FADE IN:

 

FLASHBACK (2009) – INT – T.F – MANSÃO PORTER – QUARTO (BRAND) – NOITE

 

Brandon, 14 anos, aparenta estar bastante enfurecido. Ele coloca algumas peças de roupas dentro de uma mochila, que está sobre sua cama, quando Richard entra ao quarto segurando um cinto e bastante alterado.

 

RICHARD[Gritando] Eu já disse que você não vai.

 

BRANDON – Que se dane. Eu não devo te obedecer!

 

RICHARD – Deve sim, pois eu sou seu pai e exijo respeito. Onde já se viu um garoto da sua idade chegar duas noites seguidas bêbado. Não permitirei esse comportamento em minha casa.

 

Brandon larga a mochila e olha para o pai.

 

BRANDON[Enfurecido] Tudo isso será meu e do Alec quando você morrer. Acha mesmo que eu ligo para sua opinião, não mais. Eu cansei de toda essa mentira e dessa inexistência de família feliz, quando na verdade, você e a mamãe são…

 

Richard acerta o cinto no rosto de Brandon e ele cai sobre a cama. Richard segura o garoto pelo braço.

 

RICHARD – Eu cansei dessa sua encenação de rebeldia. Você não passa de um moleque irresponsável e não vai ser nada, além disso. Tudo o que você tem hoje, eu quem te dei. Você descobriu algo que não devia e agora precisa lidar com isso ou…

 

BRANDON [Cortando] Ou o quê? Papai! Eu não tenho medo de você, Richard Porter. Só porque é um homem conhecido, milionário e poderoso, acha que pode tudo? Engano seu! Sou apenas um garoto irresponsável, mas tenho personalidade e valor, diferente de você. Eu sempre soube que você me detestava que não tinha amor nem pela mamãe, você só pensa no dinheiro e isso basta, não é? Lide você com sua consciência, se é que existe uma.

 

Richard solta o garoto e derruba os quadros da parede com os pôsteres das bandas preferidas de Brandon.

 

RICHARD – Você acha que sabe de tudo, não é? Acha que porque ouviu o que não devia e se revoltou é o dono da razão? Você não me conhece, Brandon. Não sabe o quanto o meu nome é poderoso, mas pode ter certeza que tudo isso vai mudar. Ouse me desrespeitar mais uma vez e veremos o quanto você resiste.

 

Richard olha para o garoto que está ainda jogado sobre a cama e sai do quarto. Brandon pega sua mochila e a lança em direção do computador. Alec aparece na porta do quarto do irmão e Brandon percebe.

 

BRANDON[Preocupado] Você não estava ouvindo, não foi?

 

ALEC – A casa é enorme, mas não sou surdo, Brand.

 

BRANDON – Vem aqui.

 

Alec vai até ele e Brandon segura em sua mão.

 

BRANDON – Olhe, saiba que apesar de tudo, somos irmãos e eu amo você. Não importa o que eu diga ao papai ou o que ele me diga, o nosso problema é nosso e você não deve achar que está envolvido. O meu sangue está em você e o seu em mim, somos irmãos e nada ou ninguém mudará isso, certo?

 

ALEC – Sim. Mas… Não deveria gritar com ele daquela forma. Ele é nosso pai e você passou dos limites esses dias, não acha?

 

BRANDON – Eu sei. Estou errado, mas você não entende. As coisas não são exatamente como parecem, sempre haverá um por que.

 

Brandon abraça o irmão.

 

BRANDON – Só saiba que eu amo você, ok?

 

ALEC – Também te amo!

 

[FIM DO FLASHBACK]

 

FUSÃO PARA:

 

CENA 02 – EXT – TORMENS FALLS – CEMITÉRIO – MANHÃ

 

O cemitério é enorme, com as lápides ao chão marcando o túmulo dos demais corpos. Alec está em frente ao túmulo de seu irmão Brandon, na lápide está uma pequena foto de Brandon e escrito o dia de seu nascimento e de sua morte.

 

ALEC [Falando olhando para a foto na lápide] Sinto tanto por não tê-lo aqui. Você sabia dizer a coisa certa no momento errado e dava conselhos como um sábio. Onde quer que esteja, deve está me observando. Pensei em vir aqui, pois eu não sei o que fazer.

 

Ele ajoelha-se.

 

ALEC [Tocando a grama] Acho que hoje é um grande dia. Um dia que descobrirei os porquês da minha vida. Você falava tanto em porquês que nem parecia ter apenas a idade que tinha.

 

As lágrimas escorrem pelo rosto de Alec, quando uma mão toca seu ombro e ele olha para cima e Agatha o encara.

 

AGATHA – Você está bem?

 

ALEC – Bem não é uma palavra que me define hoje.

 

AGATHA – Liguei para a sua casa e o Oliver disse que você viria aqui. Fiquei preocupada por ontem, você foi preso e eu nem pude fazer nada.

 

ALEC – Tudo bem. Tudo que aconteceu, na verdade pode ser a minha libertação.

 

AGATHA[Confusa] Como assim?

 

ALEC – Não posso te falar, mas saberá logo.

 

Ele olha o relógio.

 

ALEC – Tenho que ir.

 

AGATHA – Aonde você vai?

 

ALEC – Resolver uma coisa que já deveria ter feito há bastante tempo.

 

Ele passa por ela, mas Agatha segura à mão dele.

 

ALEC – O que foi?

 

Agatha se aproxima dele lentamente e encosta seus lábios ao de Alec em um beijo molhado, calmo e quente. Ele coloca as mãos na cintura dela e a pressiona contra seu corpo e retribui o beijo com mais intensidade, até que ela se afasta.

 

AGATHA[Sorrindo] Fiz algo que deveria ter feito há bastante tempo.

 

ALEC – E você não sabe o quanto esperei.

 

AGATHA – Não tinha que ir resolver algo?

 

ALEC – Eu realmente preciso.

 

AGATHA – Só volte logo, ok?

 

ALEC – Se for para ter mais como esse, eu volto sim.

 

Ele a beija novamente, mas se afasta logo em seguida e segue seu caminho. Agatha sorri e toca os lábios.

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – COZINHA – MANHÃ.

 

Oliver está preparando o café da manhã. Ele abre o grande armário prateado e pega duas xícaras, ele desliga o fogo que assara bacon e ovos. Ben acorda e levanta se espreguiçando, ele está apenas de cuecas e meias.

 

OLIVER[Olhando-o] Bom dia!

 

BEN – Bom dia!

 

Ele olha para si e percebe que está com uma ereção matinal e veste rapidamente seu calção.

 

BEN – Desculpa!

 

OLIVER – Não se preocupe Ben. Não é porque você tem um pênis que vou cair de boca nele.

 

BEN – Eu sei. Só quis ser educado.

 

OLIVER – Eu sei.

 

BEN – E como assim? Não me acha um cara interessante?

 

OLIVER – Na verdade, você é. Mas é que a questão não é essa e se não se importar vamos mudar o assunto. O café da manhã está feito, sente-se e coma.

 

Oliver coloca café em sua xícara, quando eles escutam a campainha tocar.

 

BEN – Se importa?

 

OLIVER – Você é tão engraçado.

 

Ele levanta e vai até a porta e abre-a.

 

OLIVER[Surpreso] Oh meu Deus!

 

Mauro está acompanhado por Nina.

 

MAURO – O Alec está em casa?

 

OLIVER – Não. Ele disse que ia ao cemitério e depois iria resolver uma coisa importante.

 

Nina entra ainda um pouco aérea.

 

OLIVER – Aceitam tomar café da manhã conosco?

 

Nina se aproxima de Oliver e o abraça.

 

NINA – Você cresceu tanto. Está tão lindo.

 

OLIVER – Obrigado! E a senhora, está melhor?

 

NINA – Estou enfurecida, mas ao mesmo tempo tensa.

 

OLIVER – Como assim?

 

NINA – Muitas coisas estão em jogo. Eu queria muito conversar com o meu filho, tocá-lo, sentir o cheiro e abraça-lo e contar toda a verdade ao Alec.

 

MAURO – Você terá tempo.

 

NINA – Você sabe aonde ele foi?

 

MAURO – Sei sim.

 

NINA – Leve-me até ele.

 

MAURO – Não posso. É arriscado você sair assim, além do mais precisa se trocar, tirar essa roupa e se preparar, pois o mundo está bem diferente de quando você esteve acordada pela última vez.

 

Nina olha para Mauro, séria.

 

NINA[Tensa] O que aconteceu?

 

MAURO – Vou te contar tudo, mas preciso que fique calma e não perca o controle.

 

NINA[Chorando] Acham mesmo que eu estive louca? Acham que perdi o juízo? Minha vida virou um inferno, mas não perdi o controle por isso, foi tudo culpa dele. O Richard estava me dando um remédio que me fazia alucinar, fazia meus nervos ficarem fracos e por isso os transtornos. Foi sempre culpa dele!

 

MAURO – Eu sempre desconfiei. Isso não era normal!

 

NINA – Eu tentava não tomar, mas ele forçava. Fingia se preocupar comigo e dizia que o remédio me deixaria tranquila e calma, quando na verdade era ao contrário. O remédio me deixava agitada, alterou o meu comportamento.

 

Oliver pega um copo com água e entrega para Nina.

 

NINA – Obrigada, querido.

 

OLIVER – Então… Todo esse tempo à senhora ficou dopada sem necessidade?

 

NINA – Sim. Eu vivia em um sono induzido, sempre que eu despertava, a enfermeira me dava mais remédios e eu voltava a dormir.

 

MAURO – Mas ele fazia isso para te calar, não é?

 

NINA – Sim. Ele não me queria acordada, pois eu descobri que…

 

Nina treme e chora ainda mais.

 

OLIVER – Descobriu o quê?

 

CORTA PARA:

 

CENA 04 – INT – TORMENS FALLS – DELEGACIA – SALA DE OPERAÇÕES – MANHÃ

 

Alec entra à sala. A detetive Preston e o delegado terminam de explicar aos outros policiais caso obtenham sucesso, o que devem fazer.

 

ALEC – Tudo pronto?

 

DEL. CARLOS – No possível. Onde está o seu advogado?

 

ALEC – Ele disse que iria resolver algo hoje pela manhã e eu disse que sem problemas, posso fazer isso sem ele.

 

DET. PRESTON – O que ainda faz aqui, senhor Porter?

 

Alec olha para ela.

 

ALEC – Vim conferir se está tudo ok.

 

DEL. CARLOS – É só deixar a escuta onde ela está e ouviremos tudo o que ele disser. Não bata no seu casaco.

 

ALEC – Tudo bem. Entendido!

 

DEL. CARLOS – Pode ir!

 

Alec respira fundo e vai embora.

 

DEL. CARLOS [Falando alto] Escutem todos! Caso o Richard se entregue, deve ter duas viaturas próximas a casa. Repetindo, próximas da casa e não dentro da casa. Entenderam?

 

Todos assentem. A detetive olha para o delegado um pouco desconfiada.

 

DEL. CARLOS – Acha que é tudo em vão?

 

DET. PRESTON – Tenho quase certeza.

 

Ela se afasta. O delegado senta-se na grande cadeira na ponta da enorme mesa onde estão os caixas da escuta implantada na roupa de Alec.

 

DEL. CARLOS – Seja o que Deus quiser!

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – TORMENS FALLS – APART. DE ALEC – SALA – MANHÃ.

 

NINA[Continuando] Descobri que…

 

A porta é aberta e Agatha entra, atrapalhando a conversa.

 

AGATHA[Carregando sacolas] Oi, eu trouxe algumas coisas para fazer o almoço. [Surpresa] Meu Deus!

 

Ela olha para Nina, que levanta e sorri para ela.

 

NINA – Agatha?

 

AGATHA – A senhora não… Estava…

 

NINA – Agora estou bem, querida.

 

Nina enxuga as lágrimas. Agatha vai até ela e a abraça.

 

AGATHA – É tão bom vê-la assim. Minha mãe ficará tão contente em saber que a senhora está livre.

 

NINA – Não vejo a hora de reencontrá-la.

 

OLIVER – Licença, mas a senhora estava falando sobre uma coisa importante, não?

 

NINA – Sim. Mas eu só queria falar quando eu visse o Alec.

 

AGATHA – Ele disse que ia resolver algo importante.

 

Mauro olha para o celular.

 

OLIVER – O Mauro sabe o que é.

 

MAURO – Eu?

 

Ben se aproxima.

 

BEN – E o Alec desde que voltou da delegacia ontem está estranho.

 

AGATHA – O que está acontecendo, Mauro?

 

MAURO – Tudo bem vou falar. Mas saibam que ele escolheu por livre e espontânea vontade e que não poderemos fazer nada.

 

NINA – Está me deixando nervosa.

 

MAURO – O Alec foi falar com o Richard e tentar conseguir uma confissão que possa provar que foi ele quem mandou matar a Amélia, a Kate e a empregada.

 

Todos ficam surpresos. Nina olha para Mauro, confusa.

 

NINA – Quem é Amélia? Do que estão falando?

 

MAURO – Senta aqui, Nina. Vou te contar o que aconteceu desde quando o Alec saiu do reformatório.

 

Ela se senta e ele fala desde o inicio.

 

CORTA PARA:

 

CENA 06 – INT – TORMENS FALLS – MANSÃO PORTER – SALA – MANHÃ

 

Richard, vestido formalmente, blazer preto, calça e sapatos sociais, relógio prata e cabelos penteados, desce à escada bastante apressado, ele pega a carteira sobre o balcão de bebidas e acaba derrubando a chave do carro, ele se abaixa para pega-la e percebe alguém atrás dele.

 

RICHARD[Virando-se] Deveria aprender a bater na porta, Alec.

 

ALEC[Colocando uísque em um copo] Não vejo necessidade, pai. A casa também é minha, não?

 

RICHARD – O que você quer? Não tenho tempo agora, preciso chegar à empresa o mais rápido possível.

 

Richard pega o copo da mão dele e bebe de uma vez, todo o líquido.

 

ALEC – Precisamos conversar.

 

RICHARD – Sobre o quê?

 

ALEC – Tudo! Desde a minha chegada à cidade até agora.

 

Richard olha para Alec e sorri.

 

RICHARD – Filho procure um psicólogo, ele certamente poderá ajuda-lo nesse seu momento. Não posso conversar com você agora, quem sabe mais tarde.

 

ALEC[Gritando] Vamos conversar agora!

 

RICHARD[Desconfiado] Qual é o seu problema? Está tendo um surto?

 

ALEC – Eu cheguei à cidade há alguns dias e fui acusado de assassinato. Agora encontraram a arma do crime que matou Kate Jones e a empregada em meu apartamento.

 

Alec se senta na poltrona preta de couro e olha para o pai sério e nervoso.

 

ALEC[Continuando] A minha pergunta é, por que pai?

 

RICHARD – O quê? Como assim por quê?

 

ALEC – Vai mesmo ficar fazendo toda essa volta? Vai continuar com essa farsa?

 

Richard não demonstra tensão ou nervosismo.

 

RICHARD – Certamente você é filho da sua mãe. Está louco igual a ela!

 

Alec levanta rapidamente e corre até o pai.

 

ALEC[Trêmulo] Porque mandou matar a Amélia e me culpar? E também porque matou a Kate e a empregada logo depois que eu fui atrás dela?

 

As lágrimas escorrem pelo rosto de Alec e mesmo assim ele continua sério. Richard olha para o filho e se aproxima ainda mais.

 

RICHARD [Lentamente] Porque eu sabia que você iria voltar e acabar com toda a minha paz. Eu não quis matar ninguém, mas as circunstâncias fizeram a necessidade. Você é igual a sua mãe e eu sabia que quando voltasse colocaria toda a minha carreira, empresa e reputação na lama. Eu não ia permitir isso!

 

Alec se afasta lentamente do pai.

 

ALEC[Abalado] Então você mandou matar mesmo elas para me incriminar?

 

RICHARD[Sério] Lógico! É isso que você queria ouvir, não era?

 

ALEC – Você é um monstro!

 

RICHARD – Não. Na verdade, sou inteligente demais e não me importo a quem eu atinjo para continuar com os meus objetivos.

 

Alec parece ficar tonto e se senta.

 

ALEC – Como eu me deixei enganar? Como não percebi isso antes?

 

RICHARD – Porque você é idiota, é um garoto fraco e sempre será assim.

 

ALEC – O Brandon sempre…

 

RICHARD[Cortando] Ótimo! Vamos colocar o problemático no meio, afinal ele é causa de tudo isso.

 

ALEC[Confuso] O quê?

 

Richard gargalha e volta seu olhar para Alec.

 

RICHARD – Viu como você é um garoto patético? Eu realmente acho graça ao te olhar e perceber o quanto você é imbecil.

 

ALEC – Porque está rindo?

 

RICHARD – Você nunca desconfiou mesmo? Nunca parou para pensar naquele dia?

 

ALEC – Que dia?

 

RICHARD – O dia em que o seu irmão morreu.

 

ALEC – Porque está voltando isso agora? O foco desta conversa não é…

 

RICHARD [Cortando/Gritando] Você entrou aqui com autoridade e me peitou, queria saber por que mandei matar a garota e porque matei a Kate e a empregada, estamos falando em mortes, não? Vamos voltar seis anos a menos, para ser exato, voltemos ao dia em que Brandon Porter, seu irmão, foi morto!

 

Alec olha fixamente para o pai.

 

FUSÃO PARA:

 

FLASHBACK (2009) – INT – T.F – MANSÃO PORTER – QUARTO – MANHÃ

 

Kate Jones, uniformizada, cabelos presos, segurando um copo com suco de maracujá entra ao quarto de Alec. O garoto está jogando em seu computador bastante concentrado, Kate se aproxima dele um pouco tensa.

 

KATE – Trouxe um suco para você refrescar um pouco, Alec.

 

ALEC[Fixado na tela do computador] Deixa aí que bebo depois, obrigado.

 

KATE – Acho melhor beber agora, sua mãe não gosta quando você fica tempo demais nesse computador.

 

ALEC – Seu eu beber agora, promete não contar a ela que estou jogando desde que acordei?

 

KATE – Tudo bem.

 

Ele pausa o jogo e toma todo o suco. Kate respira um pouco aliviada e sai do quarto, ela encontra Richard na escada e sussurra algo para ele.

 

KATE – Fiz o que me pediu, agora quero o que me prometeu.

 

RICHARD – Eu depositarei o seu dinheiro, não se preocupe. Ele tomou tudo?

 

KATE – Sim. Acha mesmo que o remédio fará efeito?

 

RICHARD – Não tenho duvidas. A Mariane conhece de comprimidos, vai deixa-lo agitado e depois ele dormirá e quando acordar, mal vai se lembrar do que fez antes. Tenho tudo sob meu controle!

 

KATE – Eu já posso ir para casa?

 

RICHARD – Não. Volte para a cozinha e finja executar seus afazeres, você será minha testemunha.

 

KATE – Vai subir até o Brandon agora?

 

RICHARD – Vou esperar mais algumas horas, o remédio precisa fazer efeito.

 

KATE – Estou lá embaixo caso precise de mim.

 

Kate sorri e Richard bate na bunda dela.

 

RICHARD – Bom trabalho.

 

Ela desce. Richard olha para o relógio.

 

[FIM DO FLASHBACK]

 

 

[CONT. DA CENA 06]

CENA 07 – INT – T.F – MANSÃO PORTER – SALA – MANHÃ.

 

Alec fica surpreso. Richard vai até o balcão e coloca mais uísque no copo que bebera antes.

 

ALEC – Então você me dopou?

 

RICHARD – Sim. Você precisava ficar aéreo quando fosse conversar com o delegado.

 

Alec olha para o pai.

 

ALEC[Tenso] Depois de me dopar, o que você fez?

 

RICHARD – Bom… Acho que você já imagina, não?

 

 FUSÃO PARA:

 

FLASHBACK (2009) – INT – T.F – MANSÃO PORTER – SALA DE TEVÊ – TARDE.

 

Richard sobe a escada lentamente e chega ao último andar da casa. A sala era toda arrodeada de paredes de vidros e tinha apenas duas paredes de tijolo, uma com a televisão pendurada e a outra com quadros e prateleiras com enfeites. Ao chão um enorme carpete branco, com almofadas enormes e um sofá cama ao lado oposto à televisão.

 

Brandon está deitado e assistindo a um filme. Richard passa por ele e vai em direção à janela e abre-a. O vento adentra ao local.

 

RICHARD – Podemos conversar?

 

BRANDON – O que você quer?

 

RICHARD – Eu acho que nós devemos mudar Brand.

 

BRANDON – Não me chame assim e já é muito tarde. Nunca vou esquecer o que ouvi e o que me disse quando…

 

RICHARD [Cortando a fala dele] Você é mesmo um saco, garoto. Podia ser diferente, mas você insiste em bancar o revoltado e por isso você destruiu essa família.

 

Brandon se levanta e olha para ele.

 

BRANDON – Jura que eu destruí essa família? Você é mesmo um louco.

 

Richard vai até ele e o segura pelo braço, mas sem apertar.

 

RICHARD – Acha que pode falar comigo assim, eu sou seu pai?

 

Brandon olha para as mãos dele e percebe que ele usa uma luva preta.

 

BRANDON – Porque está usando isso?

 

RICHARD – Alergia. E isso não vem ao caso.

 

BRANDON[Desconfiado] Não vale a pena ficar aqui discutindo com você. Não temos mais nada para conversar, Richard.

 

Brandon se solta dele e tenta sair, mas Richard o puxa pela camisa e o segura.

 

BRANDON – O que você está fazendo? Me solta!

 

RICHARD – Estou cansado de você.

 

BRANDON[Nervoso] O quê? O que você vai fazer?

 

Richard arrasta o garoto para mais perto dos vidros.

 

RICHARD – Você descobriu algo que não devia e isso pode prejudicar todo o meu plano.

 

BRANDON[Tentando se soltar] Me larga! Eu não…

 

RICHARD – Eu nunca te amei garoto e não amo ninguém desta família, o meu desejo sempre foi tudo que hoje tenho e não deixarei que você, um pequeno infeliz acabe com isso.

 

BRANDON – Pai, não faça…

 

RICHARD[Sorrindo] Pai? Agora me chama de pai de novo, você sabe muito bem a verdade. E tem sorte em morrer sabendo de tudo!

 

BRANDON – Morrer?

 

RICHARD – Adeus, pirralho.

 

Richard com força empurra Brandon contra a parede de vidro e ao se chocar com a mesma, ela se parte e ele não consegue segurar em nada e cai.

Richard olha o garoto no chão e o sangue escorre de sua cabeça, ele corre ao quarto de Alec e em minutos o traz para a sala de televisão e o deita próximo as almofadas. Ele coloca o controle da televisão jogado no chão e pega o vaso sobre a prateleira da lateral e o joga no chão como se tivesse quebrado a parede de vidro.

 

[FIM DO FLASHBACK]

 

 

[CONT. DA CENA 07]

CENA 08 – INT – T.F – MANSÃO PORTER – SALA – MANHÃ.

 

Richard bebe o último gole de uísque e olha para Alec sorrindo. O garoto fica em silêncio por alguns minutos ao acabar de ouvir a revelação do pai.

 

ALEC – Eu não posso acreditar que você matou o Brandon. E não posso acreditar que me fez parecer o culpado.

 

RICHARD – Foi à única maneira de parecer ter sido você.

 

ALEC – E que você fez depois, seu monstro?

 

Richard olha a hora no relógio, mas continua.

 

RICHARD – Bom… Eu chamei a Kate e fingimos ir ao supermercado comprar algumas coisas para o almoço. Voltamos, fingimos a surpresa e ligamos para a polícia e para a sua mãe. Quando ela chegou fez todo aquele desespero, claro, eu fingi ficar abalado e então você acordou.

 

ALEC – Disso eu me lembro. Eu falei que não lembrava e não sabia do que aconteceu, mas…

 

RICHARD – Quem ia acreditar em você? Usei luvas e não ficaram marcas no Brandon, apenas as da queda, a Kate confirmou tudo que eu falei… Que ela te levou o suco e você foi cochilar na sala de televisão, ela saiu e você ficou com o Brandon. A cena fez parecer que brigaram pela televisão e em um acidente, você empurrou seu irmão e ele caiu daquela altura e morreu. Eu menti dizendo que estava no supermercado e encontrei a Kate e voltamos para casa, onde tudo já havia acontecido.

 

ALEC – Você não é um ser humano! Não pode ser possível, você não tem…

 

RICHARD – Amor? Compaixão? Remorso? Não, isso é apenas para os fracos.

 

Alec chora bastante e Richard apenas faz cara de incomodo.

 

RICHARD – Olha aí, você me fez perder a reunião.

 

ALEC[Furioso] Os fez acreditarem que eu era um assassino. Que eu matei meu próprio irmão. Fui levado para um reformatório onde passei seis miseráveis anos da minha vida, por algo que não fiz. Eu sempre soube bem lá no fundo da minha cabeça que não matei o Brandon, mas precisava descobrir quem o fez e hoje descubro que foi o nosso pai.

 

Richard gargalha ainda mais e Alec o encara.

 

RICHARD – Mais um erro seu, filhinho.

 

ALEC[Confuso] Como assim?

 

Richard vai até Alec e coloca as mãos em seus ombros.

 

RICHARD – Serei direto. Matei o Brandon, porque ele ouviu uma conversa que eu tive com sua mãe. Nesta conversa falávamos sobre quando a conheci e como ela era especial, claro que menti em tudo, eu sempre quis o dinheiro e o status, queria ser o dono da Porter’s Campany e consegui, mas me esforcei para isso. O seu querido irmão ouviu quando eu falei que tive sorte em receber vocês em minha vida e como o meu melhor amigo me deixou três pessoas especiais para que eu cuidasse como se fossem meus.

 

Alec fica ainda mais confuso.

 

ALEC – Então…

 

RICHARD [Completando] Isso mesmo. Eu não sou pai de vocês, sou padrasto e todo o meu interesse na verdade era ser dono da empresa que um dia o verdadeiro pai de vocês construiu.

 

ALEC – Isso não está acontecendo. Você está mentindo mais uma vez para mim.

 

RICHARD – Pergunte a sua querida mamãe se um dia ela acordar, claro, você já deve ter percebido também que ela ficar internada é mais um de meus vários planos.

 

Alec avança no pai e bate várias vezes no peitoral dele. Richard segura o garoto e acaba percebendo a escuta que cai com o debater de Alec.

 

RICHARD[Pegando o fio da escuta] Isso é…? Você estava gravando tudo?

 

ALEC – Sua máscara finalmente caiu, Richard Porter!

 

Os dois se encaram.

 

CORTA PARA:

 

CENA 09 – INT – TORMENS FALLS – DELEGACIA/SALA DE OPERAÇÕES – MANHÃ

 

Vários policiais correm para suas viaturas. O delegado Carlos parece comemorar. Apenas ele e a detetive estão na sala.

 

DEL. CARLOS – Ele conseguiu mesmo.

 

DET. PRESTON [Surpresa] Isso foi insano.

 

DEL. CARLOS – Já foram enviadas as viaturas que estavam próximas a casa?

 

DET. PRESTON – Sim. Já estão a caminho da residência.

 

DEL. CARLOS – Ótimo! Vamos acabar com todos os casos que temos aqui.

 

DET. PRESTON – Eu não imaginava que o garoto estava certo. Deveria ter investigado isso mais profundamente.

 

DEL. CARLOS – Isso não importa mais, não agora. Ele conseguiu e o Richard deve ser preso.

 

DET. PRESTON – Tem razão!

 

Eles se olham. A detetive se aproxima do delegado e o beija.

 

DEL. CARLOS[Surpreso] Porque fez isso?

 

DET. PRESTON – Precisava relembrar dos velhos tempos.

 

DEL. CARLOS – Eu sou casado agora, Miranda.

 

DET. PRESTON – Não crie alardes, Carlos. Foi apenas um beijo, diante ao que já fizemos no passado.

 

DEL. CARLOS – Aquele passado morreu, ouviu? [Ríspido] Morreu!

 

Ele sai um pouco irritado.

 

CORTA PARA:

 

CENA 10 – INT – TORMENS FALLS – MANSÃO PORTER – SALA – MANHÃ

 

Richard joga Alec sobre a poltrona e acaba batendo no balcão e derrubando as garrafas de bebidas.

 

RICHARD – Você é mesmo um desgraçado, Alec. Foi tudo um plano, não foi?

 

ALEC[Levantando-se e se afastando] Agora todos sabem o que você fez e estão vindo algumas viaturas e hoje, Richard Porter, seu reinado acabou.

 

RICHARD[Sorrindo] Depois de tudo, você continua sendo um idiota. O meu reinado só acaba comigo morto e tenho certeza que não será desta vez.

 

Richard pega a chave do carro em seu bolso e confere se está com sua carteira.

 

ALEC – Acha que vai conseguir fugir? Não permitirei que fuja mais uma vez.

 

Alec corre até ele e o empurra. Richard cai próximo aos cacos de vidro e Alec fica olhando-o.

 

ALEC – Sinto muito, mas hoje você vai sim preso.

 

Alec se vira procurando a escuta e quando a encontra pega e fala rapidamente.

 

ALEC[Falando à escuta] Mande as viaturas, rápido, ele está tentando fugir.

 

Alec se vira e Richard crava um caco de vidro de uma das garrafas que quebrara antes, em seu abdômen. O sangue rapidamente se espalha e Richard força o vidro ainda mais e Alec cai sentindo fortes dores.

 

RICHARD[Ofegante] Eu disse que só acaba comigo morto e hoje não serei eu quem morrerá.

 

Ele escuta as sirenes um pouco distantes e procura a chave do carro que caiu de sua mão, até que a encontra e a pega. Richard olha para Alec que puxa o caco de vidro do ferimento.

 

RICHARD – Isso não acabou!

 

Ele corre e foge pela porta da cozinha e segue pela mata. Alec continua caído e tampando com as mãos o ferimento onde o sangue escorre de seu abdômen, ele respira ofegante e fecha lentamente os olhos.

 

FADE OUT.

 

–FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA–

Criado e Escrito por:

MARCOS H.

 

Supervisão Textual e Argumentos por:

Kaio Gomez.

 

Produzido por:

UNBROKEN PRODUCTIONS.

 

UNBROKEN PRODUCTIONS ORIGINAL SERIES.

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