FADE IN:

 

CENA 01 – INT – RISING SUN – RESID. THOMPSON – QUARTO (GINA) – MANHÃ

 

A luz entra pela janela do quarto, fazendo Ava acordar. Lindsay está deitada ao lado dela e ambas dormiram em um colchão de ar ao lado da cama de Gina. Ava escuta o barulho do chuveiro e a porta do banheiro está encostada, ela escuta um choro baixo e levanta-se, caminhando em direção ao cômodo.

 

AVA[Batendo na porta] Tudo bem?

 

Ava não espera e entra, ela encontra Gina na banheira, nua e molhada, olhando para o teto.

 

AVA[Respirando aliviada] Você não responde. Eu achei que estava…

 

GINA[Sem olhá-la] O quê? Morta? Não se preocupe Ava, não irei me suicidar porque matei a diretora Fanny. Aquela vadia mereceu e sinceramente, achei que fosse ficar arrependida, mas sinto-me ótima.

 

Ela levanta e estende a mão em direção a Ava, a garota pega a toalha sobre a pia de mármore e entrega à amiga.

 

AVA – É bom saber que está bem, mas caso precise desabafar ou…

 

GINA[Cortando] Não se preocupe comigo, estou bem. Eu juro!

 

Lindsay entra correndo e senta-se ao vaso sanitário.

 

GINA – Espero que seja xixi. Ainda estou usando aqui, perceberam?

 

LINDSAY[Aliviada] Eu precisava fazer isso.

 

GINA – Eu agradeço por vocês terem dormido aqui esta noite. É bom não ficar sozinha.

 

LINDSAY – A Halley não estava hospedada aqui?

 

GINA – Não a vejo há dois dias.

 

Lindsay lava as mãos e olha para Gina.

 

LINDSAY – Está bem mesmo?

 

GINA – Sim. Espero que não fiquem a todo instante perguntando se estou bem.

 

Ela coloca o sutiã e depois a calcinha e por último um vestido preto.

 

AVA – Vai aonde? Hoje é sábado, não haverá aula.

 

GINA – Não tenho que dizer tudo a vocês, não é?

 

Ela se maquia.

 

LINDSAY – Tudo bem. Eu preciso ir para casa e ter a certeza que o Dylan e o Thommy estão bem, além do que minha avó pretende chegar.

 

AVA – Também preciso ir, a tia Molly está em casa e depois do que aconteceu com ela e com o Charlie ela precisa de atenção.

 

As garotas se organizam.

 

LINDSAY – Tchau, Gina. Falamo-nos mais tarde?

 

GINA – Ligo para vocês.

 

AVA – Ok. Até mais!

 

As duas saem e fecham a porta. Gina se olha ao espelho e lágrimas escorrem pelo seu rosto e ela as enxuga rapidamente.

 

CORTA PARA:

 

CENA 02 – INT – RISING SUN – RESID. SILVÉRIO – COZINHA – MANHÃ

 

James prepara o café da manhã e Jack bebe um pouco de suco. Jack está usando uma bermuda preta e uma camisa cinza e sapatos, James está com uma aparência de que acabara de acordar.

 

JAMES – Fico feliz que vocês resolvem os problemas sozinhos, mas fico preocupado em saber de tudo isso.

 

JACK – Relaxa! Somos uma liga e juntos nós somos fortes.

 

JAMES – Não é bem assim. Você sabe sobre a minha liga e o que aconteceu, nem sempre quantidade é segurança.

 

Ele desliga o fogo. Ashley está vestida como ela mesma e chega à cozinha.

 

ASHLEY – Bom dia!

 

JAMES – Bom dia!

 

Jack a olha.

 

JACK – Hoje resolveu ser você mesma?

 

JAMES[Repreendendo] Jack!

 

O garoto pega uma torrada.

 

JAMES – Sente-se e coma Ashley.

 

Ela se senta.

 

ASHLEY – O que aconteceu com a diretora Fanny? Recebi uma mensagem do conselho do colégio e parece que uma nova diretora chegará.

 

JACK – Não vou mentir. Ela queria o bastão, mas a Gina conseguiu impedi-la.

 

JAMES – Isso significa que a Gina… A matou?

 

JACK – Sim. Ou era ela ou éramos nós.

 

James e Ashley se olham.

 

JAMES – A Raissa está em casa?

 

JACK – Não. A mãe da Gina é uma incógnita, ninguém sabe quando ela chegará ou quanto tempo ela ficará na cidade.

 

ASHLEY – Ela sempre foi assim.

 

JAMES – Quem mais sabe sobre isso?

 

JACK – Ninguém que não seja de confiança. Por quê?

 

JAMES – Não souberam ainda? A notícia dos adolescentes que estavam desaparecendo não ficou apenas no Coven, toda a cidade sabe e por isso a polícia de Rising Sun está ativa e um novo delegado chagará para cuidar de tudo.

 

JACK – Sabem sobre nós?

 

JAMES – Não. Mas sabem dos adolescentes e como você viu, muitos estavam mortos. Se o delegado souber que a Fanny está morta, poderão sofrer severas consequências… Porque vocês foram às pessoas que encontraram os adolescentes.

 

Jack fica apreensivo.

 

JACK – A policia agora ficará envolvida nisso?

 

JAMES – Em tudo. Se antes deveríamos ter cuidado, agora devemos ter ainda mais.

 

CORTA PARA:

 

CENA 03 – INT – RISING SUN – RESID. BROOKS – SALA – MANHÃ

 

Ava entra e fecha a porta. Molly está sentada na poltrona próxima a janela e olha a sobrinha.

 

AVA – Bom dia, Tia. Tudo bem?

 

MOLLY – Sim. Eu cheguei faz pouco tempo.

 

AVA – Já pode andar?

 

MOLLY – Só não devo fazer muito esforço, Ava. Não se preocupe comigo.

 

AVA – E o Charlie está bem?

 

MOLLY – Ainda está dormindo.

 

AVA – Ok. Eu vou ao meu quarto e depois…

 

MOLLY[Cortando] Espera! Você tem visita.

 

AVA – Quem?

 

MOLLY – Ela disse para você ir ao jardim.

 

Ava olha o corredor e caminha rapidamente. Ela olha para o balanço e avista Halley olhando o chão, ela se aproxima.

 

AVA – Halley?

 

A garota olha para Ava.

 

HALLEY – Olá, Ava.

 

AVA – O que faz aqui?

 

HALLEY – Eu precisava vim. Acho que preciso te pedir desculpas.

 

AVA – Acha?

 

HALLEY – Eu errei muito em minha vida e acabei errando novamente e entendo que me odeie. O Jack é um cara legal e ele te ama, percebi quando ele me olhou e naquele momento…

 

AVA[Confusa] Espera! Do que você está falando? Estou perdida no assunto.

 

HALLEY – O Jack conversou com você?

 

AVA – Sobre?

 

Halley a olha.

 

HALLEY – Essa não! Eu achei que ele já tinha te contado.

 

Ava se aproxima dela.

 

AVA – Contado o quê?

 

HALLEY – Acho melhor conversarem primeiro.

 

A garota se levanta, mas Ava impede a sua passagem.

 

AVA – O que aconteceu, Halley?

 

HALLEY[Sem olhar os olhos de Ava] Só saiba que me arrependi e não pensei nas consequências.

 

AVA[Tensa] Por favor, me fala de uma vez.

 

HALLEY – Eu e o Jack transamos. Há dois dias e…

 

Halley é interrompida com uma forte tapa, dada por Ava em seu rosto.

 

AVA – Quero que saia da minha casa. Agora!

 

HALLEY – Eu só…

 

AVA[Gritando] Agora!

 

Halley fica em silêncio e caminha pela lateral da casa. Ava chora e senta-se ao balanço sob a grande árvore.

 

CORTA PARA:

CENA 04 – EXT – RISING SUN – LANCHONETE SUN – BALCÃO – MANHÃ

 

David está rápido e sobrecarregado com os pedidos da manhã. Ele entrega vários cafés e anota os pedidos feitos no balcão. Gina entra e vai até ele.

 

GINA – Oi D.

 

DAVID – Oi Gina.

 

Ele está concentrado.

 

GINA – Está sozinho cuidando da lanchonete hoje?

 

DAVID – Sim. O tio Chris resolveu desaparecer e nem avisou. Não tive tempo de chamar as garçonetes extras que ele sempre chama quando resolve ter folga.

 

GINA – Quer ajuda?

 

Ele para o que faz e olha sério para ela.

 

DAVID – Você atendendo ou servindo uma mesa?

 

Ela mostra a língua para ele e pula atravessando o balcão.

 

GINA – Posso ser útil e hoje não tenho nada de interessante.

 

DAVID – Mas não acha que devia…

 

GINA[Cortando] Não. Porque todos estão preocupados comigo? Estou bem, que saco. E será bom ocupar a mente!

 

Ela pega um avental sob o balcão e o coloca.

 

DAVID[Rindo] Está linda.

 

GINA – Eu sei. Agora vai acelerar lá dentro que pego os pedidos aqui.

 

Ele passa por ela. Gina olha o caixa e de repente um homem entra (uniformizado de Xerife, cabelos escuros e ao redor um pouco grisalhos, pele branca, olhos verdes claros e de porte médio), ele se aproxima do balcão e Gina o encara.

 

GINA[Tensa] Posso ajuda-lo?

 

XERIFE – Bom dia! Um café expresso, por favor.

 

Gina olha suas mãos trêmulas, mas consegue ir até a maquina de café e apertar o botão. Ela pega um copo plástico e sua tampa.

 

GINA – Algum adicional?

 

XERIFE – Não. Obrigado!

 

Ela fecha o copo e o entrega. Ele pega a cédula de dinheiro e entrega para ela e ela lhe dar o troco.

 

XERIFE – Obrigado, mais uma vez.

 

Ele olha para Gina e caminha para a saída. Ela respira aliviada. A fila aumenta e ela não percebe.

 

CORTA PARA:

 

CENA 05 – INT – RISING SUN – RESID. LANCASTER – SALA – MANHÃ

 

Lindsay olha a sala e o ambiente está bastante arrumado, os móveis limpos, a casa cheirosa e sobre a mesinha da sala xícaras, biscoitos e alguns outros alimentos.

 

LINDSAY[Conferindo] Talheres, lenços e…

 

Ela corre e organiza as almofadas. Dylan se aproxima, ele está usando calça jeans, sapatos, os cabelos penteados e ainda sem camisa.

 

DYLAN – Já organizou isso centenas de vezes.

 

LINDSAY – Precisa parecer que dou conta da casa, se não a minha avó vai querer me levar para morar com ela e aí tudo será um total pesadelo.

 

Ela olha para ele.

 

LINDSAY[Gritando] Cadê a sua camisa?

 

DYLAN – No quarto. Vou coloca-la daqui a pouco.

 

LINDSAY – Não. Você vai coloca-la agora.

 

Ela o empurra e ele sobe forçado. A garota olha seu vestido e Thommy gargalha sentado no divã ao lado da janela. Ele também está arrumado.

 

LINDSAY – O que foi?

 

THOMMY – Essa sua avó é rigorosa, não?

 

LINDSAY – Não. Na verdade ela é simples e bem legal, o problema é que tenho que parecer responsável.

 

THOMMY – Mas você é Lindsay. Não posso enxergar, mas percebo o quanto cuida da casa e de tudo por aqui.

 

Lindsay se senta.

 

LINDSAY – Eu sei, é só que… Meu dinheiro está acabando, pensei em convencer a vovó a me emprestar, caso ela negue, vamos viver de quê?

 

THOMMY – Porque não falou antes? Eu tenho dinheiro no banco, vou passar os meus dados e cartões para o Dylan e ele…

 

LINDSAY – Não! Eu não posso aceitar.

 

THOMMY – Como não? Você permitiu que eu morasse aqui e está deixando o Dylan também e como responsável por ele, eu posso contribuir.

 

Dylan desce a escada correndo e se aproxima.

 

DYLAN – E agora?

 

LINDSAY[Olhando-o] Lindo como sempre e apresentável.

 

DYLAN – Do que falavam?

 

A campainha toca e Lindsay fica nervosa.

 

DYLAN – Respira e deixa que eu abro a porta.

 

Ele a beija e vai até a entrada. Uma mulher (usando um conjunto de roupas da cor preta, óculos escuros, pele clara, cabelos pintados de pretos) entra e caminha até a sala.

 

LINDSAY – Olá, Vovó Lana.

 

  1. LANA – Minha nossa! Não achei que você tinha crescido tanto, meu amor.

 

Elas se abraçam.

 

LINDSAY – É bom tê-la aqui.

 

  1. LANA – Fico feliz em voltar.

 

LINDSAY[Rindo] Esse é o Dylan Brooks, meu namorado. E esse é Thommy Salgueiro, pai do Dylan.

 

A mulher abraça Dylan.

 

  1. LANA – Que garoto lindo você arrumou, Lindsay.

 

DYLAN[Sem graça] Obrigado!

 

Ela caminha até Thommy e estende a mão.

 

  1. LANA – É um prazer, Thommy. Lana Lancaster.

 

Ele não aperta a mão dela e ela o encara.

 

THOMMY – O prazer é meu, senhora.

 

LINDSAY – O Thommy é deficiente visual, vovó.

 

  1. LANA – Que indelicadeza a minha.

 

THOMMY – Tudo bem.

 

Lindsay se senta e sua avó senta-se em sua frente. Ela serve o chá e entrega a xícara para Lana.

 

  1. LANA – Você não sabe a dor que senti quando soube que sua mãe teve que ser enterrada as pressas. Estava na África e certamente ela não iria me querer aqui.

 

LINDSAY – Iria sim. O problema de vocês no passado ficou lá, certamente.

 

  1. LANA – Espero que sim. E como você está vivendo aqui, sem sua família? Claro que, a casa está ótima e você parece cozinhar bem.

 

LINDSAY – O Dylan e… O Thommy é minha família agora, Vovó. O Dylan é o garoto que eu amo e sei o quanto ele me ama também e a mamãe o adorava. E o Thommy… [Pausa] Ele já foi difícil, mas mudou e agora vivemos bem.

 

  1. LANA – Acho bom ouvir isso, querida. Porém…

 

Ela coloca a xícara na mesinha e coloca seus óculos escuros na bolsa.

 

LINDSAY – Algum problema?

 

  1. LANA – Eu acho que você devia vir morar comigo na Itália.

 

LINDSAY – O quê?

 

  1. LANA – Não deveria ficar aqui sem alguém de seu sangue. Essa casa é enorme e podíamos vender e…

 

Lindsay levanta.

 

LINDSAY – Jamais! Essa casa é o que resta dos meus pais para mim, as lembranças deles estão por cada parede. E Rising Sun é o lugar dos meus amigos, minha vida está aqui.

 

Lana ri e olha para Lindsay.

 

  1. LANA – Não sabe o orgulho que tenho em te ouvir dizer isso e falar como uma adulta.

 

LINDSAY – Estou passando por problemas financeiros, mas vou arrumar um emprego. O dinheiro na conta conjunta que tinha com a mamãe está acabando, mas posso me manter por alguns meses ainda.

 

  1. Lana segura à mão dela.

 

  1. LANA – Pelo visto a Leonor não falou a você antes de morrer.

 

LINDSAY – O quê?

 

Lindsay fica apreensiva. V. Lana mexe em sua bolsa e entrega uma pasta vermelha para a garota.

 

LINDSAY[Segurando a pasta] O que é isso?

 

  1. LANA – A sua mãe e eu não tivemos uma relação tão boa depois que ela soube da minha traição e ficou ao lado do pai, mas ela enviou um documento para mim caso algo acontecesse a ela.

 

LINDSAY – É essa pasta?

 

  1. LANA – Sim. Aqui está toda a sua herança, querida. Desde o seu avô até a sua mãe. Você herdou tudo dele e sua mãe guardou uma boa quantia em dinheiro nessa conta para a sua faculdade.

 

Lindsay fica surpresa.

 

LINDSAY – Significa que…

 

  1. LANA – Isso querida, você tem bastante dinheiro para viver bem e tranquila.

 

Ela entrega dois cartões nas mãos da neta.

 

  1. LANA – Este aqui é o da conta com o dinheiro da sua faculdade, você só usará para a faculdade, eu espero.

 

LINDSAY[Rindo] Absolutamente.

 

  1. LANA – E esse preto é da conta que contém o restante da herança do seu avô e a parte da família do seu pai e agora tudo que foi da sua mãe.

 

LINDSAY – Meu Deus! E eu preocupada com o dinheiro da conta que a mamãe tinha comigo. Por que ela não me falou nada?

 

  1. LANA – Ela iria falar na hora certa. E vejo que nunca faltou nada para vocês.

 

LINDSAY – Agradeço por me entregar isso, vovó.

 

  1. LANA – É tudo seu, minha querida. Use com cuidado, pois dinheiro acaba logo. E eu jamais a levaria para a Itália comigo sem que você quisesse, só fiz um teste e vi que você está pronta para viver a sua vida tranquila e sozinha.

 

LINDSAY – Obrigada, tenha certeza que tenho responsabilidade com todo esse lugar.

 

  1. LANA – Eu sei que sim.

 

  1. Lana beija a testa dela e Lindsay observa seus cartões sorrindo.

 

CORTA PARA:

 

CENA 06 – INT – RISING SUN – RESID. BROOKS – ENTRADA – TARDE

 

Molly caminha lentamente até a porta e abre-a. O xerife está em pé e ao perceber a porta aberta estende a mão em direção da mulher.

 

XERIFE – Bom dia! Sou o xerife Bill Nunes.

 

MOLLY – Bom dia! Molly Brooks.

 

XER. BILL – Eu estou à procura de Charlie Johnson e no hospital me informaram esse endereço.

 

MOLLY[Tensa] Sim. Ele mora aqui, entre.

 

Ela se afasta e o homem entra, Molly fecha a porta.

 

XER. BILL – Eu gostaria de conversar com ele. Cheguei ontem à cidade para ficar no lugar do antigo xerife e tentar resolver alguns problemas e decidi começar sobre os sumiços dos jovens adolescentes que foram encontrados ontem à noite, porém alguns estavam mortos e pareciam ter sido usados em algum tipo de ritual de alguma seita ou grupos de religiões pagãs, creio eu.

 

MOLLY[Curiosa] E como o Charlie pode contribuir?

 

XER. BILL – Ele foi uma vitima, não? Eu soube que ele foi o único adulto encontrado junto aos jovens, ele também tinha um símbolo feito com sangue em sua testa, certo?

 

MOLLY – Sim. [Preocupada] Acha que ele está envolvido?

 

XER. BILL – De forma alguma, senhora. Na verdade eu queria um depoimento informal, apenas para obter alguma informação necessária, já que o local onde foram encontrados não tinha câmeras ou se quer algum vestígio do suspeito.

 

Molly balança a cabeça em sinal de entendimento. Charlie desce lentamente os degraus, ele está usando uma bermuda, camiseta e tem um pequeno corte em sua testa.

 

CHARLIE – Algum problema, Molly?

 

MOLLY – Não. Esse é o xerife Bill, ele veio conversar com você.

 

CHARLIE – Não estou encrencado, estou?

 

XER. BILL – Não exatamente.

 

Eles se cumprimentam.

 

CHARLIE – Como posso ser útil?

 

XER. BILL – Eu vim saber se você tem alguma descrição do suspeito que sequestrou os jovens ou alguma informação que possa ser útil na investigação. A perícia acha que os corpos foram usados em algum ritual, já que nas testas de cada cadáver tinha um símbolo. E os jovens que permaneceram com vida, dizem não se lembrar do acontecido.

 

CHARLIE[Olhando para Molly] É realmente difícil passar pelo que passaram. E realmente tenho poucas lembranças do que aconteceu, já que quando fui para o hospital eu estava desacordado.

 

XER. BILL – Então também não se recorda de nada?

 

CHARLIE – Não. De alguma forma tudo está bagunçado, mas se eu me lembrar de alguma coisa entro em contato com você ou compareço a delegacia.

 

XER. BILL[Guardando o bloco de papel] Tudo bem. Agradeço por tentar cooperar e um bom dia para vocês. Desculpe o incomodo senhora.

 

MOLLY – Não precisa se desculpar. Tenha um bom dia!

 

XER. BILL – Obrigado e até breve.

 

Ela fecha a porta. Charlie respira, aliviado.

 

CHARLIE – Desde quando a policia está envolvida em casos das bruxas?

 

MOLLY – Desde quando os anciões estão mortos e o Coven está sem autoridades ancestrais, então estão recorrendo às autoridades dos comuns.

 

Charlie a encara.

 

CHARLIE – O que houve?

 

MOLLY – Não tive tempo de conversar com você devido a sua situação, mas você precisa saber de qualquer forma.

 

CHARLIE – O quê?

 

MOLLY[Emocionada] Perdi o bebê, Charlie. Eu não serei mãe e você certamente está feliz por não precisar ser pai.

 

Ele caminha até ela e a abraça.

 

CHARLIE – Eu sei que falei muitas besteiras em relação a isso, mas não queria que tivesse acontecido desta forma.

 

MOLLY – Eu sei. Desculpa por ter falado assim.

 

CHARLIE – Só saiba que podemos tentar de novo e desta vez eu prometo ser um homem melhor. Já falei isso antes, mas agora é para valer, realmente quero mudar e farei isso por você e por nós.

 

MOLLY[Sorrindo] Fico feliz em ouvir isso.

 

Ela o beija.

 

CORTA PARA:

 

CENA 07 – INT – RISING SUN – CASA ESCONDIDA – SALA – TARDE

 

Selena desce a escada e vai em direção à porta de entrada, mas de repente Salazar (No corpo de Chris), aparece em sua frente.

 

SALAZAR/CHRIS[Rindo] Onde pensa que vai, Selena?

 

SELENA – Já fiz o que queria, agora vou viver o resto da minha vida. Não preciso ficar nesse covil.

 

SALAZAR/CHRIS – De forma alguma. Preciso de você ainda.

 

SELENA – O quê? Você queria o feitiço Échange e já o fiz, o combinado fora apenas isso.

 

SALAZAR/CHRIS – O combinado nunca foi esse, na verdade, o meu objetivo é algo maior. Algo fora do comum!

 

Ela o encara.

 

SELENA – E o que é?

 

SALAZAR/CHRIS – Saberá em breve, mas preciso que fique e una suas forças, pois se você achou que conjurar o Échange foi perigoso, não será nada perto do que pretendo.

 

Ele passa por ela. Selena fica curiosa e tensa, ela se vira.

 

SELENA – Irei ver como está a minha filha.

 

SALAZAR/CHRIS – Pode ir, mas lembre-se que ela ainda está ligada ao meu corpo.

 

Ele sobe os degraus. Selena abre a porta e sai irritada.

 

CORTA PARA:

 

CENA 08 – EXT – RISING SUN – LANCHONETE SUN – MESA 06 – TARDE

 

Gina procura uma caneta e segura um bloco de papel, ela caminha até uma das mesas sem perceber qual.

 

GINA – O que vão querer.

 

Ela percebe que ninguém fala, até que olha e vê Phoebe e os outros, olhando-a.

 

GINA – Droga!

 

PHOEBE – Gina Thompson sendo garçonete? O mundo está mudando.

 

GINA – Pois é. Estou ajudando o David hoje!

 

PHOEBE – Eu quero tirar uma foto sua, posso?

 

GINA – Vai se ferrar, Phoebe.

 

PABLO – Para com isso, Phoebe. Evolua um pouco!

 

Ele olha o cardápio e todos ficam em silêncio. Gina olha para os outros três e ignora Phoebe.

 

GINA – Eu sei das nossas desavenças, mas ontem vocês foram heróis e bons ao ajudar os meus amigos para me salvar e salvar o David e os outros, então… Obrigado!

 

PABLO – Sem problemas.

 

Daiane ri para ela. Phoebe gargalha e bate palmas.

 

PHOEBE – Que cena mais emocionante. Só um momento que vou ao banheiro enxugar as lágrimas e retocar a maquiagem.

 

GINA – Como se você soubesse o que é lágrimas, não é? Deixa de ser ridícula e tenta seguir o exemplo dos seus amigos em relação à mudança.

 

Phoebe olha séria para ela.

 

GINA – Quando decidirem pedir, só chamar.

 

Ela se afasta.

 

PHOEBE – Eu detesto essa piranha.

 

DAIANE – Você pede para levar foras dela.

 

PHOEBE – Cala a boca. Quem aqui pediu sua opinião?

 

Daiane joga o cardápio sobre a mesa.

 

DAIANE – Estou cansada de ser maltratada e pisada por você, Phoebe. E quer saber mais? Piranha, imbecil, cretina e miserável é poucos os adjetivos que podem te servir, ouvi isso de você grande parte da minha vida e não sou obrigada a te aturar. Eu me importo com você e sou sua amiga desde criança, mas cheguei ao meu limite e realmente pra mim chega!

 

Todos ficam surpresos com a reação de Daiane, menos Pablo.

 

PABLO – Finalmente, Daiane.

 

Phoebe olha para os três.

 

PHOEBE – Qual é o problema com vocês?

 

CARL – Como assim?

 

PHOEBE – Estão estranhos e nem parecem ser os meus amigos.

 

PABLO – Estamos estranhos porque decidimos mudar e deixar essa idiotice de briga e escolher o lado certo.

 

PHOEBE – Estão dizendo que…

 

DAIANE – Sim. Nós agora não vamos estar ao lado do Salazar nesta batalha.

 

A garota se levanta.

 

PHOEBE – Estão fraquejando e isso é realmente um sintoma da bondade. Vão se arrepender desta escolha, aguardem!

 

Ela empurra Daiane e passa indo em direção da porta e sai irritada. Os três se olham.

 

CARL – O que faremos agora?

 

PABLO – Eu estou vendo sobre isso, só não seremos mais influenciados por ela e pelo Salazar.

 

CORTA PARA:

 

CENA 09 – INT – RISING SUN – FLORESTA/ESCONDERIJO – NOITE

 

Jack olha em volta e empurra a porta do esconderijo e entra. Ele vê Ava sentada sobre um tapete, almofadas, velas e sobre a mesa pratos e talheres.

 

JACK[Surpreso] Nossa!

 

AVA[Rindo] Surpreso?

 

Ele caminha até ela.

 

JACK – Bastante.

 

AVA – Essa foi à intenção.

 

Ele a beija, mas ela o afasta.

 

AVA – Ainda não.

 

JACK – Estamos comemorando algo?

 

AVA – Sim. Um mês de namoro, esqueceu?

 

JACK – É verdade. Desculpa, passou tão rápido.

 

AVA – Eu sei.

 

Ela pega um morango na mesa e coloca na boca dele e o beija.

 

JACK – O que está fazendo?

 

AVA – Tira a roupa.

 

Jack a encara e logo começa a se despir.

 

JACK – Você está… Pronta?

 

AVA – Totalmente.

 

Ele fica apenas de cueca. Ava se aproxima e fala algo ao ouvido dele.

 

AVA[Sussurrando] Você é um completo… Canalha!

 

JACK – O quê?

 

As lágrimas escorrem pelo rosto de Ava e ela se levanta.

 

AVA – Eu realmente achei que poderia me falar agora ou que fosse me dizer antes, caso eu realmente quisesse transar com você, mas tive a certeza do que eu ainda tinha dúvidas.

 

JACK[Nervoso] Porque está chorando? Do que está falando?

 

AVA – Eu achei que você era o garoto da minha vida e que realmente me amava, pois quando eu te vi a primeira vez foi o que senti.

 

JACK – E sou Ava. Eu te amo e…

 

AVA[Gritando] Não! Você não ama, transou com a Halley e nem teve a coragem de me falar antes que a própria vadia viesse me dizer. Você me enganou me fez de idiota e realmente eu sou por ter acreditado que você valia a pena, que você fosse meu amigo, meu namorado e meu companheiro, mas me enganei e isso eu nunca vou perdoar, Jackson.

 

Jack tenta se aproximar dela, mas Ava se afasta.

 

JACK – Por favor, só me ouve. Eu não queria que aquilo acontecesse, eu não sinto nada por ela, eu amo você e ela sabe disso. Estou arrependido e…

 

AVA – Chega! Acabou. Nosso namoro acaba aqui!

 

JACK – O quê? Não! Não faz isso, posso fazer algo para inverter isso.

 

AVA – Nem você fazendo o tempo voltar. Você me traiu e isso não tem perdão!

 

Ela passa por ele e sai chorando apressada. Jack se veste e tenta ir atrás dela, mas Ava já está longe. Ele coloca as mãos na cabeça e soca a parede.

 

CORTA PARA:

 

CENA 10 – INT – RISING SUN – DELEGACIA – NOITE

 

O xerife Bill está olhando alguns papeis dentro de várias pastas sobre a sua mesa. A porta é aberta e uma mulher (cabelos vermelhos escuros, olhos claros, pele clara e sardenta, bem vestida) carrega um molho de chaves.

 

XER. BILL – Oi querida, o que houve?

 

MULHER – Trouxe a chave de casa, já que terei que ir a uma reunião no colégio.

 

XER. BILL – Margareth! Vai assumir mesmo o colégio? Quer mesmo isso?

 

MARGARETH – Preciso voltar a trabalhar e eu adorei essa cidade, conheci vários lugares e gostei da nossa casa. Preciso disso e certamente vamos ficar em Rising Sun.

 

XER. BILL – Assim espero! Você quis tanto vir e aceitei ser o xerife por sua causa, você sabe que faço tudo o que deseja para vivermos bem.

 

MARGARETH – E agradeço por isso. O que me faz viver bem é você e o nosso filho, mas agora preciso ir.

 

XER. BILL – Certo. Só vou guardar esses papais e ir para casa jantar.

 

MARGARETH – Resolveu os casos dos jovens?

 

XER. BILL – Ainda não, mas irei. Preciso saber que seita é essa que fez esses rituais, isso não é comum.

 

MARGARETH – Não mesmo.

 

Ela pega a sua bolsa na cadeira ao lado.

 

XER. BILL – Espera! Chegaram as suas encomendas, eu as peguei. Vou busca-las, volto já.

 

Ele sai da sala. Margareth olha os papeis e pega as fotos dos corpos dos adolescentes e olha as marcas nas testas.

 

MARGARETH [Rindo] Eu sabia que era real. Só um tolo não percebe que isso é magia negra, só os comuns que não sabem da existência do sobrenatural. Mas eu vou descobrir mais sobre vocês, Bruxas, vou sim.

 

Ela ri e joga as imagens de volta a mesa.

 

FADE OUT.

 

 

  –FIM DO EPISÓDIO–

Criado e Escrito por:

MARCOS H.

 

Produzido por:

UNBROKEN PRODUCTIONS.

 

Unbroken Productions Original Séries.

2016 – Story Of Witches – Segunda Temporada – Todos os direitos Reservados.