FADE IN:

 

CENA 01 – INT – TORMENS FALLS – DELEGACIA/SALA DE INTER. – NOITE

 

Alec está sentado em uma das cadeiras, ele balança a perna sem parar e demonstra nervosismo. O Delegado Carlos o observa pelo vidro e a detetive entra à sala.

 

DET. PRESTON – Quando quiser começar.

 

ALEC – Está achando mesmo que eu matei a Kate, não é? A sua vontade é me prender.

 

DET. PRESTON – Não acho que matou ela, tivemos certeza ao encontrar a arma em sua casa e você já está preso. Poupe-nos da perda de tempo e dê logo seu depoimento.

 

ALEC – Quero falar com o delegado e só vou abrir minha boca quando meu advogado chegar.

 

DET. PRESTON – Você só está piorando tudo isso. Não tem para onde correr, já está detido.

 

O delegado ENTRA.

 

DET. PRESTON – O que é isso? Esse caso é meu e…

 

DEL. CARLOS – Sou o delegado, entro quando e onde quiser.

 

DET. PRESTON – Se depender de mim, não por muito tempo.

 

Ela sai e bate à porta.

 

DEL. CARLOS – O que foi?

 

ALEC – Não matei a Kate e nem a empregada.

 

DEL. CARLOS – Mas esteve na casa dela?

 

ALEC – Sim. Eu fui com a Agatha e o Oliver e…

 

DEL. CARLOS – Agatha? Desde quando ela está envolvida em suas confusões?

 

ALEC – Ela e o Oliver quiseram ir comigo, fomos atrás de respostas.

 

DEL. CARLOS – Respostas para quê?

 

ALEC – Não posso falar, mas…

 

DEL. CARLOS – Esconder as coisas de mim não vai ajudar.

 

ALEC [Respirando fundo] Fui à casa da Kate com eles, pois queria que ela me falasse o que realmente aconteceu no dia da morte do Brandon.

 

DEL. CARLOS – Por quê?

 

ALEC [Tenso] Porque não me lembro de muita coisa naquele dia, mas tenho certeza de que… Eu não matei o meu irmão!

 

DEL. CARLOS – O quê?

 

CORTA PARA:

 

CENA 02 – INT – TORMENS FALLS – RESID. MENDEL – SALA – NOITE

 

Agatha entra e vê a mãe chorando e sentada na poltrona. Oliver e Pietro estão de frente a ela sentados ao sofá.

 

AGATHA – Vim o mais rápido que pude.

 

OLIVER – Você já viu?

 

Ele vira o notebook e mostra o vídeo.

 

OLIVER – Está em todo lugar e já tem mais de dez mil compartilhamentos.

 

AGATHA – Eu sinto muito!

 

OLIVER – Olha o título: DEPRAVAÇÃO: FILHO DE PASTOR É UMA BICHINHA E TRANSA COM O FILHO DO DELEGADO NA IGREJA!

 

Agatha fecha o notebook e senta-se ao meio dos dois.

 

AGATHA – Eu sei que vai ser difícil, não só pelo vídeo, mas por toda essa situação e vocês precisam ser fortes.

 

PIETRO[Chorando] Como? Com certeza depois disso serei expulso do time do colégio, minha reputação está no lixo. Veja os comentários em meu perfil nas redes sociais, estou sendo xingado de tudo e por todos.

 

AGATHA – Está preocupado com sua reputação? Deveria se unir ao Oliver e juntos passar por isso.

 

Pietro fica calado e Agatha olha para a mãe.

 

AGATHA – Tudo bem, Mãe?

 

LAUREN – Não. O que o seu pai vai achar disso quando assistir a isso?

 

PIETRO – Ele vai me colocar para fora de casa.

 

LAUREN – Não. Isso jamais! Não vou permitir que só porque você seja gay, ele te coloque para fora.

 

PIETRO [Surpreso] O quê?

 

Lauren vai até o filho e senta ao lado dele, ela o abraça.

 

LAUREN – Não me importa que seja gay filho. Mas deveria ter me falado, poderia ser diferente. E não vou mentir dizendo que não erraram, porque fizeram sexo em uma igreja. Cadê o respeito? E a moral de vocês, como que será agora? Só pensem o quanto vão ser criticados e como a falta de respeito será enorme com vocês. E se você é feliz sendo gay, que seja. Só quero o seu bem e sei que o Oliver é um ótimo garoto. O meu choro é só porque descobri da forma mais terrível possível e quem fez isso deverá pagar.

PIETRO[Chorando] Obrigado! Estou tão envergonhado.

 

Lauren levanta e vai à cozinha.

 

AGATHA – Viram? Uma conversa às vezes resolve tudo.

 

OLIVER – Com vocês pode até ser, mas quando eu pisar em casa, jamais serei abraçado ou entendido.

 

Oliver chora e é abraçado por Agatha.

 

PIETRO – Qualquer coisa é só me ligar, Oli.

 

OLIVER – Ok. Preciso ir agora, devo enfrentar a fera.

 

AGATHA – Vou com você.

 

OLIVER – Não. Isso é uma coisa que devo fazer sozinho e já que chegou a hora, eu preciso ser forte e dizer a eles quem realmente eu sou.

 

AGATHA – Só saiba que estou orgulhosa de você.

 

PIETRO – Estamos juntos, saiba disso.

 

OLIVER – Obrigado! Amo vocês.

 

Os três se abraçam.

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – INT – TORMENS FALLS – CLÍNICA PSIQ. /ENTRADA – NOITE

 

Três mulheres saem da clínica e seguem seu caminho. Mariane procura algo em sua bolsa apressada e nervosa.

 

MARIANE[Falando sozinha] Cadê essa maldita chave?

 

Mauro está observando tudo dentro de um dos carros estacionados. Ele está vestido formalmente e não mais como hippie. Mariane acha a chave e fecha à bolsa, Mauro abre a porta para descer e Mariane caminha atravessando a rua em direção do seu carro, Mauro sai do veículo dele e ver um carro preto em alta velocidade se aproximando de Mariane.

 

MAURO[Gritando] Mariane, cuidado!

 

Ela olha para o lado, mas é tarde. O veículo preto, com vidros escuros e sem placa atropela Mariane, que cai ao meio da estrada, ela bate a cabeça no asfalto e rapidamente o sangue se espalha, ela está inconsciente.

 

MAURO – Meu Deus!

 

Ele pega o celular e chama a emergência. Mauro corre até a mulher e sente o pulso dela.

 

MAURO – Graças a Deus! Você não pode morrer.

 

Ele olha o carro preto sumir no fim da rua. Mauro avista a ambulância se aproximar.

 

MAURO – Você vai ficar bem.

 

Ele corre para o seu carro e vai embora.

 

CORTA PARA:

 

CENA 04 – INT – TORMENS FALLS – DELEGACIA/SALA DE INTER. – NOITE

 

O delegado Carlos está sentado em frente a Alec e em silêncio.

 

ALEC – Sinto muito não ter falado antes.

 

DEL. CARLOS – Alec, isso é grave demais.

 

ALEC – Eu sei. E por isso não falei antes, ninguém iria acreditar sem ter provas. Fui atrás da Kate, pois naquele dia só estavam lá, Brandon, eu, Kate e o meu pai.

 

DEL. CARLOS – Ela deu o depoimento alegando que não viu a cena, mas que o Brandon caiu e já estava morto. Não achei que ela estava mentindo, você acreditava que ela sabia de mais alguma coisa?

 

ALEC – Eu não sei. Eu fui lá apenas para ela me relembrar, já que depois que ela me levou o suco, eu dormi por alguns minutos e depois disso não me lembro de exatamente do que aconteceu. Só que o senhor me interrogava.

 

O delegado levanta e fica agitado.

 

DEL. CARLOS – Deveria ter me dito isso antes.

 

ALEC – O foco agora é outro, preciso provar que não matei a Amélia, a Kate e a empregada, três mortes que sou suspeito, mas não o culpado.

 

DEL. CARLOS – Então acha que alguém está armando para você?

 

ALEC – Sim. Lembra-se do Mauro, o advogado do meu pai?

 

DEL. CARLOS – Sim. O que está cuidando do seu caso.

 

ALEC – Ele mesmo. Ele me falou…

 

Mauro entra bastante agitado e ofegante.

 

MAURO – Desculpa a demora, tive um imprevisto.

 

DEL. CARLOS – Tudo bem. Continue Alec.

 

MAURO – O que está dizendo a ele? E o que aconteceu para você ser preso?

 

ALEC – Estou sendo preso por encontrarem a arma que matou Kate Jones e a empregada em minha casa.

 

MAURO – Ele deve ter armado de novo.

 

DEL. CARLOS – Ele quem? Do que está falando?

 

ALEC – O Mauro descobriu que o meu pai foi quem mandou matar a Amélia e por isso ele mandou o bandido dele matar o Mauro, mas ele conseguiu fazer um acordo com o cara e pôde voltar e me alertar.

 

O delegado fica boquiaberto e se senta.

 

DEL. CARLOS – Isso é mesmo verdade? O Richard quis te culpar pelo assassinato da menina?

 

ALEC – Também estou surpreso, mas o Mauro acha que sim. E depois que fui à casa da Kate com o Oliver e a Agatha, nós fomos embora e ela ficou desconfiada. Ela mentia sobre algo, ela sabia de alguma coisa e mentiu para mim.

 

DEL. CARLOS – Você tem provas que pode afirmar que o Richard pode ser o culpado?

 

MAURO – Não ainda, mas acho que uma pessoa sabe sobre os podres dele. E aposto que o Richard matou a Kate e a empregada depois que o Alec a visitou e mandou colocar a arma do crime na sua casa. Quem estava lá hoje?

 

ALEC – Ninguém. O Ben estava fazendo entrevistas e eu estava…

 

DEL. CARLOS – Estava com quem?

 

ALEC – Com uma amiga. Nós estávamos na floresta, no lago.

 

DEL. CARLOS – Essa sua amiga…

 

ALEC – Não foi a Agatha.

 

DEL. CARLOS – Ótimo!

 

MAURO – Foi o momento em que o Richard aproveitou e mandou colocar a arma no apartamento, eu tenho quase certeza.

 

DEL. CARLOS – Como?

 

MAURO – Ele não executa os trabalhos, ele manda. O bandido que quase me matou e com certeza matou a Amélia, se chama Nicolas.

 

DEL. CARLOS – Ok. Se essa história for verdade, precisamos agir.

 

A Detetive entra.

 

DET. PRESTON – Posso interroga-lo agora?

 

DEL. CARLOS – Já o fiz.

 

DET. PRESTON – O quê?

 

DEL. CARLOS – Vamos explicar a ela e aí pensamos em algo, certo?

 

ALEC – Tudo bem!

 

DEL. CARLOS – Sente-se, a história é longa.

 

Ela se senta e Alec conta tudo.

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – TORMENS FALLS – RESID. HARPER – SALA – NOITE

 

Oliver entra e fecha à porta, a casa é arrumada e está escura. O pai dele acende o abajur e ele se assusta.

 

OLIVER – Oi, Pai.

 

PASTOR ARTURO – Por quê?

 

OLIVER[Tenso] Com certeza já deve ter visto o vídeo.

 

PASTOR ARTURO – Todos da cidade já sabem. Por quê? Responda-me Oliver Harper, porque desonrar a família?

 

OLIVER[Chorando] Eu sinto muito, não queria ter que fazê-lo passar por isso. Mas pai, eu sou assim, eu nasci assim e não tenho culpa por ser gay.

 

PASTOR ARTURO – Gay! Você é mesmo… Gay?!

 

As lágrimas escorrem pelo rosto do pastor e Oliver fica encarando-o.

 

OLIVER – Eu jamais quis te desrespeitar ou envergonhar. Mas eu não posso mudar quem eu sou, eu já tentei acredite, mas não consegui. Eu escondi todos esses anos quem eu era, por você e pela mamãe, mas agora que descobriram de uma forma devastadora, não esconderei mais. É isso pai, eu sou gay.

 

O pastor Arturo se aproxima de Oliver e o acerta com uma tapa em seu rosto.

 

PASTOR ARTURO – Você é a desgraça da família, Oliver.

 

OLIVER – Pode me bater, me humilhar, xingar, o que for, mas eu sou gay e aceitando ou não, eu sou assim.

 

O pai dele chora ainda mais, a mãe Olívia desce a escada bastante emocionada.

 

OLIVER – Mãe! Eu queria dizer que sinto muito.

 

OLÍVIA – Nenhuma palavra que disser vai mudar o que está acontecendo e o que você é, cabe a nós aceitarmos.

 

PASTOR ARTURO[Surpreso] O quê?

 

OLÍVIA – Não queria que ele fosse assim também, mas ele é nosso filho e se temos um Deus, devemos estar com ele neste momento, aceitando ou não.

 

PASTOR ARTURO – Não vou viver com um demônio embaixo do meu teto. O nosso filho não é mais ele mesmo, ele se foi, só estamos vendo uma casca.

 

OLIVER – Não pai, eu estou aqui. Mas o senhor é cego demais para enxergar que eu sou o mesmo garoto que o senhor ama e que gay é só uma diferença em relação a atrações sexuais. Gay não é bicho ou outra espécie, somos todos iguais sendo gays ou não.

 

O pastor vai até ao lado da escada e puxa duas malas e as joga para fora de casa. Olívia chora desesperada e Oliver fica em silêncio.

 

PASTOR ARTURO – Fora da minha casa. Você a partir de hoje não tem pai ou mãe…

 

OLÍVIA [Cortando] Mãe ele terá sempre. Nunca que deixarei de ser sua mãe, querido.

 

PASTOR ARTURO – Desapareça da minha frente, Oliver. Saia da minha casa!

 

Oliver se vira para sair, mas antes ele olha para o pai.

 

OLIVER – Você fala tanto em Deus, mas não o deixa entrar em seu coração. Eu te amo pai e apesar de tudo isso, espero que um dia entenda e voltemos a ser uma família, porque a desgraça quem está causando, não sou eu.

 

Oliver sai e Arturo sobe a escada, furioso. Olívia abre a porta e vai até o filho.

 

OLÍVIA – Eu não queria que fosse assim.

 

OLIVER [Chorando] Eu sei mãe. Estou tão envergonhado com tudo isso.

 

Ele a abraça.

 

OLÍVIA – Onde passará à noite?

 

OLIVER – Eu não sei. Vou ligar para a Agatha e ver o que fazer.

 

OLÍVIA [Entregando-o a chave do carro] Quero que fique com o carro.

 

OLIVER – Não mãe e a senhora?

 

OLÍVIA – Ficarei bem.

 

Ele pega a chave do veículo.

 

OLIVER – Entre e cuide dele, eu entendo a raiva dele e espero que um dia ele me entenda.

 

OLÍVIA – Você é um menino tão bom.

 

OLIVER – Durma bem e desculpe mais uma vez.

 

Ele beija a testa da mãe e carrega as malas até o carro.

 

OLÍVIA – Que Deus esteja contigo.

 

OLIVER – Amém! Ele está sim.

 

Oliver entra no carro e acelera indo embora.

 

CORTA PARA:

 

CENA 06 – INT – TORMENS FALLS – DELEGACIA/SALA DE INTER. – NOITE

 

DET. PRESTON – Então é isso?

 

Ela fica encarando os três.

 

DEL. CARLOS – Eu pensei que se essa história for verdade, devemos…

 

DET. PRESTON – Não percebe que ele inventou isso? Esse garoto é um psicopata e está tentando nos desviar do verdadeiro fato.

 

MAURO – Tudo que o Alec disse é verdade.

 

DET. PRESTON – O garoto está culpando o próprio pai, isso é insano.

 

ALEC – Podemos conseguir provas!

 

DET. PRESTON – Como?

 

ALEC – Eu não sei, mas poderíamos…

 

DET. PRESTON – Chega! Vou dá entrada em seus papeis, você ficará preso e…

 

DEL. CARLOS – Não!

 

DET. PRESTON – Como é que é?

 

DEL. CARLOS – Tenho um plano.

 

DET. PRESTON – Sou a detetive aqui e eu achei o culpado e deve prendê-lo.

 

DEL. CARLOS – Seu oficial permitiu que eu ficasse de olho, ele disse que você iria querer finalizar o caso mais rápido e prenderia qualquer um que parecesse suspeito. Você é boa no que faz Miranda, mas agora é questão de verdade e eu não vou permitir que isso termine assim.

 

Ela fica séria e em silêncio.

 

DEL. CARLOS – Se quiser ouvir fique, se não saia e vá para casa.

 

Ela se senta.

 

DEL. CARLOS – Certo! Faremos o seguinte, se diz que o Richard é mesmo o grande culpado nisso, devemos obter provas e a maneira mais rápido que devemos fazer isso é com uma…

 

MAURO – Confissão!

 

DEL. CARLOS – Isso mesmo. O Richard deve confessar tudo que fez e aí sim o prenderemos. Ele deve dizer que mandou matar a Amélia e também a Kate e a empregada.

 

ALEC – Acha que dará certo?

 

DEL. CARLOS – Vamos esperar que sim.

 

MAURO – Como faríamos isso?

 

DEL. CARLOS – Vou explicar tudo, mas tudo vai depender do Alec. E se você conseguir que ele confesse, finalmente estará livre, se ele não falar nada que possa incriminá-lo, você será preso oficialmente. Entendeu?

 

ALEC – Sim.

 

DEL. CARLOS – Ótimo! Esteja aqui na delegacia amanhã bem cedo e vamos nos preparar para fazer isso.

 

Ambos se encaram.

 

CORTA PARA:

 

CENA 07 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – SALA – NOITE.

 

Ben entrega um copo com água para Oliver e senta em frente a ele.

 

BEN – Cara que barra. Sinto muito por isso!

 

OLIVER – Valeu.

 

BEN – A casa não é minha, mas com certeza poderá ficar, o Alec adora você e a Agatha.

 

OLIVER – Onde ele foi?

 

BEN – Não soube ainda? O Alec foi preso, ele saiu daqui levado pelo delegado, uma mulher e dois policiais. Acharam a arma do crime que matou a tal de Kate e a empregada. Acho que foi isso.

 

OLIVER – Kate Jones? Minha nossa! O Alec não a matou, eu e a Agatha estávamos com ele, aposto que armaram para ele.

 

BEN – Claro. O Alec não faria isso, ele é bom.

 

Oliver coloca o copo sobre a mesinha.

 

OLIVER – São tantas coisas acontecendo uma em cima da outra, estou ficando louco.

 

BEN – Pois é! Essa cidade não é o que eu imaginava. Quem será que gravou o vídeo de vocês?

 

OLIVER – Eu não sei. Mas vou descobrir e quando eu souber quem o fez, vai pagar por isso.

 

BEN – Tenta encontrar o IP do celular que gravou, com certeza deve descobrir. Soube que você é ótimo em eletrônicos, informática e tudo isso.

 

OLIVER – Eu precisaria encontrar a fonte, o primeiro lugar em que foi postado e só vi pelos compartilhamentos.

 

BEN – Que pena!

 

OLIVER – Pois é, mas uma hora descobrirei, eu tenho certeza.

 

Oliver pega suas malas e leva para o quarto. A porta da frente é aberta e Alec entra.

 

ALEC – Oi.

 

BEN – E aí? Como foi? Não ficou preso?

 

ALEC – Não. Foi um mal-entendido.

 

Oliver sai do quarto e Alec o olha.

 

ALEC – Oi.

 

OLIVER – Pelo visto não soube ainda.

 

ALEC – O quê?

 

BEN – Isso.

 

Ben pega o notebook na mesa e mostra a Alec o vídeo.

 

ALEC – Nossa, eu sinto muito, cara.

 

Alec abraça o amigo.

 

OLIVER – Valeu!

 

ALEC – E seus pais, o que disseram?

 

OLIVER – Minha mãe entende, mas claro que fica incomodada e o meu pai, jogou minhas coisas para fora e me expulsou de casa. E por isso vim aqui, não tenho onde…

 

ALEC – Nem termina, você está em casa. Não se preocupe!

 

OLIVER – Mas onde vou dormir? O sofá é do Ben e esse apartamento é com apenas um quarto.

 

ALEC – Minha cama é de casal, pode ficar lá.

 

BEN – Vão dormir juntos?

 

ALEC – O que isso tem de errado?

 

BEN – Nada, só fiquei… Esquece!

 

ALEC – Pode ficar lá, sem problemas.

 

OLIVER – Valeu.

 

Alec pega algumas coisas na geladeira.

 

ALEC – Estão com fome?

 

OLIVER – Bastante. Mas me conta o que aconteceu lá.

 

ALEC – É claro.

 

Ben e Oliver se sentam e Alec fala algumas coisas.

 

CORTA PARA:

 

CENA 08 – INT – TORMENS FALLS – RESID. MENDEL – SALA – NOITE

 

O delegado Carlos entra em casa e encontra a família na sala. Oliver e Agatha sentados em um sofá e Lauren de frente na poltrona.

 

DEL. CARLOS – Boa noite!

 

LAUREN – Não muito boa.

 

DEL. CARLOS – O que aconteceu?

 

Agatha pega o notebook e mostra o vídeo ao pai.

 

PIETRO – Antes que me bata ou me expulse, eu sinto muito. Eu não queria que descobrissem dessa maneira.

 

DEL. CARLOS [Encarando-o] O pior não é saber assim, mas saber que vocês ultrapassaram o respeito e fizeram ali na igreja. Onde estava sua consciência?

 

PIETRO – Pai, erramos sim, mas é que no momento não imaginávamos que seriamos gravados.

 

DEL. CARLOS – Ficará dois meses de castigo, vai se redimir publicamente com a cidade e sairá do time do colégio.

 

PIETRO – O quê? O time não, por favor.

 

DEL. CARLOS – Deve aprender com seus erros e por isso sairá.

 

PIETRO – Por favor, o time não.

 

DEL. CARLOS – Vamos conversar mais amanhã, tive um dia cheio e vou fazer de tudo que descubram quem gravou esse vídeo.

 

PIETRO – Não está furioso por eu ser gay?

 

DEL. CARLOS – Estou. Não queria que fosse, mas se você decidiu e é não posso mudar. Só peço que tenha cuidado, pois nem todos entendem.

 

PIETRO – Não vai me expulsar, me bater ou nada?

 

DEL. CARLOS – Não. Você é meu filho, se eu te expulsar você continuará sendo gay, se eu te bater, continuará da mesma maneira, o que vai adiantar? Nada!

 

Pietro abraça o pai. Agatha sorri e Lauren vai até eles.

 

LAUREN – Tenho orgulho da minha família. Amo vocês!

 

DEL. CARLOS – Lembre-se que está de castigo.

 

PIETRO – Ok.

 

Agatha olha o celular.

 

AGATHA – Enquanto aqui a coisa não está tão feia, o Oliver está na pior.

 

PIETRO – O que aconteceu?

 

AGATHA – O pai dele o expulsou.

 

LAUREN – Era de se esperar. Ele é o pastor e a religião em primeiro lugar.

 

AGATHA – Ele está na casa do Alec.

 

DEL. CARLOS – Falando em Alec, ele foi preso, mas já está em casa.

 

AGATHA – O quê?

 

DEL. CARLOS – Vamos jantar e eu conto a vocês.

 

Eles vão para a mesa.

 

CORTA PARA:

 

CENA 09 – INT – TORMENS FALLS – HOSPITAL – EMERGÊNCIA – NOITE

 

Mauro vai até a Recepção e uma senhora, cabelos grisalhos, um pouco gorda, pele morena, o atende.

 

MAURO – Procuro por Mariane. Ela foi atropelada esta noite e veio para cá.

 

A senhora olha a ficha e mexe no computador.

 

SENHORA – Ela está na Emergência.

 

MAURO – O Caso dela é grave?

 

SENHORA – O Médico dela está vindo, ele pode lhe passar mais informações.

 

Mauro corre até o médico. Um homem aparentemente jovem, cabelos pretos, pele branca, olhos escuros, barba por fazer e com um jaleco branco.

 

MAURO – Olá, doutor. Estou querendo informações da paciente Mariane. Ela foi atropelada esta noite.

 

Dr. HEITOR – Claro. [Olhando a ficha em sua mão] Mariane Severo, ela está sendo preparada para uma cirurgia, ela teve fraturas nas duas pernas e até o momento não acordou. Ela teve bastante sangramento e um começo de hemorragia cerebral.

 

MAURO – Essa não!

 

Dr. HEITOR – Faremos de tudo para ajudá-la.

 

MAURO – Tudo bem. Obrigado!

 

O médico se afasta. Mauro demonstra preocupação.

 

CORTA PARA:

 

CENA 10 – INT – TORMENS FALLS – CLÍNICA PSIQ. – QUARTO 18 – NOITE

 

O quarto está escuro. Apenas ouvimos o som do ar-condicionado e algumas falas dos pacientes do lado de fora. Nina está deitada e seus olhos se abrem, ela desperta. Ela olha em volta e não parece reconhecer o lugar. Ela vê uma seringa e um frasco quebrado ao lado da cama e sobre a mesinha onde está o abajur um bilhete em um papel branco, o mesmo que Mauro dera a Mariane mais cedo.

 

 Oi, Nina.

 

  Sou Mariane Severo e cuidei de você durante esses anos que esteve internada. O número que está atrás deste papel é de uma pessoa que se preocupa e está querendo lhe ajudar.

 

Peço-te perdão por tudo e espero que fique bem.

 

NINA [Assustada] Que lugar é esse?

 

Ela olha um celular na mesinha e o pega, ela vira o papel e encontra o número e o digita no aparelho, alguns minutos se passam e alguém atende.

 

[Conversa Telefônica – V.O]

 

PESSOA [V.O] – Alô, quem é?

 

NINA – Sou Nina Porter, quem fala?

 

PESSOA [V.O] – Mauro Ferraz.

 

Lágrimas escorrem pelo rosto de nina e ela sorri.

 

FADE OUT.

 

–FIM DO EPISÓDIO–

Criado e Escrito por:

Marcos Henrique

 

Supervisão Textual e Argumentos por:

Kaio Gomez.

 

Realização:

Unbroken Productions

 

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