[CONT. DA CENA 09 DO EPISÓDIO ANTERIOR].

 

FADE IN:

 

CENA 01 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – SALA – TARDE.

 

Alec continua paralisado. Agatha se aproxima dele e o faz se sentar e Oliver pega um copo com água.

 

ALEC – Isso que você disse não é verdade, Mauro. O papai não…

 

MAURO [Cortando] Seu pai não é nenhum santo, Alec. Eu o conheço bem, apesar dele ter escondido esse lado bandido dele.

 

ALEC – Mas… Por qual motivo ele iria querer me ferrar? Qual o motivo de matar a Amélia e me culpar?

 

MAURO – Isso eu não sei, ainda.

 

OLIVER – Como assim?

 

MAURO – Acho que apenas uma pessoa conhece os podres do Richard.

 

ALEC – De quem está falando?

 

MAURO – Não posso falar ainda, mas quero que saiba que farei de tudo para te ajudar, estou do seu lado.

 

Mauro estende a mão e Alec aperta um pouco receoso.

 

AGATHA – O que você vai fazer agora, Alec?

 

ALEC – Vou enfrentar o meu pai.

 

MAURO – É claro que não. Qual a prova que você tem que foi ele?

 

ALEC – Você!

 

MAURO [Rindo] Não mesmo. Ele não iria preso assim, temos que conseguir uma prova em que o incrimine. E mesmo assim, não foi ele quem sujou as mãos, ele mandou matar a menina.

 

OLIVER – Pelo tal do cara que você falou.

 

Ben observa tudo quieto.

 

ALEC – E ele ficará impune?

 

MAURO – Eu vou pensar em algo, não se preocupe. Apenas foque em uma pessoa, uma que eu tenho quase certeza que está sob as maldades do seu pai.

 

ALEC – Quem?

 

MAURO – Sua mãe.

 

Alec fica confuso.

 

ALEC – Como assim?

 

MAURO – Nunca se passou pela sua cabeça o que sua mãe tem de verdade? Eu pesquisei e nunca vi um tratamento tão severo. Sua mãe não passa dias acordadas, acho que segundos é o que ela consegue despertar.

 

AGATHA – Está insinuando que… O Richard pode está mantendo a Nina naquela clínica por nada?

 

MAURO – Sim. [Olhando para Alec] Eu já trabalhava com o seu pai quando sua mãe foi internada, ela realmente estava um pouco desequilibrada, mas não chega ao ponto de ser dopada constantemente. Eu lembro-me de uns dias antes ela falar comigo, ela me pediu que cuidasse de você e que fizesse de tudo para tirá-lo do reformatório.

 

ALEC – Ela te pediu? E o papai?

 

MAURO – Sempre que eu tinha tempo de cuidar do seu caso, ele me dava mais trabalho da empresa. Até parecia que…

 

ALEC[Completando] Ele não queria que você me ajudasse.

 

MAURO – Exato! Eu acho que seu pai, hoje, é realmente um homem irreconhecível.

 

Alec levanta meio atordoado.

 

AGATHA – Aonde você vai?

 

ALEC – Andar. Preciso caminhar e esfriar a cabeça, foi muitas informações.

 

Alec sai e bate a porta. Todos ficam em silêncio.

 

OLIVER – E agora?

 

Mauro pega seus objetos sobre o balcão.

 

MAURO – Eu preciso ir resolver uma coisa e pensar em algo, vocês… Se cuidem!

 

Ele sai correndo. Oliver olha o relógio.

 

OLIVER[Pegando a mochila] Tenho que ir. O papai está me esperando na igreja, vou consertar os caixas de som.

 

AGATHA – Vou embora com você.

 

OLIVER – Não. Fique aqui até o Alec voltar, ele precisa de um de nós neste momento. Assim que eu concluir o trabalho na igreja, volto correndo.

 

AGATHA – Não posso. Vou encontrar a mamãe no supermercado e quando o Alec chegar o Ben manda ele nos ligar.

 

BEN – Na verdade, vou sair agora e só volto à noite. Dia de entrevista de emprego.

 

Ele vai ao quarto se trocar.

 

AGATHA – Vamos! O Alec nos procura depois.

 

OLIVER – Tudo bem.

 

Eles saem.

 

CORTA PARA:

 

CENA 02 – INT – TORMENS FALLS – RESID. DE KATE – SUÍTE – TARDE

 

O Lugar está todo lacrado com faixas amarelas e pretas. Algumas pessoas, peritas, analisam todo o lugar. O delegado Carlos anota algumas coisas e a detetive Preston se aproxima dele.

 

DET. PRESTON – Encontraram a arma do crime?

 

DEL. CARLOS – Não. Só sabemos que foram cinco disparos de um calibre-38.

 

DET. PRESTON – O infeliz ainda tem uma bala na arma.

 

DEL. CARLOS – Falou com a mulher?

 

DET. PRESTON – Sim. Ela disse que veio trazer uma torta para a vítima, Kate Jones, quando ninguém a atendeu e a porta estava aberta, ela entrou e nos ligou imediatamente ao encontrar os corpos.

 

DEL. CARLOS – Isso requer investigação. Bom trabalho, detetive.

 

Ele entrega o bloco a ela.

 

DET. PRESTON – Nem concluí um, já tenho outro caso. Maravilha!

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – INT – TORMENS FALLS – MANSÃO PORTER – GARAGEM – TARDE

 

Richard esfrega bastante a arma com um lenço. Nicolas está sentado em um banco de madeira.

 

NICOLAS – Deveria ter me chamado.

 

RICHARD – Não tive tempo.

 

NICOLAS – E agora?

 

RICHARD – Fez o que eu mandei?

 

NICOLAS – Não deu tempo. Quando eu cheguei lá, a droga da policia já estava em toda a casa.

 

RICHARD [Irritado] Imbecil! Eles podem saber que fui eu.

 

NICOLAS – Tinha câmeras?

 

RICHARD – Na casa não, eu quem paguei pela reforma e não coloquei câmeras, mas na rua pode ter.

 

NICOLAS – Não tem. Aquela área é particular, só se algum vizinho tiver.

 

RICHARD [Preocupado] O que farei agora?

 

NICOLAS – Livre-se da arma e continue vivendo.

 

Nicolas levanta.

 

RICHARD – É, mas… Tenho uma ideia melhor.

 

NICOLAS – Como assim?

 

RICHARD – Já sei o que você vai fazer.

 

NICOLAS – Eu?

 

CORTA PARA:

 

CENA 04 – EXT – TORMENS FALLS – FLORESTA/TRILHA – TARDE

 

Alec caminha pensativo, suas mãos estão em seus bolsos e ele anda lentamente. O celular dele toca e ele vê que é Agatha e desliga o aparelho. Alguém corre em direção dele, Jessie, cabelos preso em um rabo de cavalo, uma blusa e um short de caminhada, tênis e fone de ouvido.

 

JESSIE[Sorrindo] Oi.

 

ALEC – Oi.

 

JESSIE – Fazendo o que por aqui?

 

ALEC – Pensando.

 

JESSIE – Um bom lugar para pensar, mas acho que sei de um melhor.

 

ALEC – Aonde?

 

JESSIE – Vem comigo.

 

Ela corre para o lado e Alec vai atrás dela. Eles chegam a um lago.

 

ALEC – Nossa!

 

JESSIE – Venho aqui às vezes.

 

Ela se senta à beira do lago e ele ao lado dela.

 

JESSIE – Então, o que te perturba, Alec?

 

ALEC – Minha vida.

 

JESSIE – Imagino! Ser acusado de algo que não fez é bem pesado mesmo.

 

ALEC – Como assim? Acha mesmo que…

 

JESSIE – Claro. Você não me parece que matou aquela menina.

 

ALEC – Se todos acreditassem em mim como você acredita.

 

JESSIE – É só dar tempo ao tempo e eles vão acreditar, agora esquece isso um pouco.

 

Jessie levanta e tira o tênis, ela tira a blusa e o short e fica apenas de roupas íntimas, ela joga o celular e o fone sobre as roupas e solta o cabelo.

 

JESSIE[Olhando para Alec] Vamos mergulhar!

 

Ele fica surpreso com a garota, mas a segue. Tira o sapato e toda a sua roupa ficando apenas de cueca e se joga no lago.

 

JESSIE – A água está ótima.

 

ALEC – Um pouco fria, mas legal.

 

Ela ri e joga água nele, Alec revida. Ele mergulha e puxa Jessie pelas pernas e ela acaba afundando. Eles voltam e respiram. Eles trocam olhares e sorrisos.

 

JESSIE – Você é um cara bacana, Alec. Não deixe que opiniões alheias te afetem.

 

ALEC – Valeu!

 

Ela vai até ele e Alec fica nervoso. Jessie coloca os braços em volta do pescoço dele e aproxima seus lábios do de Alec.

 

JESSIE – Não posso deixar esse momento passar.

 

Ela o beija. Alec fica paralisado e Jessie assume toda a situação. Alec puxa a garota para mais perto de si e retribui o beijo. Jessie se vira.

 

JESSIE – Tire meu sutiã.

 

Alec não fala nada e tira à peça da garota, ela se vira e mostra os seios, Alec fica encarando-os, ele parece tenso.

 

JESSIE – Já fez isso antes?

 

ALEC – Não. No Reformatório…

 

JESSIE[Tampando a boca dele] Já entendi. Então deixa que eu te mostro como se faz.

 

Ela empurra Alec até a beira do lago. Ele fica parado e ela beija o pescoço e peitoral dele. A água está um pouco abaixo de sua cintura e Jessie vai beijando a barriga dele e descendo cada vez mais, Alec a puxa.

 

ALEC – Eu não posso!

 

JESSIE – O quê? Por quê?

 

ALEC – Não é o momento. Você é uma garota ótima, linda e muito gostosa, mas…

 

JESSIE – Já entendi. Você gosta de outra?

 

Alec fica calado. Jessie se aproxima e sussurra no ouvido dele.

 

JESSIE – Posso só te ensinar. Garanto que não vai se arrepender.

 

Alec fica imóvel e ela volta a beijá-lo. Jessie desce as mãos pelo corpo dele e tira a cueca do garoto e depois sua calcinha.

 

JESSIE – Hoje você consagra o homem que existe em você por completo, Alec.

 

Ela o puxa para fora da água e estão pelados completamente. Ela faz Alec se deitar sobre as roupas e depois vai para cima dele e eles transam ali, à beira do lago no fim de tarde.

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – TORMENS FALLS – IGREJA – SALÃO – TARDE

 

O pastor pega sua bíblia e marca alguns versículos. Oliver está mexendo na última caixa de som, quando uma mulher, cabelos castanhos e curtos, saia longa e blusa de manga e olhos castanhos, se aproxima.

 

OLIVER – Oi, Mãe.

 

PASTOR ARTURO – Oi querida.

 

OLÍVIA – Vim busca-lo, querido.

 

PASTOR ARTURO – Já está na hora do encontro?

 

OLÍVIA – Sim. Quatro da tarde lembra?

 

Ele pega a bíblia e passa a mão em sua roupa.

 

PASTOR ARTURO – Lembro. Filho quando acabar pode fechar a igreja?

 

OLIVER – Claro.

 

OLÍVIA – E vá direto para casa, querido.

 

OLIVER – Ok. Mas à noite encontrarei a Agatha.

 

PASTOR ARTURO – Tenha cuidado. Vemo-nos em casa.

 

Eles saem. Oliver comemora, mas Ben entra.

 

BEN – Isso tudo porque os pais saíram?

 

OLIVER – O que faz aqui?

 

BEN – Estava em um escritório aqui perto, fazendo entrevista de emprego, lembra?

 

OLIVER – Conseguiu?

 

BEN – Não. Mas continuo tentando.

 

Pietro entra e Ben o encara.

 

PIETRO – Oliver, quem é ele?

 

OLIVER – Amigo do Alec. Ben, esse é o irmão da Agatha, Pietro.

 

BEN – Tudo bem, cara?

 

Ambos se cumprimentam. Os três ficam em silêncio e Ben observa os olhares.

 

BEN – Preciso ir. Tenho outra entrevista agora as cinco no centro da cidade. Foi um prazer, Pietro e até mais Oliver.

 

OLIVER – Até. Tchau!

 

Ele sai. Pietro olha para Oliver.

 

PIETRO – Ele gosta de você?

 

OLIVER – Ele nem é gay e eu não o suporto, acho-o estranho e só o Alec não enxerga.

 

Pietro agarra Oliver e o beija.

 

PIETRO – Já estava com saudades.

 

OLIVER – Eu também, mas não podemos…

 

Pietro tira a camisa.

 

OLIVER – Está doido? Eu não…

 

Ele olha a barriga definida de Pietro e solta a ferramenta de sua mão.

 

PIETRO – Vamos aproveitar que estamos sozinhos.

 

OLIVER – Ok.

 

Oliver corre e fecha a porta principal da igreja e volta para os braços de Pietro.

 

OLIVER – Que Deus nos perdoe.

 

PIETRO – Amém!

 

Eles se agarram e transam ali mesmo.

 

CORTA PARA:

 

CENA 06 – INT – TORMENS FALLS – CLÍNICA PSIQ. – QUARTO 18 – TARDE

 

Mauro disfarçado como hippie entra ao quarto e se surpreende ao encontrar Mariane.

 

MARIANE – Quem é você?

 

MAURO[Mudando a voz] Sou tio da moça que você cuida.

 

MARIANE[Desconfiada] Tio? O Richard não mencionou nenhum tio.

 

MAURO – É… Cheguei hoje à cidade, só para vê-la.

 

Mariane pega a seringa em seu bolso.

 

MARIANE – Acho que já deve ir, senhor. Não é horário de visitas.

 

MAURO – Não? E como outros pacientes estão recebendo seus familiares e amigos?

 

Mariane tenta inventar algo, mas não consegue.

 

MARIANE – Ok. Seja rápido!

 

Mauro se aproxima de Nina e alisa a cabeça dela.

 

MAURO – Acha que o marido fez o certo, internando-a?

 

MARIANE – Sim. Ele fez de tudo para ajudar a esposa, é um bom homem.

 

MAURO – Bom? Que tipo de bom homem interna a mulher aqui e ninguém da família é avisado ou se quer o filho sabe o porquê dela estar aqui?

 

MARIANE – Sinto muito, senhor. Acho que já deu. Precisa ir!

 

MAURO – Certo! Já vi que não vou conseguir arrancar nada de você desta forma.

 

Ele olha para a porta e depois para Mariane.

 

MAURO – Eu sei que o Richard não vale nada. E sei que ele internou a mulher aqui com a desculpa dela está louca e também ele a quer assim, dormindo, para que ela não fale algo que sabe. Mas a pergunta é o que ele esconde?

 

Mariane olha para Mauro em silêncio por alguns segundos.

 

MARIANE – Como sabe o meu nome se eu não me apresentei quando entrou? Quem é você?

 

MAURO – Tem seu nome bordado em seu jaleco. E a pergunta não é quem sou eu, e sim, quem é Richard Porter?

 

MARIANE – Não sei nada além de que ele é um bom marido. Não conheço esse Richard de quem tanto suspeita.

 

MAURO – Será?

 

MARIANE – Chega! Preciso cuidar de outros pacientes.

 

Mauro pega um papel em seu bolso e entrega-o para Mariane.

 

MAURO – Se quando você se lembrar do Richard que estou falando, ligue para esse número no papel e nos encontraremos. Eu sei que você entende do que eu falo, ele não merece seu silêncio. Mostre que você é melhor que isso e tudo vai ficar bem para você, eu prometo!

 

Ele beija a testa de Nina e se vira para sair.

 

MARIANE – Qual o seu nome?

 

MAURO[Sorrindo] Foi um prazer, Mariane.

 

Ele sai e fecha a porta. Mariane olha o número no papel e fica pensativa.

 

CORTA PARA:

 

CENA 07 – EXT – TORMENS FALLS – FLORESTA/LAGO – FIM DE TARDE

 

Jessie coloca a blusa e prende seu cabelo. Alec sai do lago e agarra a garota e a beija. Ele veste a roupa ainda molhado.

 

ALEC – Temos mesmo que voltar para a cidade?

 

JESSIE[Sorrindo] É preciso, não acha?

 

ALEC – É que está tão bom ficar aqui com você.

 

JESSIE – Podemos ter vários momentos como esse lá. Somos maiores de idade e só depende de querermos.

 

ALEC[Sem jeito] É que… Eu não sei se…

 

JESSIE – Já sei. A garota, certo?

 

ALEC – Foi muito bom o que aconteceu entre nós e eu jamais vou esquecer, mas é que eu não vou me sentir confortável com… Isso!

 

JESSIE – Isso?! Ok.

 

Ela coloca o tênis e vai andando rapidamente. Alec pega seu sapato e vai atrás dela, ele a segura pelo braço.

 

ALEC – Desculpa ok? Eu não quis tratar nossa relação como um nada.

 

JESSIE – Agora é uma relação? Olha, eu não fiz sexo com você só porque te acho gostoso ou porquê tive tesão naquele momento, eu realmente vejo algo em você. Desde o supermercado eu fiquei pensando em como me aproximar e como ter um momento com você e não falo só no sexo, mas também uma amizade. Não estou dizendo que por isso que aconteceu, devemos namorar, mas ao menos não me trate como uma vadia e sim como… Uma amizade colorida.

 

Alec sorri e olha para ela.

 

ALEC – Ok. Pisei na bola agora e quero me redimir. Podemos marcar um jantar? Tem razão sobre sermos amigos e fico feliz que tenha me achado interessante, mesmo que com um carrinho de supermercado e sem saber escolher um bom vinho.

 

JESSIE – Está brincando, não é? Cara olha para você! É bonito, simpático e mega carinhoso, não ache que por ser conhecido negativamente, você seja realmente negativo. Eu não vejo nada além de coisas boas em você.

 

ALEC[Surpreso] Nossa! Ninguém nunca falou tão bem assim de mim, nem parece que estava falando de Alec Porter.

 

JESSIE – O Alec em minha frente é tudo isso e mais um pouco.

 

Ela se aproxima dele e lhe dá um selinho.

 

ALEC – Posso não corresponder o que sente por mim, mas tentarei ser um bom amigo.

 

JESSIE – Isso já basta. [Rindo] E não ache que te pedi em namoro.

 

ALEC[Rindo] Claro. Nem pensei isso.

 

Eles caminham de volta para a trilha que vai para a cidade.

 

CORTA PARA:

 

CENA 08 – EXT – TORMENS FALLS – COFFEE SPOT – QUASE NOITE

 

A garçonete entrega um prato com salgados e dois copos com sucos, um de maracujá para Agatha e outro com Uva para Maya.

 

MAYA[Comendo um salgado] Só queria me desculpar e conferir se estava tudo bem entre nós. Desde aquele dia no ginásio quando o Alec agrediu o Raul que você não me liga.

 

AGATHA – É. Tive uns pequenos imprevistos e acabei me esquecendo de te ligar, mas não se preocupe. Estávamos todos alterados e de certa forma você fez o que qualquer ser humano faria em uma situação como aquela.

 

MAYA – Então como estão as coisas?

 

AGATHA – Normais. Pelo menos para mim!

 

MAYA – Eu sei que esse assunto não sai da boca de todos e entendo se não quiser comentar, mas preciso saber.

 

AGATHA – O quê? Fala!

 

MAYA – Acha que o Alec matou a Amélia? Já que é amiga dele.

 

AGATHA – Não gosto de falar disso mesmo, mas acredito que o Alec não seja o culpado.

 

MAYA – Se você diz, não é.

 

Maya bebe e come. Agatha fica olhando-a confusa.

 

AGATHA – Como assim, “se você diz”? Senti uma ironia.

 

MAYA – É que… Agatha assume logo que você é apaixonada pelo Alec.

 

Agatha tosse e bebe seu suco.

 

AGATHA – Eu não sou… Apaixonada pelo o Alec.

 

MAYA – Jura? Vai mesmo mentir para mim? Somos amigas há quase três anos, te conheço um pouco, mas sei quando algo está acontecendo com você.

 

AGATHA[Cabisbaixa] Eu sei! Na verdade, eu acho que não quero assumir isso nem para mim.

 

MAYA – Acha que ele não gosta de você?

 

AGATHA – Pior que eu acho que ele sente algo, mas é que você não entende. Namorar o Alec seria um grande problema.

 

MAYA – É. Acho que eu imagino o problema.

 

AGATHA – Imagina?

 

MAYA – O lance do irmão, não é?

 

AGATHA – Não. Eu só acho que…

 

O celular de Maya vibra várias vezes e ela o pega e mexe.

 

MAYA[Espantada] Oh meu Deus! Isso é mesmo real?

 

AGATHA[Curiosa] O que foi?

 

MAYA – Agatha, não sei como te falar, na verdade é melhor te mostrar.

 

Maya vira o telefone para Agatha e ela assiste a um vídeo onde mostra Oliver e Pietro transando na igreja.

 

AGATHA – Essa não!

 

MAYA – Sabia disso?

 

AGATHA[Apressada] Tenho que ir! Isso não vai acabar bem.

 

Ela entrega algumas notas em dinheiro para Maya e pega sua bolsa e sai correndo.

 

CORTA PARA:

 

CENA 09 – INT – TORMENS FALLS – MANSÃO PORTER – SALA – NOITE

 

Richard desce a escada com uma calça moletom preta, camiseta cinza e cabelos recém-lavados. Ele vai ao balcão e já coloca uísque em um copo e bebe. Nicolas está sentado no sofá.

 

RICHARD – A Mariane me ligou e disse que um cara estava lá perguntando sobre mim e falou que era da família da Nina. Acho que foi um tio e eu não me lembro de tio algum que fosse próximo a ela, na verdade, ela tinha apenas uma tia e isso me deixou com dúvidas.

 

NICOLAS – Qual?

 

RICHARD – Alguém está me investigando.

 

NICOLAS – Acha que é seu filho?

 

RICHARD – Não sei. O Alec se faz de espeto, mas é um tolo e mesmo assim se for ele, ficará ocupado, eu espero.

 

NICOLAS – Porque me chamou aqui? Quer que eu execute algo?

 

RICHARD – Chegou tarde à casa da Kate Jones e a polícia deve estar investigando a morte dela e é culpa sua.

 

NICOLAS – Eu sei. Foi mal aí!

 

RICHARD – Desta vez eu quero algo diferente. Algo que não seja tão na cara.

 

NICOLAS – Quem você quer apagar?

 

RICHARD – Vai ouvir o meu plano e executar como combinado. Entendeu?

 

NICOLAS – Você quem manda chefe.

 

RICHARD – Ótimo!

 

Ele se senta e Nicolas o escuta. Richard explica tudo ao bandido.

 

CORTA PARA:

 

CENA 10 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – SALA – NOITE.

 

Alec entra um pouco molhado e Ben está comendo um sanduíche sentado no sofá.

 

BEN – O que aconteceu?

 

Alec está sorridente e tenta disfarçar.

 

ALEC – O quê?

 

BEN – Está molhado e com esse sorriso tosco na cara. Parece até que… Você estava com alguém?

 

ALEC – Falo sobre isso depois. Faz tempo que chegou?

 

BEN – Não. Acho que faz vinte minutos. Passei a tarde procurando emprego.

 

ALEC – Conseguiu?

 

BEN – Não. Amanhã tento mais.

 

Alec toma um banho rápido e sai enrolado, ele veste uma bermuda, camiseta de mangas longas e enxuga o cabelo. Ben coloca o prato na pia, quando a campainha toca. Ben corre e abre a porta e é a detetive Preston, o delegado Carlos e dois policiais.

 

DEL. CARLOS – Boa Noite! Você é?

 

BEN – Benjamin Young, mas pode me chamar de Ben.

 

DEL. CARLOS – Oi, Ben. O Alec está em casa?

 

Alec vai até a porta.

 

ALEC – O que houve? Algum problema?

 

DEL. CARLOS – Oi Alec. Será que podemos entrar e olhar o seu apartamento?

 

ALEC[Confuso] O quê? Como assim?

 

DET. PRESTON – Desculpa delegado, mas essa sua paciência é quem o torna devagar. Estou no caso e tenho um mandato, então… Policiais, olhem o local.

 

Os dois policiais entram e começam a revirar tudo.

 

ALEC – Tem um mandato para bagunçarem a minha casa, mas será que posso saber o que estão procurando?

 

DET. PRESTON[Irônica] Claro. Recebemos uma ligação anônima em que diz que você pode ser culpado por assassinar Kate Jones e sua empregada nesta manhã, já que fez uma visitinha para ela, não?

 

ALEC – O quê? A Kate está morta?

 

DET. PRESTON – Que ótimo! Você não sabia? [Debochada] Fingirei que acredito.

 

ALEC[Surpreso] Senhor Carlos, isso é mesmo verdade?

 

DEL. CARLOS – É sim, sinto muito.

 

Ben se aproxima de Alec.

 

BEN [Sussurrando] Devo ligar para o seu amigo?

 

ALEC – Oliver?

 

BEN – Não. O cara estranho, aquele que…

 

ALEC – Ah! Vamos esperar, tenho certeza que isso é mais um…

 

POLICIAL – Acho que encontrei algo.

 

Um dos policiais afasta a geladeira e pega um pequeno saco preto que estava ao lado, entre a geladeira e o armário.

 

DET. PRESTON – O que é isso? Algo suspeito?

 

O policial puxa algo de dentro, uma arma.

 

DET. PRESTON – Ora, Ora como eu suspeitava.

 

Ela olha para Alec e sorri.

 

ALEC – Eu não…

 

DET. PRESTON[Cortando] Não sabe o quanto eu queria dizer isso… Alec Porter, você tem o direito de permanecer calado, tudo que você falar agora, deverá e poderá ser usado contra você. Prendam-no!

 

O outro policial algema Alec e antes de sair ele olha para Ben.

 

ALEC[Mexendo os lábios] Avise ao Mauro!

 

Alec é levado pelo policial, em seguida, saem a detetive e por último o delegado.

 

 

FADE OUT.

 

–FIM DO EPISÓDIO–

Criado e Escrito por:

Marcos Henrique

 

Supervisão Textual e Argumentos por:

Kaio Gomez.

 

Realização:

Unbroken Productions

 

         Unbroken Productions Original Series   

2016 – STORMY SECRETS – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.