FADE IN:

 

FLASHBACK (2010) – REFORMATÓRIO SAINT LUCAS – PÁTIO – INT – MANHÃ

 

Alec, doze anos, está vestido com o uniforme do reformatório, cinza com algumas escritas pretas. O Lugar é totalmente fechado, com uma abertura no teto onde o ar pode entrar, as paredes são concretizadas e pintadas de cinza escuras. Vários outros garotos estão em grupos, alguns sozinhos, conversando e brincando. Alec está afastado, ele segura uma foto da família.

 

ALEC [Pensando] Não podia ter sido assim!

 

Ele enxuga as lágrimas que escorrem por seu rosto, quando um garoto, cabelos castanhos amarelados meio claro, olhos esverdeados, pele clara e uniformizado, se aproxima.

 

GAROTO [Sentando ao lado de Alec] Você é Alec Porter?

 

ALEC [Encarando-o] Sim. Quem é você e como sabe quem eu sou?

 

GAROTO – Estamos na mesma cela, quer dizer, quarto. [Risos] Eu sou o Benjamin Young, mas pode me chamar de Ben. Eu te reconheci, porque vi a sua foto quando fui registrar minha entrada, já que estamos no mesmo quarto.

 

ALEC – Entendi.

 

BEN – Então, qual o seu crime para ter entrado neste belo lugar?

 

ALEC [Cabisbaixo] Não quero falar disso.

 

BEN – Qual é? Não precisa se envergonhar, eu tenho treze anos e vivia roubando, morava com uma tia que nunca me quis e então eu me envolvi em um assalto e sem querer matei o dono do supermercado. Eu me arrependo, mas aconteceu porque tinha que acontecer.

 

Alec olha para o garoto, surpreso.

 

ALEC – E você fala assim? Desse jeito?

 

BEN – Cara, às vezes, temos que aceitar a situação em que vivemos.

 

ALEC – Acho que você tem razão.

 

BEN – Agora me fala, está aqui por qual motivo?

 

ALEC[Olhando a foto em suas mãos] Esse aqui é o Brandon, ele tinha quatorze anos, era meu irmão.

 

BEN – Você o matou?

 

Alec olha para Ben com tristeza e não o responde.

 

FIM DO FLASHBACK.

 

FUSÃO PARA:

 

CENA 02 – EXT – LONGE DE TORMENS FALLS – GALPÃO – FIM DE TARDE

 

O galpão parece ser abandonado, alguns entulhos estão no final do mesmo e bastante sujeira consome o lugar. Mauro está com um saco preto em seu rosto. Nicolas abre à mala do carro e pega a maleta de trabalho do advogado.

 

NICOLAS – Alguma coisa importante aqui, doutor?

 

MAURO – Por favor, não faz nada comigo. Eu fico calado, eu os ajudo.

 

NICOLAS – Não. A chefia disse para acabar com você longe da cidade e farei isso.

 

Nicolas puxa o saco do rosto de Mauro.

 

NICOLAS – Prefere na cabeça ou no peito?

 

MAURO – Em nenhum dos dois. Por favor, eu finjo que nada aconteceu e tudo volta a ser como antes.

 

Nicolas atira para o alto e Mauro se assusta.

 

NICOLAS – Paciência zero, colega. Escolho por você!

 

Nicolas aponta a arma para a cabeça de Mauro e o advogado fecha os olhos.

 

MAURO – Eu posso te pagar o dobro, se me deixar vivo.

 

Nicolas abaixa a arma.

 

NICOLAS[Encarando-o] Pode mesmo?

 

MAURO – O preço que for.

 

NICOLAS – Então… Quero dez milhões.

 

MAURO – Isso é uma quantia muito alta, não tenho como te pagar dez milhões. Não sou o Richard, mas posso conseguir uma boa quantia.

 

NICOLAS – Não sei. O carinha pode ficar bolado.

 

MAURO – O Richard é uma banana, eu sou advogado. Posso evitar que seja preso, caso venha a ter problemas na justiça.

 

Nicolas anda em círculos, ele fica pensando. Mauro o observa.

 

NICOLAS – Se eu te deixar vivo, como vai voltar para a cidade? O Richard vai acabar contigo.

 

MAURO – Vou dar um jeito. Eu consigo voltar e ele nem vai perceber.

 

NICOLAS – Porque você quer tanto ficar vivo e voltar?

 

MAURO – Eu só acho que não devo morrer agora, preciso ajudar uma pessoa.

 

NICOLAS – Quanto você pode me arrumar de hoje para amanhã?

 

MAURO [Tenso] Cem mil.

 

NICOLAS – O quê? O Richard vai me pagar quinhentos mil por esse serviço e pelo qual você ouviu. Adeus, carinha.

 

MAURO – Te arrumo um milhão, é tudo que posso.

 

NICOLAS – Um milhão é melhor que nada.

 

MAURO – Então, temos um acordo?

 

Nicolas vai até Mauro e o solta. Ele pega um papel em seu bolso e uma caneta na maleta de Mauro e escreve.

 

NICOLAS – Neste papel está a minha conta no banco. Deposite o dinheiro até à meia noite.

 

MAURO [Pegando o papel] Certo! Você não vai se arrepender.

 

NICOLAS – Eu espero realmente que não.

 

Ele volta para o carro. Mauro o encara.

 

MAURO – Vai me largar aqui?

 

NICOLAS – Te dar carona é pedir demais, não acha?

 

MAURO – Estou longe da estrada? Pode me emprestar seu celular?

 

NICOLAS – Está um pouco distante.

 

Nicolas joga o aparelho celular e Mauro agarra.

 

NICOLAS – Não esqueça, até à meia noite.

 

Ele acelera e parte. Mauro pega o celular e vê que está sem área.

 

MAURO – Ótimo!

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – EXT – TORMENS FALLS – CEMITÉRIO/FUNERAL – MANHÃ

 

O sol está na temperatura certa. A brisa toma conta do lugar, as pessoas estão sentadas em cadeiras enfileiradas e em frente está o caixão de Amélia, dourado com detalhes pratas. As flores estão ao redor e um grande quadro com uma foto dela se encontra ao lado. Agatha, vestido preto, cabelos presos em um coque e com uma pequena bolsa, observa à chegada de algumas outras pessoas. Oliver, com uma roupa social preta e óculos escuros, olha para a amiga.

 

OLIVER – Será que o Alec vem?

 

AGATHA [Sussurrando] Se ele tiver juízo é obvio que não.

 

OLIVER – Estamos falando do Alec, já deu para perceber que ele continua do mesmo jeito. O Alec sempre foi teimoso.

 

AGATHA – É. Você tem toda razão.

 

Agatha olha para o caixão, onde Alec está colocando uma flor junto das outras.

 

OLIVER [Olhando o amigo de longe] Eu disse! Ele não sabe ficar quieto mesmo.

 

AGATHA – Vamos lá.

 

Agatha puxa Oliver e eles se aproximam do garoto.

 

AGATHA [Falando baixo] O que está fazendo aqui?

 

ALEC – Já falei que eu não vou me esconder porque acham que eu sou o assassino.

 

Uma mulher bastante elegante e bonita, cabelos loiros longos, pele clara, vestido preto, saltos escuros e com óculos enormes no rosto, se aproxima.

 

AGATHA – Olá, senhora Foster. Sinto muito pela sua perda!

 

Sr.ª FOSTER – Olá, Agatha. Obrigada! [Ela olha para Alec] O que pensa que está fazendo aqui?

 

ALEC – Estou me despedindo da sua filha.

 

Sr.ª FOSTER [Alterada] Não o quero aqui! Você matou a minha filha e desfila como se fosse uma pessoa normal?

 

As outras pessoas começam a olhar. Alec fica envergonhado, mas continua e olha para a mulher.

 

ALEC – Senhora, eu não matei a sua filha. Eu…

 

Alec é interrompido com uma tapa em seu rosto, dada pela Senhora Foster.

 

Sr.ª FOSTER – Quero que saia daqui agora!

 

ALEC – Eu…

 

AGATHA[Puxando Alec] Vem! Ela tem razão, é melhor você ir.

 

ALEC[Olhando a mulher] Eu sinto muito pela sua perda!

 

Ele sai apressado e as pessoas o encaram, Agatha e Oliver o seguem.

 

AGATHA – Alec! Alec?

 

ALEC[Irritado] Eu estou sendo injustiçado por todos. Eu não matei a Amélia!

 

OLIVER – Cara, nós acreditamos, eles não. Querendo ou não você precisa entender que foi a última pessoa a ficar de frente à Amélia.

 

ALEC – Não. A última foi o assassino.

 

AGATHA – É. Mas as pessoas não vão acreditar que você seja inocente. A arma estava em suas mãos.

 

ALEC – Exato! Se eu realmente fosse naquela festa para matar a Amélia, eu não tinha ficado lá, chorando com ela em meus braços, eu…

 

AGATHA [Completando] Tinha fugido!

 

Agatha fica séria e pensativa, Oliver olha para Alec.

 

OLIVER – Tem razão. O obvio seria esse, mas eles não estão ligando para isso.

 

AGATHA – E se…

 

Agatha olha para trás e vê a senhora Foster iniciando o funeral da filha.

 

ALEC – O quê? Você se calou de repente.

 

AGATHA – O quarto da Amélia está lacrado, certo?

 

ALEC – Sim. É onde o crime ocorreu.

 

AGATHA – É insano isso, mas acho que se queriam te incriminar, você deveria refazer àquela noite e tentar achar uma brecha.

 

OLIVER – Como?

 

AGATHA – Você tem que voltar lá, Alec. Aproveite enquanto estão todos aqui e a casa está vazia.

 

ALEC – Pode ter razão. Posso ir lá e olhar tudo, relembrar cada passo naquela noite.

 

AGATHA – É perigoso, mas se acha que querem te incriminar você deve fazer.

 

Alec sorri e abraça a amiga.

 

ALEC – Você é uma gênia.

 

AGATHA – Que isso, eu só estou sendo prática.

 

OLIVER – Podemos ir com você?

 

ALEC – Não. Prefiro fazer isso sozinho, não quero meter vocês em encrencas.

 

AGATHA – Certo! Só tenha cuidado.

 

Alec corre.

 

OLIVER[Olhando a amiga] Agora acredita nele?

 

AGATHA – Eu não sei. Ele não parece ser o culpado, se não evitaria tudo isso.

 

OLIVER – Vamos. Sua mãe deve estar nos procurando.

 

Oliver e Agatha se viram e o pastor Arturo, olhos claros, cabelos castanhos e um pouco grisalhos, os encara.

 

ARTURO – Estava procurando você filho. Sua mãe estava preocupada também, Agatha. Aprendam a avisar quando saírem de perto de nós.

 

AGATHA – Desculpe senhor. Estávamos conversando com o Alec, já vamos para os nossos lugares.

 

ARTURO – Não deveriam ficar tão íntimos daquele menino, que Deus me perdoe em julgar, mas se ele for mesmo um assassino, vocês não estarão seguros.

 

OLIVER – Isso de novo não pai. Que coisa chata!

 

ARTURO – Olha o desrespeito. Já falei com você sobre isso, na bíblia diz: “Honra teu pai e tua mãe para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”.

 

OLIVER – Eu sei, perdoe-me.

 

ARTURO – Voltemos aos nossos lugares, então.

 

Oliver olha para Agatha e seguem o caminho até as cadeiras.

 

CORTA PARA:

 

CENA 04 – EXT – TORMENS FALLS – PONTE/FLORESTA – MANHÃ

 

Richard para o carro sobre a ponte. Aos redores são apenas árvores e arbustos. Uma moto se aproxima, Richard abaixa o vidro de seu veiculo e a moto para ao seu lado e Nicolas tira o capacete.

 

RICHARD[Olhando para ele] Então, fez o que mandei?

 

NICOLAS[Mentindo] É claro, chefia. Sabe que comigo tudo é finalizado.

 

RICHARD – Eu depositei em sua conta o pagamento.

 

NICOLAS – Certo!

 

Nicolas mexe em seu bolso e tira a chave do carro.

 

NICOLAS – Tome a chave do carro da sua esposa.

 

RICHARD – Você é louco? Destrua aquele carro.

 

NICOLAS – Por quê? Não posso ficar com ele?

 

RICHARD – Obvio que não. Contém as digitais da minha esposa, minhas, do Mauro e suas. Toque fogo ou jogue no lago.

 

NICOLAS – Beleza. Vai para o trampo agora?

 

RICHARD[Encarando o bandido] Trampo? Com quem acha que está conversando? Eu não sou seu amigo, agora pega seu rumo. O que tínhamos de falar já foi dito.

 

Nicolas guarda a chave e coloca o capacete.

 

NICOLAS – Quando precisar sabe o meu número.

 

Ele acelera e vai embora. Richard olha o relógio, quando um carro se aproxima e para um pouco afastado. Ele olha pelo retrovisor e Mariane desce indo em sua direção e entra no carro.

 

RICHARD – Fala logo que eu tenho uma reunião agora pela manhã.

 

MARIANE – Bom dia, senhor educação.

 

RICHARD [Irritado] Mariane, fala logo!

 

MARIANE – O seu advogado esteve lá na clínica.

 

RICHARD – Mauro?

 

MARIANE – Sim. Ele visitou sua esposa e perguntou como era o tratamento dela, se você a visitava. Estava curioso e parecia um interrogatório.

 

RICHARD – O Mauro estava investigando a minha vida? Filho da mãe!

 

MARIANE – Acha que ele será problema?

 

RICHARD – Não mais. O Mauro teve seu rumo, fique tranquila que ele deve está no inferno neste momento.

 

MARIANE – Mandou mata-lo?

 

RICHARD – Obvio! Isso acontece quando sou traído.

 

Mariane o encara. Richard sorri para ela e ela fica tensa.

 

MARIANE – Não vou trair você, jamais.

 

RICHARD – Eu sei.

 

MARIANE – Por isso vim aqui. Os remédios aumentaram de preço e o médico talvez seja transferido da clínica.

 

RICHARD – Compre outro. Qualquer médico por dinheiro aceitará receitar os remédios da Nina.

 

MARIANE – Acho que devemos diminuir a dosagem dos comprimidos.

 

Richard segura o pescoço de Mariane com firmeza.

 

RICHARD – Você está louca? Nina não pode e nem deve acordar daquele maldito sono, o Alec está na cidade e se ela abrir a boca para ele, eu ficarei furioso.

 

MARIANE – Está me machucando.

 

RICHARD – E farei muito mais, caso ela acorde. Lembra o que aconteceu naquela noite em que foi busca-la, depois do surto dela?

 

MARIANE – Ela nem deve lembrar mais disso.

 

RICHARD – Vai arriscar?

 

Ele solta o pescoço dela.

 

MARIANE[Tossindo] O que… Farei?

 

RICHARD – Aumente a dosagem. Vamos continuar com os remédios, quando o médico for transferido, ameace-o para sempre receitar os remédios dela e ele ficará sem alternativa.

 

MARIANE – Mas…

 

RICHARD – Vire-se! Agora sai do meu carro que eu vou trabalhar.

 

Mariane abre a porta, mas olha para ele antes de sair.

 

MARIANE – Vou à sua casa hoje?

 

RICHARD – Não. Hoje não quero sexo com você, muitos problemas.

 

MARIANE[Chateada] Acha mesmo que eu sou sua vadia, não é?

 

RICHARD – Não, Mariane. Vadia é leve demais para você ser chamada. Vagabunda, piranha dentre outros são adjetivos mais adequados. [Gritando] Cai fora!

 

Ele a empurra. Richard fecha a porta e acelera bruscamente deixando Mariane para trás.

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – MANHÃ.

 

Alec mexe em seu bolso e tira a chave do apartamento, mas quando se aproxima mais da porta percebe a mesma aberta. Ele empurra vagarosamente a porta e se surpreende com um garoto na cozinha.

 

ALEC[Surpreso] Ben? Como você… Arrombou a minha porta?

 

BEN – Foi mal, parceiro. Você sabe que tenho meus truques, eu só mexi na fechadura e ela abriu.

 

Ele vai até Alec e o abraça.

 

ALEC – Como veio para a cidade?

 

BEN – Bom… Vi suas fotos nos noticiários, amigo. Você é famoso nas redondezas. Mas isso não importa, caramba, esse seu apartamento é show. Não tinha me falado que era rico.

 

Ben corre e se joga na cama de Alec.

 

ALEC[Olhando a mochila na entrada] Veio para ficar?

 

BEN – Só se não for problema para você. Minha tia morreu e eu estou sozinho agora, pensei que podia vir e arrumar um emprego e morar por aqui.

 

ALEC – Sinto muito pela sua tia.

 

BEN[Sorrindo] Eu não. Já era hora dela morrer, fiquei com a casa dela e uma quantia mínima no banco. Vendi a casa e o dinheiro está todo na minha conta, deu para viver por um tempo e ainda tem alguns restos lá.

 

ALEC – O que fez depois que saiu do reformatório?

 

BEN – Nada de importante. Só não roubei e nem matei, estou fora disso.

 

ALEC – Bom! Fico feliz em saber que você agora não faz mais isso.

 

BEN – E você? Como anda sua vida após tudo aquilo?

 

ALEC – Nada bem. Estou sendo acusado de matar uma garota.

 

BEN – Nossa! Mas você matou?

 

ALEC[Sério] Claro que não.

 

A porta do apartamento é aberta e Agatha e Oliver entram.

 

OLIVER[Indo até a geladeira] Tem algo para comer?

 

AGATHA – Como foi… [Olhando para Ben] Quem é ele?

 

Ben olha para Agatha.

 

ALEC – Esse é Benjamin Young, ele era um dos garotos do reformatório.

 

BEN [Estendendo a mão] É um prazer conhece-la, Gata.

 

AGATHA – Oi. Prazer, Agatha Mendel.

 

Oliver vai até Ben cumprimentá-lo.

 

OLIVER – Oi. [Apertando a mão de Ben] Oliver Harper.

 

BEN – Beleza! São amigos do Alec?

 

OLIVER – Os melhores! Desde a infância.

 

BEN – Maneiro.

 

Agatha encara Ben e Alec percebe.

 

ALEC – Tudo bem?

 

AGATHA – Sim. Você foi lá?

 

ALEC – Não. Estavam lá o pessoal da perícia e eu voltei imediatamente.

 

O celular de Agatha toca e ela atende.

 

[Conversa telefônica (Cel.)]

 

AGATHA – Alô, oi pai?

 

DEL. CARLOS[V.O] Filha! Sabe onde o Alec está? Estou ligando e ele não atende.

 

AGATHA – Estou com ele.

 

DEL. CARLOS[V.O] Ótimo! Avise-o que preciso da presença dele aqui na delegacia, imediatamente.

 

AGATHA – Certo! Pode falar pra quê?

 

DEL. CARLOS[V.O] Quando ele chegar aqui saberá.

 

AGATHA – Ok. Até mais!

 

DEL. CARLOS[V.O] Até. Tenha cuidado!

 

Agatha desliga e Alec a encara.

 

ALEC – Quem era?

 

AGATHA – Meu pai. Ele pediu para você ir imediatamente à delegacia.

 

ALEC[Tenso] Ele falou por quê?

 

AGATHA – Disse que você descobriria lá.

 

ALEC – Tudo bem.

 

BEN – Será que vem mais problemas para você?

 

ALEC – Espero que não.

 

Alec pega seu celular.

 

ALEC[Olhando a tela do aparelho] Ele me ligou seis vezes, mas estava no silencioso. Vou indo.

 

AGATHA – Espera! Vou contigo.

 

ALEC – Vai?

 

AGATHA – Mas não para a Delegacia. A minha mãe vai precisar de mim em casa.

 

OLIVER[Segurando uma maçã] Vou também, Agatha.

 

ALEC[Olhando para Ben] Tome conta da casa, certo?

 

BEN – Pode deixar. Cuidarei como se fosse minha.

 

Alec o encara e se vira para sair. Ben segura à mão de Agatha.

 

BEN – Foi um prazer, Agatha. Espero vê-la mais vezes.

 

AGATHA [Sem graça] Nos veremos sim.

 

Ela sorri e sai. Alec observa os dois e sai meio incomodado, em seguida, Oliver passa. Ben fecha a porta e sorri.

 

FUSÃO PARA:

 

CENA 06 – INT – TORMENS FALLS – RESID. MENDEL – COZINHA – TARDE

 

Pietro abre a geladeira e bebe o leite com a boca na caixa. Lauren Mendel, mãe de Agatha e Pietro, aparenta ter uns quarenta anos, cabelos castanhos claros, olhos azuis e de pele branca, usando um vestido preto, se aproxima e dá uma pequena tapa nas costas do filho.

 

LAUREN – Já falei para usar um copo.

 

PIETRO – Foi mal, mãe. Eu esqueci.

 

LAUREN – É sempre a mesma desculpa.

 

Ele coloca a caixa na geladeira. Agatha e Oliver entram.

 

AGATHA – Oi mãe.

 

LAUREN – Oi sumida. Não vi você depois que acabou o funeral, a mãe da Amélia conversou bastante comigo e as outras.

 

OLIVER – A Amélia teve a quem puxar de tão linguaruda.

 

LAUREN – Que maldade, Oliver.

 

OLIVER – Tia, a senhora sabe que a Amélia era uma patricinha metidinha. Ela foi assassinada e sinto por isso, não desejo o mesmo ao meu pior inimigo, mas não é porque ela morreu que vou dizer que ela era boa.

 

LAUREN – Sua sinceridade é extrema.

 

Pietro fica olhando fixamente para Oliver.

 

PIETRO[Mentindo] Preciso que veja o meu computador, Oliver. Está travando toda hora.

 

OLIVER[Disfarçando] Está com ele desocupado?

 

PIETRO – Sim.

 

OLIVER – Vamos lá que eu olho.

 

Eles sobem os degraus correndo. Agatha esconde um sorrisinho ao observar a cena.

 

LAUREN[Olhando a filha] Tudo bem?

 

AGATHA – Sim.

 

LAUREN – Não vi o Alec ainda. Convide-o para jantar aqui hoje.

 

AGATHA – Tem certeza? Não acha que ele…

 

LAUREN[Cortando] Agatha, querida. O Alec não matou a Amélia e só quem é cego que não enxerga isso.

 

AGATHA – Fala com tanta certeza!

 

LAUREN – Não acha que se ele fosse matar a Amélia, ele tinha corrido para ninguém vê-lo?

 

AGATHA – Eu não o acho culpado, mãe. Não mais. Só é estranho ela morrer quando ele foi ao quarto com ela. Ele acha que alguém está querendo culpa-lo.

 

LAUREN – Pode ser que estejam, mas aí, quem seria?

 

AGATHA – Eu não sei.

 

LAUREN[Colocando a panela no fogão] Vou lá em cima perguntar se os garotos querem um lanche!

 

AGATHA – Não! Eu vou ao meu quarto e pergunto, não precisa subir todos os degraus, eu faço isso.

 

Agatha corre e Lauren fica sem entender.

 

LAUREN – Eu hein!

 

CORTA PARA:

 

CENA 07 – INT – TORMENS F. – DELEGACIA/SALA DE INTERROGATÓRIO – TARDE

 

A sala de interrogatório é totalmente fechada com apenas um espelho na parede lateral, uma mesa de ferro ao centro e três cadeiras em cada lado e na ponta. Alec está sentando de frente para o espelho e demonstra bastante impaciência. O delegado Carlos entra e senta-se em frente a ele.

 

ALEC – Estou sendo preso?

 

DEL. CARLOS – Não. A detetive vem conversar com você.

 

ALEC – Pelo visto é mulher. “A” detetive é tão má que veio conversar comigo antes?

 

DEL. CARLOS[Sério] Não sou seu inimigo, Alec. Está aqui por ser acusado de matar uma garota e sou o delegado, então me trate como uma autoridade, pois sou uma e mesmo lhe conhecendo desde os três anos de idade, não tem o direito de falar comigo desta forma.

 

ALEC[Envergonhado] Desculpa. Eu estou nervoso!

 

DEL. CARLOS – Certo! Ela fará algumas perguntas e não deve mentir, ela não é considerada a melhor detetive da polícia por ser quem é, mas por seus incríveis trabalhos.

 

A porta da sala é aberta e uma mulher, bonita, aparentando uns trinta e cinco anos, cabelos pretos presos, vestida com um TRENCH COAT (Casaco grande) da cor creme, e com sapatos femininos pretos fechados, entra. Alec a olha de cima para baixo.

 

DEL. CARLOS – Alec, essa á a Miranda Preston. Detetive da polícia de Chicago.

 

DET. PRESTON – Olá, senhor Alec Porter. É bom conhece-lo, mas vamos ao que interessa.

 

O delegado levanta e ela se senta em frente a Alec. O Delegado Carlos sai e vai observar o interrogatório através do espelho de observação, que por fora tem a visão ampla do que acontece dentro. Detetive Preston faz um sinal com a mão e a conversa começa a ser gravada.

 

DET. PRESTON[Olhando os papeis em sua mão] Conte-me como conheceu a senhorita Amélia Foster?

 

ALEC[Encarando-a] Eu a encontrei no salão do shopping. Ela me defendeu, pois o cabelereiro não queria me atender, por eu ser conhecido como assassino aqui, a cidade é pequena, então ela me defendeu e me convidou para a sua festa.

 

Ela anota cada palavra.

 

DET. PRESTON – Ao chegar à festa, aconteceu algo entre vocês?

 

ALEC – Exemplo?

 

DET. PRESTON – Alguma briga ou discussão… Algo que o fez perder a cabeça e mata-la?

 

ALEC – Eu não matei a Amélia.

 

DET. PRESTON [Sem olhá-lo] Assim como não matou seu irmão?

 

ALEC [Alterado] Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

 

DET. PRESTON – Não? Não foi você quem matou seu irmão aos doze anos de idade, empurrando-o do quarto andar de sua casa?

 

ALEC – De qual assassinato estamos falando aqui?

 

DET. PRESTON – Você tem sérios problemas com raiva, não é senhor Alec?

 

ALEC [Irritado] Bastante. Inclusive estou com raiva agora.

 

Ela anota mais e deixa Alec incomodado.

 

DET. PRESTON – Diz aqui que você encontrou a garota morta depois que saiu do banheiro do quarto dela. Conte-me detalhadamente.

 

ALEC – Quando fui ao banheiro e fechei a porta e me olhei ao espelho, à energia acabou. Então peguei meu celular e fui me guiando com a luz até a porta, quando consegui abrir e saí, acabei tropeçando em algum objeto que estava caído no quarto dela e o celular foi ao chão, o que acabou fazendo a bateria ir para um lado e capa para o outro. Eu tentei junta-lo, mas não conseguia e chamei pela Amélia, ela não respondeu e escutei um suspiro agonizante, foi quando a energia voltou e eu a encontrei sobre a cama, toda ensanguentada.

 

Ela anota rapidamente tudo que ele fala.

 

DET. PRESTON – Essa é a sua versão da história?

 

ALEC – Essa é a verdadeira e única história.

 

DET. PRESTON[Debochada] Você fala com tanta convicção. Mas eu tenho quase certeza que você matou a garota e inventou toda essa história.

 

ALEC – E eu tenho quase certeza que só trabalha como detetive, porque é bonita, já que tem palpites totalmente errados.

 

DET. PRESTON – Gosto de seu jeito engraçado, mas quando eu o colocar na cadeia, veremos toda essa graça.

 

Ela levanta. Alec fica encarando-a.

 

ALEC – Posso ir?

 

DET. PRESTON – Por enquanto. Fique atento, precisarei de você mais vezes!

 

Ela faz o sinal novamente com a mão, em seguida, abre a porta e sai. Alec respira, aliviado. O delegado Carlos volta.

 

DEL. CARLOS – Você pede para ser preso.

 

ALEC – Ela me atacou o interrogatório inteiro.

 

DEL. CARLOS – Se chama pressionamento, ela o testou para ver como você se saia e pelo jeito saiu como ela queria.

 

Alec fica sério.

 

DEL. CARLOS – Pode ir, mas tenha cuidado.

 

ALEC [Levantando] Fui!

 

O celular dele toca e é uma mensagem, ele lê.

 

ALEC – É da Agatha. Vemo-nos no jantar, delegado.

 

DEL. CARLOS – O quê?

 

Ele sai sorrindo e Carlos vai logo em seguida.

 

CORTA PARA:

 

CENA 08 – EXT – TF – RESID. MENDEL – QUARTO (PIETRO) – FIM DE TARDE

 

Pietro coloca a calça e Oliver a camisa. Agatha bate na porta e eles se apressam. Ela entra e olha o amigo.

 

AGATHA – Vai ficar para o jantar, chamei o Alec e acho que ele vem.

 

OLIVER – Legal!

 

AGATHA[Debochada] Ajeitou o computador do meu irmão?

 

OLIVER[Sorrindo] Era problema na memória.

 

PIETRO – Você é tão comediante, Agatha. Só que não!

 

OLIVER – Amanhã é o primeiro dia de aula, finalmente.

 

PIETRO – Verdade. Com essa morte da Amélia atrasou tudo. Graças ao amiguinho de vocês.

 

AGATHA – Ei!

 

OLIVER – O Alec não matou a Amélia, Pietro.

 

Pietro ri.

 

OLIVER – É sério!

 

PIETRO – Só pode ter sido ele.

 

OLIVER – Mas não foi.

 

PIETRO [Enciumado] E como tem tanta certeza? Porque o defende tanto?

 

AGATHA – Chega Pietro!

 

OLIVER – Você é um babaca mesmo.

 

PIETRO [Colocando a camisa] Mas você adora esse babaca.

 

Oliver o encara e sorri.

 

AGATHA – Nossa! Eu mereço.

 

PIETRO [Olhando o computador] Olha isso aqui.

 

Ele gira a tela do computador e todos veem uma página no facebook com o título – Prisão para Alec Porter: Assassino na cadeia.

 

OLIVER – Olha quantos curtiram.

 

PIETRO [Sorrindo] O amiguinho de vocês é mais amado que o prefeito.

 

AGATHA – Sem graça. Quem é o administrador? Tem como ver?

 

OLIVER [Apontando para a tela] Só podia, olha aqui. A BFF da Amélia.

 

PIETRO – O Alec vai ser linchado no colégio se ele for.

 

Agatha e Oliver se olham.

 

CORTA PARA:

 

CENA 09 – EXT – TORMENS FALLS – SUPERMERCADO – NOITE

 

Alec, vestido com casaco preto, camiseta cinza e calças jeans e tênis, está no corredor de bebidas do supermercado. No carrinho dele tem uma garrafa de vinho e um refrigerante. Uma senhora passa com um olhar de desconfiança e mais à frente do corredor o segurança o observa.

 

ALEC [Incomodado] Só faltava essa agora.

 

Uma garota, cabelos ruivos, olhos claros, blusa branca e blazer preto, calça jeans vinho e salto alto também escuros, para ao lado dele.

 

GAROTA[Sorrindo] O famoso Alec Porter!

 

ALEC[Olhando-a] Famoso?

 

GAROTA – Em toda cidade. Sou Jessie Moore, é um prazer conhece-lo.

 

ALEC[Apertando a mão dela] Prazer, já me conhece bem, eu acho.

 

Ambos riem.

 

JESSIE – Não se preocupe. Você se diz inocente, então em breve saberemos que diz a verdade.

 

ALEC – Assim espero!

 

JESSIE[Olhando o carrinho de compras] Vai jantar em algum lugar?

 

ALEC – Sim. Vou à casa de uma amiga.

 

JESSIE [Rindo] Amiga? Certo!

 

ALEC – É sério! É com toda a família dela.

 

JESSIE – Leva esse aqui, é mais doce.

 

Ela pega o vinho e entrega para ele.

 

ALEC – Obrigado!

 

JESSIE – Vou indo, tenho uma festa para ir. Vemo-nos por aí, Alec.

 

ALEC – Com certeza. Até mais!

 

Ela vai empurrando seu carrinho e dá uma última olhada para Alec.

 

CORTA PARA:

 

CENA 10 – INT – TORMENS FALLS – RESID. MENDEL – SALA – NOITE

 

Agatha abre a porta e Alec entra. Lauren se aproxima e o cumprimenta.

 

LAUREN – Olá, Alec. Quanto tempo, não?

 

ALEC – É um prazer revê-la e obrigado pelo convite.

 

LAUREN – Que isso, você já é de casa.

 

Ele entrega o vinho para ela.

 

LAUREN – Não precisava!

 

ALEC – Lembro-me que a senhora adorava vinhos, lembro-me até de quando tomava com a minha mãe.

 

LAUREN – Sim. Sinto muito pela Nina. Como ela está?

 

ALEC – Continua internada.

 

LAUREN – Uma pena. Espero que ela fique bem.

 

ALEC – Esperamos.

 

LAUREN – Vou olhar o jantar. Fique à vontade!

 

ALEC – Obrigado.

 

Oliver se aproxima e o abraça.

 

OLIVER – Como foi lá?

 

AGATHA – Meu pai está lá em cima se trocando. Ele está de bom humor.

 

ALEC – Podemos conversar em outro lugar?

 

AGATHA – Claro.

 

Pietro desce à escada e Alec o olha.

 

ALEC – Oi, Pietro.

 

PIETRO [Curto e Direto] Oi.

 

ALEC – Bem receptivo o seu irmão.

 

OLIVER – Ele é só um tolo.

 

AGATHA – Vem, vamos ao jardim.

 

Eles saem.

 

FUSÃO PARA:

 

CENA 11 – EXT – TORMENS FALLS – RESID. MENDEL – QUINTAL – NOITE

 

No quintal, o jardim da casa é bastante organizado. Ao centro tem uma coberta com uma mesa e quatro cadeiras, Agatha se senta e Oliver também.

 

OLIVER – Não vai sentar?

 

ALEC – Estou bem assim.

 

AGATHA – Como foi na delegacia?

 

ALEC – Fui interrogado. A detetive chegou para investigar o caso.

 

AGATHA – “A” detetive?

 

ALEC – Sim. No feminino mesmo.

 

OLIVER – Gostou dela?

 

ALEC – Não. Já vi que ela será meu mais novo pesadelo.

 

AGATHA – O que ela quis saber?

 

ALEC – Tudo! Ela perguntava e sempre me irritava, pois ficava afirmando que matei a Amélia.

 

OLIVER – Você vai ouvir muito isso.

 

ALEC – Ela me pressionava. Toda hora lembrava à morte do Brandon.

 

AGATHA – Você sempre será lembrado por isso, acostume-se.

 

OLIVER – É, afinal, você é conhecido na cidade por causa disso mesmo.

 

Alec olha para a porta e puxa uma cadeira e senta-se.

 

ALEC – Esse é o problema.

 

OLIVER – O quê? Julgarem você?

 

ALEC – Não. [Ele olha para os amigos] Eu deveria ter falado isso quando voltei, mas aconteceram tantas coisas e evitei, mas preciso falar. Desde aquele dia no shopping quando mandei vocês irem à minha casa, já era para eu ter dito.

 

AGATHA[Tensa] O quê?

 

Alec respira fundo.

 

ALEC – Não podem revelar para mais ninguém.

 

OLIVER – Ok. Fala logo, estou nervoso.

 

ALEC [Nervoso] Eu… Não matei o Brandon. Eu não matei o meu irmão!

 

Alec encara os amigos e Agatha e Oliver ficam sem reação.

 

FADE OUT.

 

—FIM DO EPISÓDIO—

 

Criado e Escrito por:

Marcos Henrique

 

Supervisão Textual e Argumentos por:

Kaio Gomez.

 

Realização:

Unbroken Productions

 

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