FADE IN

CENA 1. INT. EMPRESA KRASMANN / RECEPÇÃO. MANHÃ

Os funcionários vão chegando para trabalhar. Beatriz está sentada próxima a sua mesa e tenta escutar a conversa de Regina e Alexandre, mas não consegue. Regina pega sua bolsa que está em sua mesa.

Regina está frente a frente com Alexandre.

REGINA (chorando): Eu passei anos da minha vida ouvindo que a minha família era a escória daquela rua, que eu vivia em um barraco e que eu era suja e imunda.

ALEXANDRE (sério/irritado): E todos falaram a verdade, a sua família sempre foi um lixo. Nossa rua sempre foi muito bem estruturada, e uma vizinhança muito agradável, mas a sua era a única da rua que parecia um esgoto a céu aberto, até tentei comprar o seu pai, mas ele quis continuar naquela imundice. Disse que era herança do pai dele e queria deixar para a filha. Mal ele sabe que poderia ter evitado várias coisas.

REGINA (nervosa): Você é um monstro, olha como você enxerga as pessoas na sua frente! Não somos números! Sempre cresci com um ódio profundo pelos Tower, e prometo que custe o que custar, vou descobrir a verdade sobre sua família!

ALEXANDRE: Você não me conhece Regina, mas a partir do momento que você tiver um pouco de discernimento de quem eu sou de verdade, você vai se arrepender de ter se metido no meu caminho. Agora saia daqui imediatamente ou eu chamo a polícia, e mando te prender sua tapada!

REGINA: Eu vou embora, mas eu garanto pra você que eu não vou desistir de encontrar meu pai.

Regina vai embora. CLOSE UP em Alexandre sorrindo.

 

 

CENA 2. INT. SHOPPING / LANCHONETE. SÃO PAULO. TARDE

CAM abre em uma praça de alimentação em um shopping luxuoso, com várias mesas.

CLOSE UP em Vitor que está sentado próximo a uma mesa, ele olha para o relógio e percebe a chegada de Regina, que está chorando. Ele a beija no rosto e os dois se sentam.

VITOR: (assustado) O que aconteceu? Você não está nada bem.

Ele limpa as lágrimas dela.

REGINA (chorando): Estava tudo tão bem até que o senhor Alexandre apareceu, ele me reconheceu na hora. Pelo menos eu consegui descobrir que ele tem alguma coisa a ver com o desaparecimento do meu pai.

VITOR: Por que você não tira isso da sua cabeça?

REGINA (irritada): Por que eu amo meu pai? Eu queria ver se fosse com você.

VITOR: E agora o que você vai fazer?

REGINA: Eu não faço ideia, mas, com certeza aquele homem não vai ficar espalhando quem eu sou de verdade, então ainda tenho a chance de conquistar o filho dele, se é que ainda preciso.

VITOR: Regina. É melhor você desistir dessa ideia maluca! E pra encontrar seu pai você vai ficar com aquele playboy?

REGINA: Eu sou capaz de tudo pelo meu pai.

Vitor demonstra ciúme, os dois se olham.
CORTA PARA:

 

CENA 2. INT. EMPRESA KRASMANN / SALA DE RAFAEL. MANHÃ

Alexandre está trajando um terno e uma gravata, ele está em pé próximo à janela. Rafael chega a sua sala. Ele se depara com seu pai.

ALEXANDRE (irritado): Por que você não fez o que eu mandei?

RAFAEL: Eu não acredito que você estava falando sério em relação à secretária. Eu não vou demitir ela!

Rafael se senta em sua cadeira. Ele olha seu pai.

ALEXANDRE: Não precisa, já cuidei disso.

RAFAEL: Você a demitiu?

ALEXANDRE: É claro!

Alexandre sorri.

RAFAEL (irritado): Não acredito que você fez isso!

Rafael se levanta.

ALEXANDRE: Eu fiz, e faria de novo. Quantas vezes fossem necessárias, a empresa é minha e eu mando nela.

RAFAEL: Mas eu sou seu filho e sou vice-presidente, e ela era a minha secretária, não sua.

ALEXANDRE: Por que você está tão preocupado com essa moça?

RAFAEL: Por que eu estou apaixonado por ela, papai.

Alexandre fica perplexo com o que acaba de ouvir. Ele olha para seu filho e se aproxima apontando o dedo.

ALEXANDRE (irritado): Você só pode estar brincando comigo. Se eu souber que você se aproximou dela de novo, eu te demito, e você deixa de ser meu filho na mesma hora.

RAFAEL: Então vamos poupar o seu trabalho.

Rafael coloca seu crachá sobre a mesa da sala.

RAFAEL: Eu me demito!

Alexandre abre uma expressão de surpreso, e olha para seu filho indo embora.

ALEXANDRE: Você não precisa fazer isso, seu fraco.

Rafael olha para seu pai indignado.

ALEXANDRE: Pega esse crachá de novo. Você não entende que eu quero o seu bem. Ela é uma pilantra.

RAFAEL: Por quê?

ALEXANDRE: A família dela fez muito mal pra gente.

Rafael pega seu crachá.

RAFAEL: O senhor tem que me deixar livre, ou nunca mais vai me ver.

Rafael sai da sala. Alexandre fica indignado.

CORTA PARA:

 

CENA 3. INT. CASA DOS TOWER / SALA. TARDE

CÂM perpassa pelo ambiente, um sofá de couro (com seis lugares) e uma mesinha de centro próximo.

CAM continua em movimento passando por vários quadros de Elisa e Alexandre mais novos, pendurados nas paredes.

Em Elisa (mãe de Rafael), ela está sentada no sofá, quando se assusta com o toque da CAMPAINHA. Ela levanta e vai até a porta, quando se depara com Regina.

REGINA (surpresa): Olá Elisa.

Regina vai entrando na mansão, enquanto Elisa persegue seu olhar nela.

ELISA (irritada): O que você faz aqui? Sua família não é bem-vinda nesta casa.

Regina vai entrando. Ela se senta no sofá de couro, Elisa também.

REGINA (irritada): Elisa, eu sei que você tem algo a ver com o desaparecimento do meu pai, e eu não vou sair daqui enquanto você não me contar o que aconteceu com ele!

ELISA: Você é maluca igualzinha ao seu pai, você acha que a nossa família tem a ver com as desgraçadas que acontecem com você? Querida enxergue-se, o mundo não gira ao seu redor.

Rafael com os gritos de Regina desce as escadas e fica surpreso com a visita dela.

RAFAEL (surpreso): Vitória? Ainda bem que você apareceu.

Ele desce as escadas, Regina disfarça.

ELISA (surpresa): Vocês se conhecem?

RAFAEL: Ela era minha secretária até ontem, quando meu pai a demitiu.

ELISA: Bom, então vou deixar vocês conversarem.

Elisa sai da sala, e vai até a cozinha.

Em Rafael que fica feliz com a presença de Regina.

RAFAEL: Ainda bem que você veio, eu não sei como te dizer, mas a culpa da sua demissão não foi minha. O meu pai se intrometeu!

REGINA: Tudo bem, eu sabia que você não tinha nada a ver com a maldade dele.

RAFAEL: Não vamos pensar no meu pai agora, quero só pensar na gente.

Rafael beija Regina, ao se afastar ele a observa com as mãos em seu rosto.

RAFAEL: Eu me apaixonei de uma forma tão rápida por você. É como se eu já te conhecesse de algum lugar.

REGINA: Deve ser impressão sua, mas confesso que também gostei muito de você.

Regina tenta não ceder aos encantos de Rafael e se mantém afastada.

Elisa observa os dois na porta da cozinha que dá diante a sala.

REGINA: Eu preciso ir ao banheiro, onde fica?

RAFAEL: Você pode subir as escadas, primeira porta a direita.

Regina solta à mão de Rafael e sobe as escadas correndo. Elisa sai da cozinha e fica em pé diante de Rafael que está sentado.

ELISA (irritada): Eu vi tudo! Você está de rolo com essa daí?

RAFAEL: Eu ia te apresentar ela antes, mas é que tudo aconteceu tão rápido. Sim mãe, estamos nos conhecendo melhor.

ELISA (grita): Você não pode ficar com ela!

RAFAEL: Posso saber o motivo?

Rafael se levanta.

RAFAEL: Foi o pai né? Ele te falou algo? Até você mãe pra se meter na minha vida? Achei que a senhora ficaria feliz com a minha felicidade.

ELISA: É pela sua felicidade que eu não quero que você fique com essa mulher.

RAFAEL: Eu não vou discutir mais com a senhora.

Rafael sai da sala e sobe as escadas. 

CORTA PARA:

 

CENA 4. INT. CASA DE RAFAEL / QUARTO. NOITE

Regina confunde o banheiro e entra em um quarto de empregada, ela leva um SUSTO ao se deparar com uma jovem que está chorando (usa uniforme clássico de empregada, cabelos ruivos até o pescoço, aproximadamente 19 anos).

EMPREGADA (surpresa): Quem é você?

Regina vai andando até ela.

REGINA: Eu sou uma amiga do Rafael, me desculpe, achei que aqui fosse o banheiro.

CARLOTA: Tudo bem, eu sou Carlota, a empregada da casa. O banheiro é na porta anterior.

Regina e Carlota ficam em silêncio por alguns segundos.

REGINA: Eu percebi que você está triste, aconteceu alguma coisa?

CARLOTA (mentindo): Não aconteceu nada.

Regina se senta na cama, ao lado de Carlota. As duas se olham.

REGINA: Eu sei que você não me conhece, mas você pode confiar em mim, o que aconteceu?

CARLOTA: A minha patroa, às vezes ela me deixa em estado de nervos.

REGINA: O que ela fez com você?

Carlota fica em silêncio. Regina percebe que uma mancha roxa no braço dela.

REGINA: Ela te agrediu? Ela é um monstro!

CARLOTA: Tudo bem, eu fui culpada!

REGINA: Ela não tem esse direito! Isso não vai ficar assim…

Regina vai se retirando da sala, quando Carlota pega no braço dela.

CARLOTA: Por favor, não faz nada! Eu preciso desse emprego!

REGINA: Tudo bem, eu entendo, mas você não pode deixar ela te tratar dessa forma.

Regina se retira do quarto.

CORTA PARA:

 

CENA 5. INT. KRASMANN – SALA DE RAFAEL. MANHÃ

Uma mulher (loira, de olhos azuis), se aproxima da sala de Rafael. Ela abre a porta sem bater, ele fica surpreso ao vê-la.

RAFAEL (surpreso): Daniela? O que você faz aqui?

DANIELA: Eu voltei de viagem e decidi aceitar sua proposta de casamento.

RAFAEL (irritado): Como assim? Você é louca? Eu te pedi em casamento antes de você ir embora para o exterior.

DANIELA: Sim, eu fiquei confusa, eu precisava daquele emprego, foi importante para o shopping que estou pretendendo lançar, mas, não deixei de pensar em você nenhum dia. E cada dia que passa, eu tinha cada vez mais certeza de que eu queria me casar com você.

RAFAEL: Eu não sinto mais nada por você Daniela, não sei nem como te dizer, mas eu conheci outra mulher, que me encantou.

Daniela fica abismada com o que acaba de ouvir. Ela se aproxima de Rafael.

DANIELA: Eu tenho certeza que isso é uma paixão passageira. Você será meu.

Ela vai embora com um sorriso no rosto.

CORTA PARA:

 

CENA 6. INT. CASA DE REGINA – SALA. SÃO PAULO. TARDE

Vitor está sentado em um sofá, enquanto Regina está ao lado nervosa, ela mexe os lábios, enquanto ele analisa a situação. Ela se levanta nervosa.

REGINA (irritada): Eu não sei mais o que fazer Vitor, quanto mais eu me envolvo com o Rafael, mas eu me sinto perdida em relação ao meu pai. Eu já perdi as esperanças em relação a ele, agora eu acho que a família vizinha não tem mais nada ver com ele.

VITOR: Eu já disse o que você tem que fazer a muito tempo.

REGINA: Você está certo. Vou desistir de bancar a detetive.

Regina pega sua bolsa que está em cima de uma mesinha. 

CORTA PARA:

 

CENA 7. INT. DELEGACIA – RECEPÇÃO. TARDE

Um ambiente humilde, aberto. Em uma mesa está sentada uma recepcionista, (mulher loira, cabelos curtos até o pescoço). Ela parece mal-humorada, Regina senta-se próximo a mesa, e começa a falar, quando ela a interrompe.

MULHER: Você pegou a senha?

Regina se retira imediatamente, e pega a senha, muitas pessoas aguardam no local, ela fica esperando seu número ser chamado, quando finalmente ela é chamada. Ela se senta na cadeira próximo à mesa do delegado, que é do lado da recepcionista, os dois se olham.

DELEGADO: E então…?

REGINA: Eu quero fazer uma denúncia contra um desaparecimento, faz alguns dias que meu pai desapareceu. Não encontro ele em nenhum lugar, e ele nunca faria isso, alguém o raptou.

DELEGADO: Vamos com calma, mocinha. Como é o nome do seu pai?

REGINA: Eduardo Figueiredo.

O delegado procura em seu computador (antigo), até que ele solta uma risadinha.

DELEGADO: Você está de brincadeira comigo? Esse homem morreu há muitos anos.

REGINA: Não pode ser. Eu falei com ele há alguns dias por telefone.

O delegado entrega o endereço do cemitério.

DELEGADO: Pode se retirar, próximo.

Para em Regina que está assustada. Ela se retira da delegacia.

CORTA PARA:

 

CENA 8. EXT. CEMITÉRIO. TARDE

Regina vai até o cemitério onde o delegado afirmou estar seu pai. Ela procura e meio a tantas tumbas o nome de seu pai, até encontrar uma, seus olhos logo se enchem de lágrimas, ela se ajoelha próximo a tumba.

REGINA (chorando): Não entendo papai, você não pode ter morrido, eu falei com você no telefone há alguns dias atrás, e você estava tão bem.

Ela pega o seu celular na bolsa e abre em uma foto de seu pai. Regina olha para a foto.

REGINA: Eu não vou desistir de saber o que realmente aconteceu com você. Não mesmo! E eu tenho certeza que aquele bilhete, foi um aviso seu.

Regina vai embora do cemitério determinada a saber o que aconteceu com seu pai.

CORTA PARA:

 

CENA 9. INT. CASA DOS TOWER / SALA. NOITE

Rafael abre a porta e se depara com Regina, ele a beija e a convida para entrar com a mão.

RAFAEL: Você chegou na hora certa, meu amor.

Ele a leva a sala de jantar (uma mesa enorme com 6 cadeiras luxuosas), Alexandre está sentado na ponta da mesa diante de todos, Elisa está sentada no lado direito próximo a ele. Em Alexandre que fica irritado com a presença de Regina.

ALEXANDRE (irritado): O que essa mulher está fazendo aqui?

RAFAEL: Eu convidei a Vitória para jantar conosco, pois tenho um anúncio para fazer.

Rafael e Regina se sentam um ao lado do outro.

Regina sorri.

RAFAEL: Eu quero anunciar que vou me casar com Vitória Figueiredo, a partir de hoje estamos noivos.

Rafael entrega uma aliança de noivado para Regina.

ALEXANDRE (irritado): Isso não pode ser verdade!

Ele afasta o prato.

ALEXANDRE: Perdi a fome.

Alexandre se retira da mesa, enquanto Elisa tenta disfarçar.

ELISA: Então me conte o que você faz atualmente?

REGINA: Eu estou montando uma loja de cosméticos, claro que não é de grande porte como a família de vocês, mas com o dinheiro que eu guardei no exterior, deu pra fazer bastante coisa.

RAFAEL: Ela é perfeita pra mim, mãe!

Rafael e Regina se beijam. Ela se levanta.

REGINA: Eu vou ao banheiro, meu amor.

Regina sobe as escadas correndo.

CORTA PARA:

 

CENA 10. INT. CASA DOS TOWER / CORREDOR. NOITE

Regina está andando no corredor, quando PARA em frente à uma porta. Ela parece ouvir alguns gritos e fica em silêncio prestando atenção de onde vem.

REGINA (V.O): Essa casa é muito estranha, e que barulhos são esses?

Ela continua a prestar atenção no barulho. Até que ela ouve o GRITO de uma mulher.

REGINA (assustada) (V.O): O que é isso Meu Deus? Isso não é rato, é alguém gritando!

Para em Regina que continua a ouvir gritos.

CORTA PARA:

 

CENA 11. INT. CASA DOS TOWER / QUARTO DE ALEXANDRE. NOITE

Regina entra no quarto de Alexandre. Ela abre todas as gavetas pra encontrar alguma pista sobre seu pai. Até que ela abre uma das portas do guarda-roupa.

E uma camisa de golo polo verde CAI em seus pés, ela se ASSUSTA, e começa a GRITAR desesperadamente:

REGINA (gritando): Meu pai. Vocês mataram meu pai!

A família inteira começa ouvir os gritos de Regina na sala, e logo Alexandre sobe desesperadamente.

ALEXANDRE: Por que você está gritando Regina? Chega de cinismo.

REGINA (irritada): Essa é a camisa do meu pai. Você o matou! Confessa! Seu bandido!

A imagem congela em Regina.

FADE OUT

 

ESCRITA POR:

Vinicius Henzel

ELENCO:

Giovana Antonelli: Regina Oliveira

Bruno Ferrari: Rafael Tower

Lilia Cabral: Marília Oliveira

Gabriel Braga Nunes: Alexandre Tower

Murilo Benicio: Maurício Oliveira

Bruna Marquezine: Daniela Nascimento

Thiago Fragoso: Vitor Silva

PRODUÇÃO:

UNBROKEN PRODUCTIONS

Todos os direitos reservados ©