrando] Gostei da roupa.

 

ALEC – O que fazem aqui?

 

AGATHA [Colocando a caixa no sofá] Você disse que queria um tempo conosco. Então estamos aqui.

 

OLIVER – Trouxemos o café da manhã. Filmes, pipoca, doces, salgados, bebidas e o melhor do mundo, sorvete.

 

Alec fica surpreso e sorri. Agatha o encara.

 

AGATHA – Olha… Sendo ou não culpado da morte da Amélia, quero ainda ser sua amiga. Então vamos tentar ter uma relação boa.

 

OLIVER – É tão bom ver que vocês se entenderam.

 

Alec abraça Agatha e ela retribui. Oliver coloca as coisas na mesa e se joga no sofá.

 

OLIVER – Cara, esse apartamento que o seu pai te deu é show. Queria um para mim.

 

ALEC – Nem fala no meu pai.

 

AGATHA – O que houve?

 

ALEC – Eu não fui passear ontem, eu fui à mansão dele.

 

OLIVER – O quê?

 

AGATHA – Voltou à sua casa?

 

ALEC – Pelo jeito aquilo lá não é mais minha.

 

OLIVER – Como assim?

 

ALEC – O meu pai é um homem mudado, ele está diferente.

 

AGATAH – Mas o que foi fazer lá?

 

ALEC – Vê-lo. Eu sei que ele falou para o Mauro que eu não devia procura-lo, mas eu quis vê-lo.

 

Agatha se senta e Alec também.

 

AGATHA – Que barra!

 

ALEC – Conversamos. Ele explicou o que aconteceu com a mamãe. Ele falou que teve que seguir, foi uma conversa boa. Apesar dele nem se quer me dá um abraço.

 

OLIVER – Sinto muito, cara.

 

AGATHA – Dê tempo a ele, uma hora ele vai entender.

 

ALEC – Tem razão. E como foi a homenagem da Amélia?

 

AGATHA – Foi linda. Todos deram depoimentos e os slides do Oliver estavam divinos.

 

OLIVER – Eu nem vi essa parte, estava fora do ginásio com…

 

Oliver olha para Agatha.

 

AGATHA[Completando] Estava fora do ginásio com alguns outros alunos amigos da Amélia, eu vi. Dando força, certo?

 

OLIVER[Tenso] Certo! Isso.

 

ALEC – Não sabem nem mentir. Mas se tem um segredo e quando tiver pronto para me falar, estarei aqui.

 

Oliver se senta e respira fundo.

 

OLIVER – Não é isso, é só que… Tenho medo que me julgue.

 

ALEC – Jura? Eu vou te julgar? Uma pessoa que leva o título de assassino e agressor, sério?

 

Eles se encaram e Alec se aproxima do amigo.

 

ALEC – Quando se sentir confiante e confortável pode me falar, cara.

OLIVER[Olhando para Alec] Eu sou gay, Alec.

 

Agatha fica tensa e Alec olha para Oliver.

 

ALEC – Como é que é?

 

OLIVER – É isso e se…

 

ALEC [Levantando/Sorrindo] Não acredito que seu segredo seja esse. Oliver, todo esse mistério por ser gay?

 

OLIVER – Eu achei que você não aceitaria.

 

ALEC – Cara pode ficar tranquilo. Eu não me incomodo por isso, só quero que você seja feliz e que não deixe que as pessoas te julguem por sua opção sexual.

 

OLIVER [Sorrindo] Obrigado, Alec. É bom saber que você não é idiota.

 

Alec sorri e abraça o amigo.

 

ALEC – Vamos tomar café que estou faminto.

 

OLIVER – Vamos.

 

Oliver vai à frente e Agatha puxa Alec.

 

AGATHA – Fiquei feliz em você tratar ele assim. O Oliver só tem nosso apoio e só nós sabemos.

 

ALEC – De que jeito eu o trataria? Ele confia em mim, mesmo eu sendo acusado de assassinato. Ele é um grande amigo e não é por ser gay que eu vou desprezá-lo.

 

Agatha sorri e ele a puxa até a cozinha.

 

CORTA PARA:

 

CENA 07 – INT – TORMENS FALLS – MANSÃO PORTER – COZINHA – MANHÃ

 

Richard pega uma xícara e a enche com café. Ele olha o jornal e bebe um pouco do líquido. Alguém bate à porta da cozinha e ele abre-a e se surpreende.

 

RICHARD – O que está fazendo aqui, Nicolas?

 

Nicolas, cabelos castanhos e curtos, olhos escuros, vestido com roupa de esporte e de braços abertos olha para Richard.

 

NICOLAS – Qual é chefia? Nem me convida para entrar?

 

Richard o puxa bruscamente e fecha à porta.

 

RICHARD – O que faz aqui? Não devia ter vindo.

 

NICOLAS – Pode ficar tranquilo que o papai aqui sabe fazer as coisas na entoca. Eu vim pela floresta caminhando. A sua casa fica no meio desse mato todo, ninguém me viu.

 

RICHARD – O que veio fazer?

 

NICOLAS – Vim buscar o resto da grana. Você depositou menos que o combinado.

 

RICHARD – Você é um infeliz. Tinha que matar uma inocente?

 

NICOLAS – O senhor falou para ocupar o moleque lá.

 

RICHARD – E tinha que ser com um assassinato? Mas… Foi uma jogada boa, sendo ele quem matou o irmão.

 

NICOLAS – Que curiosamente são seus filhos.

 

RICHARD – Não precisa me lembrar desse detalhe.

 

NICOLAS – E aí? Vai pagar à vista ou em cheque?

 

Richard vai pegar sua carteira na outra sala. Alguém está ouvindo tudo pela janela lateral da cozinha, Mauro revela seu rosto, mas Nicolas não consegue vê-lo.

 

MAURO[Sussurrando sozinho] Dinheiro? Matar a garota? Essa não, o Richard está envolvido no crime? E para culpar o Alec, mas por quê?

 

Mauro pega o celular e digita rapidamente uma mensagem.

 

MAURO[Mensagem digitada] “Preciso conversar com você… Descobri algo que pode ajudar você com o assassinato da garota, mas precisamos nos encontrar, vou ao seu apartamento agora mesmo, não saia daí”.

 

Ele envia e o celular faz um barulho alertando que foi enviada. Mauro olha pela janela e não vê mais ninguém. Ele com cuidado caminha cautelosamente e quando vai descer o degrau, Nicolas o segura.

 

NICOLAS – Olha quem estava nos espionando, chefia.

 

Richard olha para Mauro. Nicolas leva o advogado para dentro da casa.

 

RICHARD – Poderia ter ficado na sua, Mauro.

 

MAURO – Eu não ouvi nada. Eu cheguei agora, mas vi que estava com esse homem.

 

NICOLAS – O que fazia? Ouvi quando o celular apitou.

 

MAURO – Está descarregando. Eu ia embora para não atrapalhar.

 

RICHARD – Cadê seu celular?

 

MAURO – Eu acho que caiu lá fora.

 

NICOLAS – Mentira. Olha aqui!

 

Nicolas pega do paletó de Mauro e entrega a Richard, que mexe sem parar.

 

NICOLAS – Nada?

 

RICHARD[Olhando para Mauro] Mandou uma mensagem para o Alec?

 

MAURO – Eu decidi ir lá, já que o senhor estava com ele. Eu descobri algo novo sobre o assassinato da garota.

 

RICHARD – Falei que não queria você ajudando o Alec. E Descobriu mesmo sobre o assassinato da menina, ouviu o Nicolas e eu conversando.

 

NICOLAS – Vou acabar com ele agora.

 

Nicolas puxa a arma da cintura e Mauro fica nervoso.

 

RICHARD – Não! Não vai mata-lo…

 

MAURO[Agitado] Obrigado, Richard.

 

RICHARD – Não vai mata-lo aqui em casa ou na cidade.

 

MAURO – O quê?

 

RICHARD – Quero que o leve para fora de Tormens Falls e o mate bem longe. E aí faça com que o corpo desapareça.

 

MAURO – Não. Por favor, eu…

 

Mauro se cala e cai inconsciente com uma coronhada na cabeça, dada por Nicolas.

 

NICOLAS – Aí vai ficar mais caro o serviço.

 

RICHARD – Faça e ainda hoje sua conta estará com o pagamento.

 

NICOLAS – Tudo bem, então.

 

RICHARD – E Não me apareça mais aqui.

 

NICOLAS – E como vou levar o corpo? Vim sem carro.

 

RICHARD – Eu mereço, viu.

 

Richard vai até a gaveta da grande estante na sala de estar e pega uma chave e entrega a Nicolas.

 

NICOLAS – Vai me emprestar seu carro?

 

RICHARD – Obvio que não. Esse era da Nina. Está na garagem! Vai resolvendo aí, que eu vou mandar uma mensagem do celular do Mauro para o Alec revertendo à situação.

 

Nicolas pega a chave. Richard pega o celular e digita algo.

 

CORTA PARA:

 

CENA 08 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – SALA – MANHÃ.

 

Alec escuta seu celular tocar e vai busca-lo ao lado da cama. Oliver termina de fazer as panquecas e Agatha prepara a sala. Alec volta e Oliver o encara.

 

OLIVER – O que foi?

 

ALEC – O Mauro me mandou uma mensagem.

 

AGATHA – Dizendo o quê?

 

ALEC – Que descobriu algo sobre o assassinato da Amélia e que quer me ver. Está vindo para cá.

 

OLIVER – Será que descobriram que não foi você?

 

AGATHA – Será?

 

ALEC – Não. O seu pai me avisaria, Agatha.

 

OLIVER – Então, o que ele descobriu?

 

O celular toca mais uma vez e Alec olha a mensagem e lê.

 

ALEC – Ele disse que não vem mais, pois vai viajar agora e não volta tão cedo. E que era falso o que descobriu e a polícia recomeçou a investigação.

 

OLIVER – O quê? Que cara confuso.

 

AGATHA – Vem. Vamos arrumar as coisas e colocar o filme. Esqueça um pouco sobre isso.

 

ALEC – É. O Mauro é meio doido, ele depois volta da viagem e vem aqui.

 

Alec ajuda Oliver a carregar as comidas até a sala e eles se sentam. Alec olha os amigos.

 

ALEC – É bom tê-los aqui comigo. Depois do acontecido, preciso disso um pouco. Ser normal!

 

OLIVER – Senti falta de você e agora que voltou, vamos aproveitar.

 

AGATHA[Pegando o sorvete] É isso aí.

 

Alec sorri e os três se abraçam. Oliver dá play e o filme inicia.

 

FADE OUT.

—FIM DO EPISÓDIO—

 

Criado e Escrito por:

MARCOS HENRIQUE

 

Supervisão Textual e Argumentos por:

Kaio Gomez.

 

Realização:

UNBROKEN PRODUCTIONS

 

UNBROKEN PRODUCTIONS ORIGINAL SERIES

2016 – STORMY SECRETS – TODOS OS DIREITOS RERVADOS.